Honduras se divide sobre consulta por nova Constituinte
FABIANO MAISONNAVE
enviado especial da Folha de S.Paulo a Tegucigalpa (Honduras)
Flertando com uma grave crise institucional, os hondurenhos estão divididos sobre se irão hoje às urnas apoiar a iniciativa do presidente Manuel Zelaya de convocar uma Assembleia Constituinte. A consulta, declarada ilegal pelo Congresso, pela Promotoria e pela Justiça, sofre forte oposição das Forças Armadas, da Igreja Católica e até de parte do governista Partido Liberal.
Zelaya quer obter apoio popular para a instalação da chamada "quarta urna" nas eleições de 29 de novembro, simultaneamente presidencial, legislativa e municipal. É uma consulta sobre uma consulta: o aliado do presidente Hugo Chávez quer que os eleitores decidam se apoiam ou não a convocação de uma nova Constituinte dentro de cinco meses.
| Oswaldo Rivas -26.jun.09/Reuters |
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| Presidente Manuel Zelaya, realiza referendo neste domingo (28) sobre a reforma da constitucional de Honduras; país está dividido |
Os críticos da proposta acusam Zelaya de tentar mudar a Constituição para poder se candidatar novamente à Presidência --em Honduras, o mandato é de quatro anos, sem direito à reeleição. Caso não haja mudanças, seu período se encerrará em janeiro.
Zelaya, 56, nega que queira permanecer no poder após o final do seu atual mandato, embora admita que, "se houver vontade popular", postulará novamente à Presidência.
"As pessoas não sabem do que se trata a consulta. Não sabemos se é para mudar a Constituição, se é para o presidente se reeleger ou se é para eliminar as eleições de novembro", disse ontem à Folha o porteiro Juan Castro, 40. Como a maioria dos críticos a Zelaya, ele diz que não votará hoje e teme que haja violência nas ruas.
Ao seu lado, o também porteiro Jesus Moreno, 50, diz que irá votar a favor da proposta de Zelaya e que apoia a sua reeleição. "Honduras precisa muito de mudança, e o presidente tem ajudado a gente mais humilde." Ele acredita que a votação ocorrerá de forma pacífica.
Dúvidas sobre apuração
Sem o apoio das Forças Armadas e de outras instituições do Estado, a votação de hoje está sendo organizada por funcionários públicos do Executivo e militantes governistas em praças e outros locais improvisados. Ainda não está claro como será feita a apuração.
O enfrentamento entre o Executivo e os outros Poderes gerou acusações mútuas de golpe de Estado e levou os militares a patrulhar as ruas durante a última semana, principalmente na quinta-feira.
Ontem, o comércio voltou a funcionar normalmente em Tegucigalpa. Durante a tarde, as ruas apresentavam os tradicionais engarrafamentos, em parte em consequência da forte chuva que caía sobre a cidade.
Os governistas planejam instalar 15 mil urnas e distribuir 2 milhões de cédulas pelo país, o segundo mais pobre da América Central, com uma população de 7,9 milhões (cerca de metade da Grande São Paulo).
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