Mundo
25/06/2009 - 18h59

Presidente de Honduras desafia Suprema Corte e aprofunda crise política

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colaboração para a Folha Online

O presidente de Honduras, Manuel Zelaya, aprofundou a crise política no país nesta quinta-feira ao afirmar que vai ignorar uma decisão da Suprema Corte que lhe ordenou a readmissão do chefe do Estado Maior das Forças Armadas. O general Romeo Vasquez foi demitido por se opor a uma consulta popular defendida pelo presidente, e a sua readmissão foi determinada nesta quinta-feira pela principal corte do país.

A tentativa de Zelaya de realizar um referendo no próximo domingo sobre uma reforma da Constituição tem enfrentado resistências do Judiciário, do procurador-geral, de líderes militares e até mesmo de seu próprio partido.

O general Romeo Vasquez foi demitido do cargo por se recusar a ceder forças para participar da segurança da consulta popular, que o presidente marcou para o próximo domingo.

"Nós não vamos obedecer ao Supremo Tribunal", disse Zelaya a mais de 2.000 apoiadores reunidos em frente dos escritórios presidenciais --principalmente dirigentes trabalhistas, agricultores e grupos esquerdistas que compõem a maior parte de sua base de apoio. "O tribunal, que só distribui a justiça para os poderosos, os ricos e os banqueiros, só causa problemas para a democracia."

O presidente de Honduras disse ainda que "os militares não governam sozinhos" e que aqueles que se opõem à reforma constitucional são os "ricos e grupos de poder" que, segundo ele, desafiam as leis do país há muitos anos.

O presidente da Suprema Corte, Jorge Rivera disse que se Zelaya não obedecer à decisão judicial "ele terá de enfrentar consequências penais".

A Suprema Corte, o Congresso e o procurador-geral dizem que a votação é ilegal porque viola cláusulas constitucionais que restringem algumas reformas.

Zelaya, que é próximo do ex-ditador cubano Fidel Castro e do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse que os problemas sociais estão enraizados na Constituição, que tem 27 anos. Ele não especificou quais mudanças que ele iria propor, mas seus adversários acusam-no de querer imitar Chávez, expandindo os poderes presidenciais e permitindo a reeleição.

O referendo pergunta aos eleitores se eles querem que seja realizada uma eleição formal sobre se a convocação de uma assembleia para escrever uma nova Constituição.

A demissão de Vasquez levou os chefes do Exército, da marinha e da Aeronáutica a renunciar a seus cargos. O próprio presidente anunciou nesta quarta-feira à noite que o ministro da Defesa, Edmundo Orellana, também renunciou.

O chefe demitido do Estado Maior disse que não poderia apoiar um referendo que o tribunal havia declarado ilegal, mas afastou a possibilidade de um golpe.

"Somos prudentes e aceitamos a decisão do presidente, a quem respeito e que tem o direito de demitir quem ele quiser", disse Vasquez.

Mas o procurador-geral, Luis Alberto Rubi, que pediu ao tribunal para readmitir Vasquez, também apelou ao Congresso para retirar o presidente do cargo.

Zelaya, um rico proprietário de terras que enfrenta a subida dos preços dos alimentos e um acentuado aumento da violência ligada às drogas, não pode concorrer a um segundo mandato consecutivo quando seus quatro anos de governo se encerrarem, no próximo mês de janeiro.

Com Associated Press e Efe

 

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