Novas prisões na faixa de Gaza ameaçam acordo entre grupos palestinos
colaboração para a Folha Online
O grupo laico Fatah, do presidente da ANP (Autoridade Nacional Palestina), Mahmoud Abbas, acusou o grupo islâmico palestino Hamas de ter detido dezenas de ativistas do Fatah na faixa de Gaza nesta segunda-feira, em meio a negociações de conciliação e troca de prisioneiros entre as duas facções rivais.
Um porta-voz do Hamas disse que não houve detenções e acusou o Fatah de distorcer os fatos com o objetivo de minar os esforços egípcios de mediar as conversações para conciliar os dois grupos palestinos.
Detenções recíprocas por forças leais aos dois grupos têm dificultado os esforços para restabelecer a unidade política e aumentar as perspectivas de uma retomada das negociações de paz com Israel.
O Fatah controla a ANP, que governa efetivamente apenas a Cisjordânia, desde que o grupo radical islâmico Hamas tomou o controle da faixa de Gaza, em 2007.
O Hamas venceu a última eleição parlamentar, em 2006, e indicou um primeiro-ministro, mas choques com o Fatah Abbas a destituir o gabinete no ano seguinte --o que não foi aceito até hoje pelo Hamas.
O anúncio das novas prisões foi feito no mesmo dia em que o porta-voz das forças de segurança do Fatah na Cisjordânia anunciou que cem membros Hamas "que não representam uma ameaça para a segurança geral e o Estado de Direito" seriam libertados nesta segunda-feira e terça-feira.
Os dois grupos haviam anunciado nesta segunda-feira um acordo para criar uma comissão especial com o objetivo de solucionar o problema dos prisioneiros de ambos os grupos.
O membro do Comitê Executivo da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Zakaria al Aga, membro da delegação do Fatah, se mostrou favorável a uma solução ao problema das detenções.
Em declarações à agência de notícias oficial egípcia Mena, ele disse que o fim desse obstáculo "propiciará o ambiente para que as duas delegações possam resolver os problemas pendentes".
O integrante do Escritório Político do Hamas, Ezat el Rechq, disse à emissora Al Jazira que a solução para o problema é essencial para alcançar uma reconciliação.
Mas o deputado do Fatah Ashraf Gomaa disse por telefone, de Gaza, que pelo menos 90 das pessoas detidas nesta segunda-feira tinham sido identificadas, mas que as operações do Hamas continuavam.
"Exortamos a liderança egípcia a adotar uma posição mais firme sobre essas ações do Hamas, que criam dúvidas entre o nosso pessoal sobre a importância, e a necessidade, de continuarmos essas conversações no Cairo", disse o deputado.
Um alto assessor de Abbas disse que as forças de segurança palestinas detiveram cerca de dez agentes do Hamas na Cisjordânia nos últimos dias, por suspeitas de que estivessem planejando ataques.
"Nós estamos convencidos agora de que [o Hamas] não está pronto para chegar a um acordo no Cairo", disse Tayyeb Abdel-Rahim.
"Essas posições do Fatah têm apenas um objetivo, que é o desejo do Fatah de frustrar o diálogo", disse o porta-voz Hamas Sami Abu Zuhri.
Fontes próximas às negociações de reconciliação no Cairo disseram que a última rodada de conversas neste domingo tinham chegado a um impasse devido às divergências sobre um mecanismo para encerrar as detenções de membros das duas facções. Os dois grupos negam que as detenções sejam politicamente motivadas.
Delegações do Hamas e do Fatah reuniram-se nesta segunda-feira com o chefe da inteligência egípcio, Omar Suleiman, que há quase um ano tem liderado os esforços do Egito para mediar a reconciliação entre os dois grupos.
Frustrado com a falta de progressos, o governo do Egito fixou o próximo dia 7 de julho como a data limite para a assinatura de um acordo.
Na reunião desta segunda-feira, o Egito propôs que os dois grupos comecem simultaneamente a libertar prisioneiros, mas a proposta será discutida nesta terça-feira, quando o Egito a apresentará formalmente aos dois grupos, segundo o altos negociador do Fatah, Zakaria al Agha.
O Hamas avisou anteriormente que um acordo não seria possível a menos que o Fatah encerrasse as detenções contra os seus membros na Cisjordânia e liberasse um número significativo dos 920 apoiadores do Hamas detidos pelo Fatah.
O Fatah informou que o Hamas mantém quase 300 dos seus homens nas prisões na faixa de Gaza.
Um acordo teria como objetivo final acabar gradualmente com as divisões, por meio da criação de uma comissão conjunta para lidar com a reconstrução de Gaza, em grande parte destruída em uma ofensiva israelense em dezembro e janeiro passados, e para preparar as eleições presidenciais e legislativas em Gaza e na Cisjordânia e para reformar os serviços de segurança palestinos.
Com reuters, France Presse e Efe
Leia mais notícias sobre os territórios palestinos
- Palestinos criam comissão para discutir prisões políticas
- Israel ignora pressão e autoriza construção de 50 casas na Cisjordânia
- Hamas concordou em libertar militar de Israel em breve, diz jornal
Outras notícias internacionais
- Itamaraty adia retorno de embaixador para Honduras em meio a crise
- Queda de raio em festa fere 13 na Alemanha
- Província argentina suspende aulas após novas mortes por gripe suína
Especial

