Mundo
30/06/2009 - 11h40

Presidente interino diz que Zelaya será preso se voltar a Honduras

Publicidade

da Folha Online

O presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, negou um golpe de Estado no país, mas advertiu nesta terça-feira ao presidente deposto, Manuel Zelaya, que os tribunais "têm uma ordem de captura" pronta caso decida retornar ao país. Zelaya foi deposto e expulso do país no domingo passado (28) sob críticas da comunidade internacional. Ele afirmou que planeja retornar nesta quinta-feira (2º) para retomar seu cargo.

Entenda a crise política em Honduras
Golpe em Honduras repete roteiro do século 20
Sem apoio do partido, Zelaya espera reação popular
Veterano, Micheletti chega à Presidência após golpe

O interino Micheletti, que era presidente do Congresso até ser rapidamente empossado para substituir Zelaya, disse que a ordem de captura contra o presidente deposto é consequência dos "crimes" que cometeu por causa de seu "interesse em continuar no governo ou pela atitude prepotente que ele tinha assumido nos últimos meses de governo".

Dario Lopez-Mills/AP
Apoiadores de Zelaya sentam em carro policial após protestos em Tegucigalpa, em Honduras
Apoiadores de Zelaya sentam em carro policial após protestos em Tegucigalpa, em Honduras

Zelaya foi derrubado do poder em um golpe orquestrado pela Justiça e o Congresso e executado por um grupo de militares que o expulsaram para a Costa Rica.

O golpe foi realizado horas antes de o país iniciar uma consulta pública sobre um referendo para reformar a Constituição. O presidente deposto queria incluir o referendo sobre a convocação da Assembleia Constituinte --que, segundo críticos, era uma forma de Zelaya instaurar a reeleição presidencial no país-- nas eleições gerais de 29 de novembro. A proposta, contudo, foi rejeitada pelo Congresso.

Os parlamentares afirmaram que a deposição de Zelaya foi aprovada por suas "repetidas violações da Constituição e da lei e desrespeito a ordens e decisões das instituições". O presidente deposto defendeu-se dizendo ser vítima de "um complô de uma elite voraz, uma elite que só quer manter o país isolado, em um nível extremo de pobreza".

Em entrevista de Tegucigalpa à emissora colombiana Caracol Radio, Micheletti afirmou ainda que a ordem de captura de Zelaya foi ordenada pelo Congresso.

Cidadão comum

Mario López/Efe
Presidente cubano, Raúl Castro (esq.), cumprimenta Manuel Zelaya em reunião
Presidente cubano, Raúl Castro (esq.), cumprimenta Manuel Zelaya em reunião

Já o novo Ministro de Relações Exteriores de Honduras, Enrique Ortez Colindres, afirmou que Zelaya pode retornar ao país, desde que seja como um "cidadão comum" e não como presidente.

"Zelaya não está proibido de entrar em Honduras", disse Colindres, acrescentando que o presidente deposto teria que obter permissão do Ministério de Relações Exteriores e "não seria considerado presidente e sim um cidadão comum".

Colindres não deu mais detalhes sobre o motivo de Zelaya ter que obter a permissão do ministério, já que ele é cidadão hondurenho. Ele disse, contudo, estar ansioso pela reunião da OEA (Organização dos Estados Americanos) para que eles percebam "que este é um governo que respeita todas as leis e a única coisa que fez foi remover um presidente por sistematicamente violar a constituição."

Micheletti afirmou que Colindres foi escalado para viajar aos países da região para explicar as razões da expulsão de Zelaya. "Nomeamos o chanceler para que vá a todos os países amigos para ver a possibilidade que temos de dialogar, porque foi ouvida uma versão, não se escutou a parte que motivou a saída do presidente Zelaya", afirmou.

Protestos

O presidente interino, que decretou toque de recolher assim que foi empossado, afirmou ainda que seu governo está preocupado pelo fato de que alguns países, que não mencionou, estão apoiando atividades de vandalismo nas ruas de Tegucigalpa.

"Todo o mundo entende que há uma participação muito ativa de gente que não é do país, está tentando colaborar nos atos de vandalismo de alguns grupos", ressaltou.

As manifestações em favor de Zelaya acabaram em conflitos com a polícia, que usou gás lacrimogêneo e jatos de água para expulsar os manifestantes da sede da Presidência.

Micheletti afirmou ainda que alguns funcionários do governo Zelaya estão usando dinheiro público para pagar o transporte de algumas pessoas das zonas rurais para que cheguem à capital e participem de protestos --o apoio de Zelaya, que se aproximou da população rural, é maior no interior que na capital de Honduras.

O presidente interino afirmou ainda que analisará com a polícia e as Forças Armadas a necessidade de manter ou suspender o toque de recolher decretado no domingo, com a intenção de "evitar que, à noite, pudesse haver algumas atividades de parte destes grupos".

O novo governante especificou que não se apresentará como candidato nas eleições gerais de 29 de novembro e que entregará o poder ao ganhador em 27 de janeiro de 2010.

Retorno

Zelaya anunciou nesta segunda-feira que voltará, com apoio da comunidade internacional, a Tegucigalpa. Ele deve retornar na próxima quinta-feira (2º), após visitar os Estados Unidos, onde discursará na ONU (Organização das Nações Unidas).

"Vou como presidente eleito, para terminar meu mandato de quatro anos", disse Zelaya durante sua intervenção na reunião do Grupo do Rio, em Manágua.

"Vou regressar por vontade própria e sob a proteção do Sangue de Cristo, por Deus e por meu povo", disse Zelaya ao afirmar que aceitou a oferta do secretário da OEA (Organização dos Estados Americanos), José Miguel Insulza, de acompanhá-lo na viagem.

Zelaya revelou ainda que convidará presidentes de países amigos para também viajar com ele.

Com agências internacionais

Comentários dos leitores
joao martins (69) 27/11/2009 22h12
joao martins (69) 27/11/2009 22h12
O mundo anda de ponta cabeça mesmo né???....O Zelaya queria dar um jeitinho de continuar no poder, e agora com as eleições que é a vontade do povo, querem derrubar o opositor se ele se eleger. Nos Estados Unidos, uma baita "Democracia", o prefeito de New York, o Blomberg deu um jeitinho na lei municipal e por puro casuísmo foi reeleito para o 3º mandato contrariando todas as regras da democracia, pois disse que gostou de ser prefeito, e o mundo anda criticando o Hugo Chaves porque foi reeleito e quer ficar no poder por mais tempo, porque disse que é gostoso, e o Lula já deu a entender que mais 4 anos não, pois não é democrático, mas 2 anos a mais não faria mal algum pra ele e muito menos pro PT. Cada um faz o que dá na telha. Agora, ALTERNÃNCIA do poder é só de boca né gente...Acho que os paises 'DEMOCRATICOS". estão com inveja da CHINA......Nem na época da DITADURA MILITAR, tinha continuismo, acabava o mandato, o milico já botava o pijama ia pra casa e entrava outro. Eu já acho que um partido mais que 5 anos no poder já é continuismo casuístico, imagine o governante querer se aposentar no poder, como o faz o SIR NEY, com mais de 50 anos no poder!!!!!...Nojo, Nojo, puro Nojo....A impressão que dá é que o cara não tem capacidade pra arrumar emprego!!! sem opinião
avalie fechar
mario pedrosa (106) 27/11/2009 19h55
mario pedrosa (106) 27/11/2009 19h55
Dá para a Diplomacia brasileira ser mais prática e objetiva e parar de chorar? 2 opiniões
avalie fechar
Marcio Alves Vieira (125) 27/11/2009 19h46
Marcio Alves Vieira (125) 27/11/2009 19h46
UNASUL e OEA:
A questão é simples, se por maioria foi tomada uma decisão e esta não foi respeitada, ou se excluem os membros que não acataram a decisão ou que se disolva a as organizações.
Não tem o que se discutir, nesse caso, essa é a verdadeira democracia.
sem opinião
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (4654)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca