Em aparente golpe de Estado, militares detêm presidente de Honduras
da Folha Online
Atualizado às 11h22.
O presidente de Honduras, Manuel Zelaya, foi detido por militares na manhã deste domingo (28) e levado para instalações da Força Aérea, segundo informou seu secretário particular, Eduardo Enrique Reina, e a imprensa local.
A rede de televisão norte-americana CNN afirmou que não conseguiu confirmar a detenção do presidente, de imediato, mas Reina disse à imprensa local que, "com muita preocupação, a Guarda de Honra informou que o presidente foi detido pelos militares e levado a [instalações da] Força Aérea".
| Esteban Felix/AP |
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| Soldados ocupam as ruas de Honduras, em aparente golpe militar; presidente está detido em base aérea de paradeiro desconhecido |
Além de pedir ao povo e aos políticos hondurenhos que se "manifestem em defesa da democracia", o secretário afirmou que o caso "já foi denunciado à comunidade internacional".
Zelaya foi detido por militares entre 5h e 6h (8h e 9h de Brasília). Não momento da prisão, ele estava no palácio presidencial, que permanece cercado por aproximadamente 300 soldados.
A detenção do chefe de Estado aconteceu aproximadamente duas horas antes do início da "consulta popular" convocada por Zelaya para votar uma reforma constitucional, declarada ilegal por órgãos como o Parlamento e a Suprema Corte.
Pouco mais de uma hora depois, por volta das 7h (10h de Brasília), a transmissão das rádios foi interrompida por instantes, mas voltou ao normal após alguns minutos.
Segundo o jornal local "La Prensa", o presidente foi transportado para um aeroporto militar de paradeiro desconhecido. Soldados estão por todas as ruas da capital, mas não há relatos de tumultos ou agitação, de acordo com a Rádio América.
Zelaya, esquerdista eleito em 2005, se colidiu contra outros segmentos do governo e líderes militares sobre a questão do referendo. Ele queria apoio popular para instalação da chamada "quarta urna" nas eleições de 29 de novembro, simultaneamente presidencial, legislativa e municipal. É uma consulta sobre uma consulta: o aliado do presidente Hugo Chávez quer que os eleitores decidam se apoiam ou não a convocação de uma nova Constituinte dentro de cinco meses.
A consulta, declarada ilegal pelo Congresso, pela Promotoria e pela Justiça, sofre forte oposição das Forças Armadas, da Igreja Católica e até de parte do governista Partido Liberal.
O Supremo Tribunal de Honduras considerou o referendo ilegal, e foi apoiado pelo Congresso e pela alta cúpula do Exército hondurenho. Ainda assim Zelaya se manteve firme em sua posição.
Na quarta-feira, Zelaya destituiu o chefe das Forças Armadas hondurenhas, Romeo Vásquez.
Dois dias depois, o presidente disse que Vásquez continuava no cargo e que apenas havia anunciado a destituição do oficial, não chegando a executá-la.
Zelaya, cujo mandato de quatro anos termina em janeiro de 2010, não pode ser reeleito, de acordo com a redação da lei atual.
Os meios de comunicação estão pedindo à população que fique em casa e aguarde um comunicado oficial de uma autoridade ainda não especificada.
Com agências internacionais e Folha de S.Paulo
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