Mundo
29/06/2009 - 09h05

Lula condena golpe e rejeita novo governo de Honduras

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da Agência Brasil
da Folha Online

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou nesta segunda-feira o que considera um golpe de Estado em Honduras e afirmou que o Brasil não aceitará o novo governo do presidente hondurenho interino, Roberto Micheletti, que assumiu o cargo depois que soldados prenderam o presidente eleito Manuel Zelaya, no domingo, e o enviaram para o exílio na Costa Rica.

Em seu programa semanal de rádio "Café com o Presidente", Lula afirmou que a única saída para o país é a democracia. "Não há meio termo. Temos que condenar esse golpe", disse.

Zelaya foi detido neste domingo por um grupo de militares, horas antes de o país iniciar uma consulta pública sobre um referendo para reformar a Constituição.

O presidente deposto queria incluir o referendo sobre a convocação da Assembleia Constituinte --que, segundo críticos, era uma forma de Zelaya instaurar a reeleição presidencial no país-- nas eleições gerais de 29 de novembro. A proposta, contudo, foi rejeitada pelo Congresso.

Os parlamentares afirmaram que a deposição de Zelaya foi aprovada por suas "repetidas violações da Constituição e da lei e desrespeito a ordens e decisões das instituições". Já no exílio, Zelaya defendeu-se dizendo que foi deposto "em um complô de uma elite voraz, uma elite que só quer manter o país isolado, em um nível extremo de pobreza".

O golpe em Honduras foi criticado duramente por Lula, que o associou ao passado de ditaduras militares na América Latina.

"Não podemos aceitar ou reconhecer qualquer novo governo que não seja o do presidente Zelaya, porque ele foi eleito diretamente pelo voto, cumprindo as regras da democracia. E nós não podemos aceitar mais, na América Latina, alguém querer resolver o seu problema de poder pela via do golpe", afirmou.

O presidente defendeu ainda que Zelaya deve retomar a Presidência e alertou que essa é a "única condição" para que o Brasil possa estabelecer qualquer tipo de relação com o país.

"Se Honduras não revir a posição, vai ficar totalmente ilhado no meio de um contingente enorme de países democráticos", disse.

Em comunicado divulgado no domingo, o governo brasileiro já tinha condenado o "golpe de Estado" de "forma veemente".

Em uma nota emitida pelo Ministério das Relações Exteriores, o Brasil exigiu que Manuel Zelaya seja "imediata e incondicionalmente" reposto em suas funções e qualificou o ocorrido em Honduras como um "atentado à democracia".

O chanceler Celso Amorim conversou com outros ministros de Relações Exteriores latino-americanos, aos quais pediu que a OEA (Organização dos Estados Americanos) se mantenha em "sessão permanente", enquanto persistir a crise em Honduras.

Comentários dos leitores
George Hamilton (40) 11/12/2009 19h57
George Hamilton (40) 11/12/2009 19h57
celio maia (118) 11/12/2009 18h50
Além do fato que o Lula disse que em Janeiro irá fechar a embaixada de honduras.
O plano deles com o México furou, Honduras disse que o cara só sai se for asilado, eles dizem que não conhecem esta condição de "hospede" nas leis internacionais de diplomacia.
Isto foi invenção do burrito da Sila Porquito Garcia e Ratito Amorim, só que com eles (os Hondurenhos) esta não cola.
sem opinião
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celio maia (118) 11/12/2009 18h50
celio maia (118) 11/12/2009 18h50
Segundo o jornal El Heraldo, um diplomata brasileiro revelou que "o Brasil deu aviso ao presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, que deve abandonar a sede diplomática do país sulamericano, onde está alojado, até o 27 de janeiro."
Esse aviso permite algumas leituras. De logo, percebe-se que a frustrada tentativa de levar Zelaia para o México motivou este aviso prévio de "despejo", indiciando que o governo brasileiro fracassou em mais um subterfúgio contra o governo de facto, e indicando que ele não pretende reconhecer as eleições hondurenhas, obrigando-se a retirar sua representação diplomática antes do 28 de janeiro, quando não poderá ficar mais "hospedando" um prófugo da justiça.
Por outro viés paradoxal, percebe-se que o governo brasileiro não deixa de reconhecer que o próximo governo terá, de fato, condições de exigir legalmente que o Brasil defina o status do deposto presidente.
E para evitar esse dissabor , preferem sair de mansinho o quanto antes...
Zelaia será abandonado à própria sorte, achando talvez que sua ambição política inveterada possa resultar em um futuro galardoador.
sem opinião
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eduardo de souza (529) 11/12/2009 15h09
eduardo de souza (529) 11/12/2009 15h09
Volto a repetir. Honduras ainda esta em conflito, embargos econômicos, falta de apoio e credibilidade perante a grande maioria da comunidade internacional, cometendo erros sem parar. Acreditam que por estarem alinhados com os Eua resolveram seus problemas, quanta ingenuidade. Os Eua só tem aparência, não se mistura teatro com realidade.
Podem ficar nessa "lengalenga" à vontade, quando quiserem tratar de forma madura, negócios e diplomacias, com outros países livres, terão que rever o "falido golpe". Enquanto isso, só para lembrar que golpe não tem mais vez, fica Zelaya hospedado em nossa embaixada tornando-se um mártir de futuros golpes made in USA.
Acostumem-se "direitalhas serviçais", sugar o sangue dos outros por canudinho, acabou.
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