Mundo
29/06/2009 - 08h42

EUA demoraram para agir sobre golpe em Honduras, afirma analista

Publicidade

FLÁVIA MARREIRO
da Folha de S. Paulo

Antes de ser deposto do poder em Honduras, Manuel Zelaya fez questão de agradecer aos EUA por não apoiarem a conspiração contra ele.

"Se os EUA tivessem apoiado [a tentativa de golpe], já estaria fora do país", comemorou Zelaya falando ao vivo na TV com o aliado Hugo Chávez, na sexta-feira (26).

Golpe em Honduras repete roteiro do século 20

Menos de 48 horas depois, Zelaya foi levado à força para a vizinha Costa Rica, e o Congresso hondurenho aclamou um novo presidente.

Neste domingo, Washington disse que só reconhece o governo do deposto. Funcionários do Departamento de Estado disseram a agências de notícias, em condição de anonimato, que os EUA falaram com representantes de todos os setores hondurenhos, inclusive militares.

Contaram que os interlocutores militares "deixaram de atender" os telefonemas.

Mas, para o sociólogo argentino Juan Gabriel Tokatlián, tanto a OEA (Organização dos Estados Americanos) como o governo Barack Obama, que vinham dando declarações brandas, agiram tarde demais.

Permitiram que a situação "cruzasse um limite". "Quando há intentona de golpe, a ação deve ser categórica, independentemente da crise institucional do país", diz o argentino, diretor de relações internacionais da Universidade de San Andrés.

Tokatlián frisa a importância de uma ação enfática dos EUA em um país que nos anos 80 ficou conhecido como "porta-aviões americano", servindo de base de treinamento para os Contra, que combatiam os sandinistas na Nicarágua.

Os EUA mantêm base militar em Honduras, com aviões e 500 soldados.

Comentários dos leitores
O governo eleito é legítimo,uma vez que o sr zelaia queria mudar a constituição para se reeleger o qual foi negado pela jústiça que fizesse um plesbicito o qual insistia em faze-lo para benefício próprio,ele não está acima da lei.Parabéns ao congresso e a jústiça de Honduras. sem opinião
avalie fechar
Tito Oliv (143) 15/12/2009 11h08
Tito Oliv (143) 15/12/2009 11h08
O Estado hondurenho esta na senda de todos os regimes golpista com tendência totalitária: o do crime. Uma surra hoje, um desaparecido aqui e logo os assassinatos começam a ser cometidos. Sempre num crescendo. Cujo fim pode ser uma das formas mais cruéis de conflito: a guerra civil. Nessas ocasões me lembro de João Goulart, deposto pelos militares em 1964, depostos pelos defensores da democracia que impuseram uma ditadura violenta e criminosa ao Brasil. João Goulart, informado do custo que teria a resistência, em mortes, feridos, miséria moral e econômica, disse "não vale a pena e não sujarei minhas mãos. Foi para o exílio em suas fazendas no Uruguai, onde logo depois ocorreu tb um golpe, sempre apoiado pelos grandes defensores da democracia, os Estados Unidos. Tal como com os corruptos do Brasil que vivem se dizendo honestíssimos (quando não afirmam que são a própira honestidade) devemos desconfiar dessas "grandes democratas" como Micheleti. O que querem mesmo é o poder. O eleito, Lobo, que se cuide que o Micheleti é cobra velha. sem opinião
avalie fechar
Gedeão Barros (154) 15/12/2009 00h54
Gedeão Barros (154) 15/12/2009 00h54
A que se deve tanta obstinação para recolocar Zé-laia no poder? Por que tanto enfurecimento? Por ignorância? Por desinformação? Não. A explicação tem a ver com motivos muito diferentes dos que se esgrimem. Quando as instituições hondurenhas decidiram destituir Zelaya, a fim de salvaguardar devidamente sua Constituição, desencadearam - sem saber - um poderoso complô internacional. O plano, elaborado pelo Foro de São Paulo (FSP), consistia em utilizar Honduras, El Salvador e Nicarágua, para expandir a revolução bolivariana por toda a região, com o objetivo final de apoderar-se do México. Além disso, as FARC - que constituem o principal cartel da cocaína do hemisfério - tinham em Honduras um de seus principais centros de aprovisionamento para o transporte da droga para os Estados Unidos. A defenestração de Zelaya jogou por terra simultaneamente o projeto expansionista do FSP e o multimilionário negócio das FARC. Ao Chapolin e seus aliados do FSP pouco lhes importa o bem-estar de Zé-laia ou a democracia hondurenha; só lhes interessa desestabilizar tanto o atual governo de Micheletti, quanto o próximo de Porfirio Lobo, para colocar um títere no poder que lhes permita retomar seus planos de expansão. Os hondurenhos já demonstraram sua vocação pacífica e seu apego às leis. Depois das eleições ocorridas no passado 29 de novembro, já não se pode lhes exigir nenhuma outra explicação. Agora corresponde aos críticos de Honduras explicar por quê continuam desestabilizando esse país: O fazem para agradar ao Chapolin? Por acaso receberam maletas cheias de petrodólares? O fazem porque estão envolvidos no negócio do narcotráfico? Ou porque são aliados das FARC?
As respostas a todas estas perguntas estão contidas nos computadores de Raúl Reyes. Já é hora de que toda a informação registrada nesses computadores saia à luz.
sem opinião
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (5392)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca