Veterano na política, Micheletti chega por golpe à Presidência de Honduras
da France Presse, em Tegucigalpa
Roberto Micheletti encontrou um atalho para chegar à Presidência do país após 30 anos de vida político e anseio ao principal cargo político de Honduras.
Presidente do Congresso, Micheletti foi designado presidente interino após a deposição do presidente eleito, Manuel Zelaya, derrubado do poder em um golpe orquestrado pela Justiça e o Congresso e executado por um grupo de militares que o expulsaram para a Costa Rica.
Aos 61 anos, formado em administração de empresas e gerência, ambos em universidades americanas, Micheletti atuou nos últimos 30 anos na vida política do país.
| Esteban Felix-28jun.09/AP |
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| Presidente interino, Roberto Micheletti, faz discurso no Congresso Nacional de Honduras |
Entre 1980 e 2005, foi deputado pelo Departamento (Estado) Yoro. Em novembro de 2005, perdeu a eleição interna do Partido Liberal, de direita, para Zelaya, então companheiro político.
Presidente do Congresso, Micheletti acompanhou de perto a crise política de Honduras, iniciada por divergências sobre uma consulta pública para um referendo para reformar a Constituição. O presidente deposto queria incluir o referendo sobre a convocação da Assembleia Constituinte --que, segundo críticos, era uma forma de Zelaya instaurar a reeleição presidencial no país-- nas eleições gerais de 29 de novembro. A proposta, contudo, foi rejeitada pelo Congresso.
Embora a escolha de Micheletti pareça óbvia, muitos se surpreenderam com a facilidade com a qual ele foi eleito como interino já que não é o preferido do PL e nem de outro grande partido do Parlamento, o Partido Nacional.
Em seu discurso de posse, deu a própria versão dos últimos acontecimentos dizendo que não havia sido golpe de Estado, mas um "processo absolutamente legal" para tirar Zelaya do poder, depois de seu giro para a esquerda e suas amizades perigosas com o presidente venezuelano, Hugo Chávez, alarmando a sociedade conservadora hondurenha.
Micheletti prometeu manter as eleições que estavam já marcadas para 29 de novembro, entregando o poder ao vencedor, em janeiro.
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