Chefe de Transportes da UE propõe lista negra mundial de companhias aéreas
da France Presse, em Bruxelas
O chefe de Transportes da Comissão Europeia (órgão executivo da União Europeia), Antonio Tajani, propôs nesta terça-feira a criação de uma "lista negra mundial" com nomes de companhias aéreas perigosas e que não fazem correta manutenção de suas aeronaves. O pedido veio depois da notícia de que autoridades francesas identificaram "certos defeitos" na aeronave Airbus A310-300 iemenita, que caiu no oceano Índico nesta segunda-feira, próxima às Ilhas Comores, com 153 pessoas a bordo.
"Minha ideia é propor uma lista negra mundial semelhante à lista negra que se usa na União Europeia", disse, em entrevista coletiva, Tajani.
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O voo partiu de Paris, na França. Os passageiros fizeram então uma escala em Sanaa, capital do Iêmen, onde trocaram de aeronave, de um Airbus 330 para o Airbus 310. O avião seguiu então para o arquipélago --a cerca de 300 km de Madagascar. O avião decolou pouco depois das 21h30 (15h30 no horário de Brasília) e deveria voar durante 4h30 antes de pousar em Moroni, capital comorense.
Não há informações sobre o que teria derrubado a aeronave. Autoridades comorenses e iemenitas afirmam que o mau tempo pode ter contribuído.
O chefe de Transportes da UE afirmou que apresentará a proposta da lista durante um encontro em Bruxelas com os presidente do Conselho da Organização de Aviação Civil Internacional.
"Temos uma lista negra, mas esta só é válida na Europa. Fora da Europa, é apenas uma indicação", disse o comissário, antes de explicar que o documento seria uma garantia para todos aqueles que viajam no mundo.
Tajani lamentou ainda que a Yemenia Airways não fizesse parte da lista negra europeia, já que, assim, "os passageiros mudariam de avião, já que os controles são muito severos."
Os passageiros do voo com destino às Ilhas Comores, um destino turístico a 300 km de Madagascar, trocaram de avião na escala em Sanaa, onde embarcaram no Airbus A310.
"Depois do acidente de hoje, contataremos a companhia iemenita para ver o que aconteceu e controlar o nível de segurança", afirmou Tajani.
"Segundo os franceses, o avião que caiu não era um bom avião. Temos que verificá-lo. Queremos que todos os europeus voem em aviões que consideram seguros", continuou. O ministro de Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner, confirmou nesta terça-feira que 66 franceses viajavam no avião iemenita.
O comitê de especialistas responsável por revisar periodicamente a lista negra de companhias aéreas da UE se reúne até esta quinta-feira em Bruxelas. Segundo Tajani, os especialistas devem divulgar uma atualização da lista "nas próximas semanas".
A lista negra europeia contem mais de 200 nomes de companhias aéreas proibidas no continente ou autorizadas a operar somente sob rígidas restrições.
A maioria das empresas são africanas, especialmente de Angola, Benin, Congo, Guiné Equatorial, Libéria e Serra Leoa.
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