Mundo
29/06/2009 - 15h50

Sem apoio do partido, Zelaya espera reação popular para retornar à Presidência

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da Folha Online

O presidente eleito de Honduras, José Manuel Zelaya Rosales, foi eleito em 2005 com uma campanha contra violência e pela educação. Agora, quatro anos depois, ele espera o apoio da população --e da comunidade internacional-- para conseguir manter seu cargo diante do golpe orquestrado pelo Congresso com apoio dos militares para evitar um referendo pela mudança na Constituição.

Conhecido também como Mel Zelaya, o presidente deposto nasceu em 20 de setembro de 1952. Parte de uma família com notável histórico político, Zelaya nasceu em Catacamas, Olancho.

Tomas Stargardter/Reuters
Zelaya (esq.) e os pares Ortega (Nicarágua), Chávez (Venezuela) e Correa (Equador), durante Alba
Zelaya (esq.) e os pares Ortega (Nicarágua), Chávez (Venezuela) e Correa (Equador)

Ele frequentou a Universidade Nacional de Honduras, mas não se graduou, engajado em negócios próprios, em especial, investimento em gado. Ele atualmente é dono de terras e rebanhos em Olancho.

Ele é casado com Xiomara de Zelaya.

Ele começou na carreira política em 1970, pelo Partido Liberal de Honduras e se tornou um ativista uma década depois. Ele foi deputado no Congresso Nacional entre 1985 e 1998. Depois, sempre dentro do PL, ocupou cargo de ministro do Investimento, responsável pelo Fundo Social de Investimento de Honduras.

Durante o governo de Carlos Roberto Flores, Zelaya introduziu um programa de condados abertos para descentralizar a tomada de decisões e devolver o poder à comunidade local.

Candidato novamente pelo PL, Zelaya foi eleito presidente em 27 de novembro de 2005, após derrotar Porfirio Pepe Lobo, do Partido Nacional de Honduras.

Governo

Durante a campanha eleitoral, Zelaya prometeu investir no policiamento e em um programa de reeducação entre os jovens de gangues. Seu rival, Lobo, chegou a prometer a pena de morte aos grupos criminosos, uma postura considerada radical e que fez muitos classificarem a vitória de Zelaya como a escolha do povo pela reconciliação.

Seu governo, contudo, foi descrito como frágil e, apesar do apoio no governo, não consegue apagar a mancha da criminalidade e pobreza.

Esteban Felix/AP
Manifestantes se reúnem perto da sede do governo de Honduras, na capital Tegucigalpa, contra o golpe
Manifestantes se reúnem perto da sede do governo de Honduras, na capital Tegucigalpa, contra o golpe

No primeiro ano de sua Presidência, muitos membros do gabinete renunciaram como protesto ao estilo de governar de Zelaya. Em dezembro do mesmo ano, o presidente decidiu fazer uma avaliação de todos os ministros --medida considerada absurda pela maioria dos membros do governo e que causou a renúncia do ministro de Educação e a substituição de outros integrantes de seu gabinete.

Em 24 de maio de 2007, Zelaya ordenou que todos os canais de rádio e televisão de Honduras passassem 2 horas diárias de propaganda do governo.

Zelaya é um aliado do presidente venezuelano, Hugo Chávez. Do Partido Liberal, alinhado à elite econômica do país, ele liderou a adesão de Honduras à chavista Alba (Aliança Bolivariana para as Américas) em 2008, provocando temor no empresariado de que vá promover estatizações.

Enquanto se afastava de sua base tradicional, aproximou-se de sindicatos e movimento indígena e ganhou simpatia de parte dos 70% de pobres do país ao aumentar em 60% o salário mínimo desde 2006.

Crise

Zelaya detonou o clima de crise política em Honduras ao confrontar o Congresso e a Corte Suprema do país e destituir do chefe do Estado Maior das Forças Armadas, por divergência sobre a convocação de um referendo sobre uma mudança na Carta Magna no país --mudança que, segundo críticos, visa apenas viabilizar a reeleição presidencial.

Na quinta-feira passada (25), a Corte Suprema do país considerou "ilegal" a destituição do chefe do Estado Maior das Forças Armadas, general Romeo Vásquez, determinada no dia anterior por Zelaya. A decisão também foi revertida pelo Congresso, com apoio do divido Partido Liberal, do presidente.

A Carta vigente é 1982 e não contempla, segundo Zelaya, as necessidades do país. Caso o referendo, marcado para este domingo, fosse aprovado, haveria uma quarta urna nas eleições gerais de 29 de novembro para que a população aprovasse, em referendo, a mudança.

A Justiça e as autoridades eleitorais disseram que a pesquisa é ilegal. Baseado nessa decisão, o general Romeo Vásquez se recusou a dar apoio logístico à pesquisa, que deveria ser realizada neste domingo pelo IBGE local na forma de um referendo não vinculante. Pela recusa, foi destituído por Zelaya.

Com Enciclopédia Britânica e Folha de S. Paulo

 

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