Presidente de Honduras quer apoio da ONU para voltar ao cargo; protestos deixam feridos
da Folha Online
da Folha de S.Paulo
O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, disse que vai apelar nesta terça-feira à ONU (Organização das Nações Unidas) para voltar ao cargo. Ele foi expulso por militares no sábado (27), após ser acusado de tentar alterar a Constituição por meio de um referendo considerado ilegal pela Suprema Corte e pelo Congresso.
Um dia depois de o presidente ser deposto, o Congresso de Honduras nomeou como interino Roberto Micheletti (presidente do Legislativo). Nesta segunda-feira, manifestantes se concentraram na frente da Casa Presidencial, em Tegucigalpa, para protestar contra o golpe de Estado e a posse de Micheletti.
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Militares e a população entraram em confronto. Ao menos 25 pessoas ficaram feridas e algumas dezenas foram presas. No amplo jardim do lado de dentro do palácio, dezenas de policiais e militares faziam a guarda da Casa Presidencial. O estacionamento, sem automóveis, se transformou em pista de pouso para helicópteros militares carregados de material bélico.
| Esteban Felix/AP |
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| Policiais utilizam jato para dispersar protesto no palácio presidencial da capital Tegucigalpa |
Jornais noticiaram que ao menos um homem foi morto durante os protestos, mas o governo não confirma. A falta de dados confiáveis da imprensa local se explica pela dura repressão aos veículos de comunicação favoráveis a Zelaya.
Ontem, o presidente deposto afirmou que vai pedir à Assembleia Geral da ONU que o ajude a retornar ainda nesta semana. Ele também pediu o apoio do secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), José Miguel Insulza. Os dois órgãos criticaram duramente o golpe em Honduras.
Críticas do continente
Vários países também se uniram contra o golpe, que consideraram um "retrocesso na democracia" do continente. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, qualificou o golpe como um ato "ilegal" que abre um "terrível precedente" para a região.
"Não foi legal, e o presidente [Manuel] Zelaya permanece o presidente de Honduras, o presidente eleito democraticamente", afirmou Obama em entrevista após encontro com o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe. "Não queremos voltar para um passado de escuridão."
| Jamil Bittar/Reuters |
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| O presidente Lula, que rejeitou a destituição do hondurenho Zelaya e o governo de Micheletti |
Obama afirmou que o país trabalhará em parceria com os membros da OEA (Organização dos Estados Americanos) para que Zelaya volte ao poder --a exigência faz parte da resolução aprovada no domingo por aclamação pelos 34 países da organização.
Ao lado do hondurenho deposto, os presidentes da Alba Daniel Ortega (Nicarágua), Hugo Chávez (Venezuela), Evo Morales (Bolívia) e Rafael Correa (Equador) anunciaram que retirarão seus embaixadores de Tegucigalpa como resposta à deposição do governo.
O Itamaraty informou que o embaixador brasileiro em Honduras, Brian Michael Fraser Neele, vai permanecer no Brasil até que se resolva a situação política no país centro-americano. O embaixador brasileiro em Honduras estava passando as férias no Brasil e planejava voltar para Tegucigalpa nos próximos dias, de acordo com o Ministério das Relações Exteriores. Mas o ministro Celso Amorim determinou que ele permaneça no Brasil até que a ordem seja restabelecida em Honduras.
| Reuters |
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| O presidente eleito e deposto de Honduras, Manuel Zelaya, em seu exílio na Nicarágua |
Luiz Inácio Lula da Silva condenou nesta segunda-feira o que disse considerar um golpe de Estado em Honduras e afirmou que o Brasil não aceitará o novo governo do presidente interino. Lula afirmou que a única saída para o país é a democracia. "Não há meio termo. Temos que condenar esse golpe", disse.
Golpe
Zelaya foi derrubado do poder, neste domingo (28), em um golpe orquestrado pela Justiça e pelo Congresso e executado por militares, que o expulsaram para a Costa Rica. O golpe foi realizado horas antes do início de uma consulta popular sobre uma reforma na Constituição que tinha sido declarada ilegal pelo Parlamento e pela Corte Suprema.
"Fui retirado da minha casa de forma brutal, sequestrado por soldados encapuzados que me apontavam rifles", contou o presidente deposto. "Diziam: "se não soltar o celular, atiramos'. Todos apontando para minha cara e meu peito. [...] Em forma muito audaz eu lhes disse: "se vocês vêm com ordem de disparar, disparem, não tenho problema de receber, dos soldados da minha pátria, uma ofensa a mais ao povo, porque o que estão fazendo é ofender o povo'."
| Esteban Felix/AP |
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| O presidente do Parlamento hondurenho, Roberto Micheletti, eleito presidente interino |
De acordo com os parlamentares hondurenhos, a deposição de Zelaya foi aprovada por suas "repetidas violações da Constituição e da lei" e por "seu desrespeito às ordens e decisões das instituições". Segundo os seus críticos, com a consulta, Zelaya pretendia instaurar a reeleição presidencial no país. As próximas eleições gerais serão em 29 de novembro.
Em exílio na Nicarágua, Zelaya diz ter sido alvo de "um complô de uma elite voraz, uma elite que só quer manter o país isolado, em um nível extremo de pobreza". Micheletti, no entanto, afirmou que o golpe foi um "processo absolutamente legal", contemplado na Constituição.
No Congresso de Honduras, um funcionário leu uma carta com a suposta renúncia de Zelaya --que, em San José (Nicarágua), desmentiu de modo veemente o ato. "Eu nunca renunciei e nunca vou usar este mecanismo enquanto for presidente eleito pelo povo", declarou.
Com agências internacionais






O povo participou da eleição sem levar em conta a torcida do Chapolim.
Porfirio Lobo foi eleito democraticamente e isso tira o tapete de fumaça do Hugo Chavez e seu marionete Zelaya.
Até a Dilma admite a fragilidade dessa "politica" do Celso Amorim e aceita o resultado democratico da eleição hondurenha.
Será que o Lula vai engolir essa da Dilma Roussef depois da "peremptoriamente não" ?
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"Eu te amo meu Brasil eu te amo,
meu coração é verde, amarelo, branco, azul-anil ..."
"Ame-o ou deixe-o"
Pelo visto alguns que se recusam a amar o Brasil
atualmente já mudaram a edição da própria cartilha, para uma mais adequada para o atual momento.
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