Mundo
29/06/2009 - 19h31

Itamaraty adia retorno de embaixador para Honduras em meio a crise

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colaboração para a Folha Online

O Itamaraty informou nesta segunda-feira que o embaixador do brasileiro em Honduras, Brian Michael Fraser Neele, vai permanecer no Brasil até que se resolva a situação política no país centro-americano, após a derrubada, neste domingo, do presidente hondurenho Manuel Zelaya.

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O presidente foi retirado do cargo e enviado para o exterior por militares apoiados pela Suprema Corte e pelo Congresso. Ele pretendia realizar uma consulta popular sobre mudanças constitucionais que foi considerada ilegal pela Justiça e sofreu oposição das principais instituições do país, até mesmo de seu partido.

Sob protestos da comunidade internacional, os deputados empossaram o presidente do Congresso, Roberto Micheletti, como presidente interino. A sucessão não foi reconhecida por nenhum governo.

O embaixador brasileiro em Honduras estava passando as férias no Brasil e planejava voltar para Tegucigalpa nos próximos dias, de acordo com o Ministério das Relações Exteriores. Mas o ministro Celso Amorim determinou que ele permaneça no Brasil até que a ordem seja restabelecida em Honduras.

Em seu programa semanal de rádio "Café com o Presidente", o presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou nesta segunda-feira o que disse considerar um golpe de Estado em Honduras e afirmou que o Brasil não aceitará o novo governo do presidente interino. Lula afirmou que a única saída para o país é a democracia. "Não há meio termo. Temos que condenar esse golpe", disse.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta segunda-feira que o golpe de Estado em Honduras foi "ilegal" e que o presidente eleito, Manuel Zelaya, continua sendo o chefe de Estado daquele país. Diversos governos e organizações, como a OEA (Organização dos Estados Americanos) e a ONU (Organização das Nações Unidas), já condenaram o golpe.

Tomas Stargardter/Reuters
Zelaya (esq.) e os pares Ortega (Nicarágua), Chávez (Venezuela) e Correa (Equador), durante Alba
Zelaya e os pares Ortega (Nicarágua), Chávez (Venezuela) e Correa (Equador), durante Alba

O presidente deposto participou nesta segunda-feira na Nicarágua da abertura da cúpula extraordinária da Alba (Aliança Bolivariana para as Américas), ladeado por aliados, os presidentes Hugo Chávez (Venezuela), Rafael Correa (Equador), Daniel Ortega (Nicarágua) e pelo chanceler de Cuba, Bruno Rodríguez.

Chávez condenou em uma entrevista concedida à Telesur o que chamou de "golpe de Estado troglodita" contra Zelaya e opinou que "o império [os EUA] tem muito a ver" com o que acontece naquele país. O presidente venezuelano pediu que os militares hondurenhos não deem margem a um "genocídio" por seguir ordens "da burguesia, dos ricos". O povo "está saindo às ruas em defesa da democracia, mas está desarmado".

Em uma medida de apoio ao presidente hondurenho deposto, os países membros da Alba ordenaram Nesta segunda-feira a retirada de seus embaixadores de Honduras.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu que Zelaya seja restabelecido no cargo e que os direitos humanos sejam respeitados no país, enquanto a Comissão Europeia (órgão executivo da União Europeia) pediu que "as partes envolvidas" na crise iniciem "rapidamente" um diálogo, a fim de "resolver as diferenças de maneira pacífica, com total respeito ao marco legal do país".

Zelaya foi derrubado do poder em um golpe orquestrado pela Justiça e pelo Congresso e executado por um grupo de militares, que o expulsou para a Costa Rica. O golpe foi realizado horas antes do início de uma consulta popular sobre uma reforma na Constituição que tinha sido declarada ilegal pelo Parlamento e pela Corte Suprema.

De acordo com os parlamentares hondurenhos, a deposição de Zelaya foi aprovada por suas "repetidas violações da Constituição e da lei" e por "seu desrespeito às ordens e decisões das instituições". Segundo os seus críticos, com a consulta, Zelaya pretendia instaurar a reeleição presidencial no país. As próximas eleições gerais serão em 29 de novembro.

 

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