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30/06/2009 - 09h13

Corte da Alemanha suspende ratificação do Tratado de Lisboa

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colaboração para a Folha Online

A Corte Constitucional da Alemanha decidiu nesta terça-feira que o Tratado de Lisboa é compatível com a lei nacional, mas pediu mudanças na legislação doméstica antes de que o texto possa ser formalmente ratificado.

A decisão da mais alta corte do país remove um dos vários obstáculos ao tratado, que tem o objetivo de dar ao bloco uma liderança mais forte, uma política externa mais efetiva e um sistema de tomada de decisões mais justo.

Winfried Rothermel/AP
Corte Constitucional da Alemanha decide suspender ratificação do Tratado de Lisboa
Corte Constitucional da Alemanha decide suspender ratificação do Tratado de Lisboa

Os magistrados da Corte, com sede na cidade de Karlsruhe, disseram que a legislação alemã deve ser modificada para dar maiores possibilidades de intervenção na tomada de decisões europeias ao Bundestag e o Bundesrat, as Câmaras Baixa e Alta alemãs, respectivamente.

"Em resumo, a Lei Fundamental diz 'sim' ao Tratado de Lisboa mas demanda um fortalecimento das responsabilidades parlamentares em nível nacional", disse o juiz Andreas Vosskuhle, que presidiu a sessão, em referência à Constituição alemã pós-guerra.

"A Corte está confiante de que o último obstáculo antes da ratificação será removido rapidamente", acrescentou.

Pouco depois da divulgação da sentença, um porta-voz do Bundestag anunciou a convocação de uma sessão extraordinária, em agosto, para a primeira leitura da reforma da lei reivindicada pelo Tribunal Constitucional.

Tratado

O Tratado de Lisboa foi redigido depois que a Constituição da UE que foi rejeitada por eleitores franceses e holandeses em 2005.

O atual projeto retoma, com menos força, alguns dos itens da Carta, ao estabelecer os cargos de presidente do Conselho Europeu e de Alto Representante para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança.

A maioria necessária no Parlamento Europeu para aprovação de medidas também vai ser reduzida, segundo o tratado, para tornar as decisões menos sujeitas a bloqueios por minorias.

O novo documento sofreu uma dura derrota há cerca de um ano, quando foi rejeitado pela Irlanda em um referendo.

O país deve realizar uma nova votação em outubro, depois de receber garantias de outros países da UE de que o tratado não irá ameaçar as posições irlandesas sobre aborto, impostos e neutralidade militar.

O Tratado de Lisboa enfrenta obstáculos também em outros países. Os presidentes eurocéticos da República Tcheca e da Polônia recusaram a ratificar o documento antes do resultado do segundo referendo na Irlanda.

Os conservadores no Reino Unido também defendem a realização de um referendo no país e podem tentar reverter a ratificação do tratado pelo Parlamento se, como é esperado, eles vencerem a eleição nacional marcada para 2010.

O Tratado de Lisboa precisa ser ratificado por todos os 27 países-membros do bloco até o final deste ano para que esse movimento seja evitado.

Com Efe, France Presse e Reuters

 

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