Mundo
26/06/2009 - 14h23

Manifestantes são passíveis de execução, diz clérigo do Irã em sermão

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da Folha Online

O clérigo Ahmed Khatami disse nesta sexta-feira, em um sermão transmitido pela TV, que os líderes dos protestos que geram caos político no país há quase duas semanas serão punidos com rigor e que alguns são "passíveis de execução", de acordo com tradução da agência de notícias Associated Press.

Conforme a agência Reuters, o que o clérigo disse foi que os manifestantes são "mohareb", pessoas que entram em guerra a Deus, e que devem ser punidos "com rigor e selvageria". Pela lei islâmica, a punição para os "mohareb" é a execução.

Raheb Homavandi/Reuters
O clérigo iraniano Ahmed Khatami reza diante de fiéis em Teerã após pedir "punição severa"
O clérigo iraniano Ahmed Khatami reza diante de fiéis em Teerã após pedir "punição severa"

"Qualquer um que luta contra o sistema islâmico ou o líder da sociedade islâmica o fazem até a destruição completa", disse o clérigo Khatami, em discurso pronunciado na Universidade de Teerã. "Pedimos que o Judiciário confronte os líderes dos protestos, das violações, e aqueles que apoiam os Estados Unidos e Israel fortemente e, sem piedade, dê uma lição a todos."

O clérigo, além de acusar os manifestantes de estarem em "guerra com Deus", também criticou a mídia estrangeira de divulgar falsas notícias, principalmente a britânica BBC. "Em sua inquietação, os britânicos têm se comportado de forma obscura e é certo acrescentar o slogan "abaixo o Reino Unido' ao slogan "abaixo os EUA'", disse o clérigo que, na sequência, foi interrompido pela plateia, que gritava "morte a Israel".

O governo iraniano acusa a mídia ocidental de incentivar os protestos e já cassou as licenças de trabalho dos jornalistas estrangeiros e expulsou dois diplomatas britânicos --o Reino Unido reagiu, expulsando dois diplomatas iranianos.

No seu sermão, Khatami ressaltou que a jovem Neda Agha Soltan, 27, morta com um tiro durante um protesto em Teerã, foi assassinada pelos próprios manifestantes, e não pelas forças iranianas. "A prova de que eles [manifestantes] fizeram isso é a propaganda que foi levantada contra o sistema", disse.

O vídeo com a morte de Neda rodou o mundo e virou símbolo dos protestos contra a reeleição de Ahmadinejad.

Suspeitas

Mais cedo, o Conselho de Guardiães, a máxima instância constitucional do país e responsável pela fiscalização da eleição, negou haver traços de fraude no pleito e constituiu uma comissão de personalidades políticas e representantes dos três candidatos derrotados por Ahmadinejad --entre eles, o principal líder da oposição, Mir Hossein Mousavi-- e afirmou que todos farão a recontagem dos votos de 10% das urnas, para provar a "sanidade" do processo.

"Na presença da comissão, 10% das urnas serão analisadas e as suas conclusões serão divulgadas", explicou o porta-voz. Entre os integrantes da comissão estão o chanceler Ali Akbar Velayati e o ex-presidente do Parlamento Gholam Ali Hadad Adel.

O resultado oficial da eleição, que deu vitória para o presidente Mahmoud Ahmadinejad, com 62,63% dos votos contra 33,75% do principal adversário, reformista Mis Hossein Mousavi, é duramente contestado pela oposição. As manifestações, concentradas em Teerã, configuram a maior crise política do Irã desde a Revolução Islâmica de 1979 e têm sido reprimidos com grande violência por parte do governo e pela milícia islâmica, conhecida como basij.

Nesta segunda-feira (22), o próprio Conselho de Guardiães admitiu que houve fraude em ao menos 50 cidades do país, nas quais o número de votos superou o de eleitores registrados. No entanto, o órgão entendeu que isso afetou apenas 3 milhões de votos e, por isso, não é suficiente para questionar a vitória de Ahmadinejad.

O conselho recebeu até agora dos três candidatos derrotados --Mousavi, Mehdi Karubi e Mohsen Rezai-- 646 queixas de irregularidades na votação.

Comentários dos leitores
Valentin Makovski (217) 03/11/2009 15h23
Valentin Makovski (217) 03/11/2009 15h23
Eu não duvido de nada, se os EUA em alguns anos, implantarem algumas bases de mísseis de longo alcance no Iraque, pois estão lá e tem mais de 100 mil soldados, agora lógico. A Russia esta fazendo o mesmo apoio ao Irã, Pra ser mais exato, a guerra fria ainda não acabou só mudou de época. Lógico com vantagem dos EUA, mas a Russia tem seus prô e contras, ainda tem tecnologia suficiente e possui o maior arsenal de bombas atômicas. EUA estão no paquistão não para combater o Taliban, estão presentes numa região que demanda conflitos eternos, e que sempre terá um para vender armas, e tecnologia. Sabemos de praxe Srs (as) que guerras são grande negócios, em valores astronômicos. Antes não se dava ênfase á aquela região, hoje em dia a região é estratégica para as super potencias, envolve muito dinheiro e conflitos a vista. Por isso tanto interesse e tanta movimentação bélica. sem opinião
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J. R. (1126) 18/10/2009 13h21
J. R. (1126) 18/10/2009 13h21
RU treina soldados iraquianos para proteger seus poços de petróleo.
"O Parlamento iraquiano aprovou nesta terça-feira um acordo de cooperação marítima com o Reino Unido que permitirá o retorno de entre cem e 150 soldados britânicos ao sul do país árabe, para ajudar a treinar a Marinha iraquiana e proteger as instalações petrolíferas."
Este é o sinal obvio que os ingleses se apossaram das companhias de petróleo iraquianas após enforcarem Sadam Hussein e colocarem "testas de ferro e laranjas" da nova elite iraquiana. Como se não bastasse o exército iraquiano vigiará os poços para eles. Provavelmente, após o saque ao tesouro iraquiano, no lugar de ouro e outras moedas, os corsários os encheram de dólares cheirando a tinta. O Irã deve abrir bem os olhos, pois isso é o que é pretendido para eles também. É bom que a revolução dos aiatolás comece a educar seu povo maciçamente, a fim de não facilitar a invasão dos inimigos que sempre contam com que o povo esteja na ignorância.
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J. R. (1126) 28/09/2009 14h07
J. R. (1126) 28/09/2009 14h07
Alguns não querem que o Brasil se aproxime do Irã, outros não querem que se aproxime do criminoso Israel, porém lembrem-se que estão num país que não tem rabo preso. O presidente do Irã virá, o ministro de Israel, Kadafi, Obama. Isso é liberdade e autodeterminação. De que adianta essa panacéia com relação ao mundo árabe? Nada. 1 opinião
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