Mundo
29/06/2009 - 06h12

Assembleia da ONU convoca reunião para discutir crise em Honduras

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da Folha Online

O presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, o nicaraguense Miguel D'Decoto, convocou para esta segunda-feira uma sessão extraordinária para abordar a crise política em andamento em Honduras, após a deposição do presidente Manuel Zelaya.

Por meio de nota, D'Decoto condenou "a categórica ação criminosa do Exército golpista de Honduras" e pediu "solidariedade com o presidente constitucional de Honduras". Zelaya foi acusado de violar a Constituição ao planejar realizar uma consulta popular sobre a reeleição presidencial.

Fernando Antonio/AP
Militares ocupam a residência presidencial em Tegucigalpa neste domingo; ONU e OEA condenam a execução do golpe
Militares ocupam a residência presidencial em Tegucigalpa neste domingo; ONU e OEA condenam a execução do golpe

Nesta segunda-feira, representantes dos 192 membros da assembleia da ONU devem se reunir em Nova York para debater o tema. Retirado de sua casa à força pelos militares, Zelaya viajou para a Nicarágua, onde participa da reunião da Alba (Aliança Bolivariana para as Américas), também convocada às pressas para avaliar o golpe.

Entenda a crise que levou ao afastamento do presidente de Honduras

As reações internacionais foram todas em apoio do presidente deposto. O secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), José Miguel Insulza, convocou uma reunião urgente do Conselho Permanente do organismo para analisar a crise em Honduras e pediu que a comunidade internacional se una contra esta "grave alteração do processo democrático do continente".

O presidente dos EUA, Barack Obama, afirmou que as disputas internas desse país devem ser resolvidas de forma pacífica. "Quaisquer tensões e disputas existentes devem ser resolvidas pacificamente e através do diálogo, livre de qualquer interferência externa", declarou o líder americano Obama.

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, apelou para que todos os partidos em Honduras respeitem as Constituições e as leis desse país. O embaixador americano em Tegucigalpa, Hugo Llorens, afirmou que "o único presidente que os Estados Unidos reconhecem em Honduras é o presidente Manuel Zelaya".

O governo brasileiro, por meio do Ministério das Relações Exteriores, condenou "de forma veemente" o episódio.

Golpe militar

O que começou com uma proposta de consulta popular sobre mudança na Constituição para permitir a reeleição no país (onde o presidente só pode exercer um único mandato de quatro anos) acabou com a ocupação militar das ruas. Em Tegucigalpa, tanques ocupavam várias partes da cidade, enquanto aeronaves sobrevovavam a região.

O enfrentamento no país só tomou essas proporções depois que o general do comando do Estado Maior das Forças Armadas, Romeo Vásquez, renunciou.

Nomeado presidente, o líder do Congresso, Roberto Micheletti, anunciou neste domingo um toque de recolher de pelo menos 48 horas a fim de que o país recuperasse a tranquilidade, no meio da crise causada pela abrupta saída de Zelaya.

Edgard Garrido/Reuters
Deputados nomearam Roberto Micheletti, líder do Congresso, como novo presidente do país
Deputados nomearam Roberto Micheletti, líder do Congresso, como novo presidente do país

Segundo Micheletti, não houve golpe militar nem tomada de poder, porque o presidente renunciou.

Apoio popular

Esquerdista eleito em 2005, Zelaya bateu de frente contra outros segmentos do governo e líderes militares sobre a questão do referendo, declarada ilegal pelo Congresso, pela Promotoria e pela Justiça, sofreu forte oposição das Forças Armadas, da Igreja Católica e até de parte do governista Partido Liberal.

Ele queria apoio popular para instalação da chamada "quarta urna" nas eleições de 29 de novembro, simultaneamente presidencial, legislativa e municipal. Seria uma consulta sobre a reeleição de cargos executivos, entre eles a Presidência.

Zelaya rejeitou a renúncia e afirmou que foi alvo de um "sequestro brutal" arquitetado por uma parte do corpo militar. O presidente de Honduras, Manuel Zelaya, disse que só continua vivo por "uma graça de Deus". "Nunca renunciei e nunca vou usar esse mecanismo caso eu tenha sido eleito pelo povo."

Reuters
Hugo Chavez diz que fará "tudo o que tiver que fazer" para recolocar Zelaya no cargo
Hugo Chavez diz que fará "tudo o que tiver que fazer" para recolocar Zelaya no cargo

O líder venezuelano, Hugo Chávez, já anunciou que vai fazer "tudo o que tenha que fazer" para restituir Zelaya ao cargo. Ele ameaçou responder militarmente ao golpe em Honduras caso seu embaixador no país fosse sequestrado ou morto. Segundo Chávez, o representante venezuelano foi agredido, e o cubano, preso.

Micheletti rebateu dizendo que o Exército de Honduras está preparado para uma agressão. "Vejo com muita preocupação o que ele [Chávez] diz sem nem sequer uma reflexão. Que não venha ele nos ameaçar", disse, em declarações a uma rede de televisão local.

"Os militares foram usados para dar um golpe de Estado troglodita, como tantos que ocorreram na América Latina nos últimos cem anos, contra um povo e um presidente que só está buscando um consulta popular", disse Chávez.

O presidente nicaraguense, Daniel Ortega, afirmou que a ministra das Relações Exteriores do país caribenho, Patricia Rodas, e outros funcionários do governo do presidente Manuel Zelaya "estão desaparecidos".

Comentários dos leitores
celio maia (114) 08/12/2009 21h36
celio maia (114) 08/12/2009 21h36
"Presidentes do Mercosul rejeitam presidente eleito de Honduras"... Era bem capaz de os arquitetos do retorno do Jelaia mudarem de idéia, bem assim os recebedores de dólares narcohidrocarbônicos contrariarem seu banqueiro Chavez... Talvez mudem de idéia quando o hóspede da embaixada cansar do cárcere em que se meteu e aceitar servir como moeda de troca de pontos de vista. sem opinião
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Juca Bala (88) 08/12/2009 19h06
Juca Bala (88) 08/12/2009 19h06
Fabrizio, Não precisa mais de milicos e exercito para se manipular a democracia. 90% dos votos em qualquer lugar do mundo cheira a manipulação populista, e endeusamento de personalidades (temos o nosso deus aqui). Isoo é extremamente perigoso para qualquer democracia em qualquer pais. Quando uma dilma diz; O Lula nos mostrou o caminho a seguir, quase como um dos apostolos referindo-se ao Cristo, vemos que passamos dos limites. O Brasil , no entanto, parece maduro e "protegido" o suficiente para não descambar ladeira abaixo com com Chavez que está levando seu pais a ruina. O grande estadista, apoiado pelo tpovo na Venezuela tem sua popularidade e credibilidade caindo na medida que este mesmo povo vê que sua utopia não tem sustentação. No mundo todo esses grandes lideres forma aplaudidos no começo e depois se mantiveram no poder na base da po__ada ou da corrupção. Mais uma vez parabéns ao povo e ao governo Hondurenho. Barrou o chavez e sua agenda. Que ele destrua só a Venezuela. Nosso Lula navega na bonanza economica do pais utilizando principios economicos ortodoxos e de vez em quando apoia o maluco Iraniano, bate bumbo a favor de Zelaya para contentar esse monte de esquerdista retrogrado que ajudaram a elege-lo. Como disse o ex. gov. E. Amim: o poder e´como o violino, toma-se com a esquerda e toca-se com a direita. 5 opiniões
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José Vitor (66) 08/12/2009 13h17
José Vitor (66) 08/12/2009 13h17
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Santos Júnior (333) 08/12/2009 00h46

É governo marxista-stalinista sim
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Que o diga Abílio Diniz, o livro de cabeceira dele é O Capital...
Sívio Santos ? Maoista de carteirinha...
Famílias Setúbal (Itaú), Moreira Salles (Unibanco) ? Leninistas...
Família Ermírio de Morais ? Tudo troskista...
Isto sem contar as multi-nacionais né...deixa ver, a (argh) Telefônica é um braço do Foro de S. Paulo...
Etc etc etc
Cara, você tá precisando de ajuda profissional, urgente, urgentíssima...
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