Mundo
30/06/2009 - 12h52

Presidente do Irã diz que sua reeleição é vitória do povo

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colaboração para a Folha Online

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou nesta terça-feira que sua reeleição é uma vitória para o povo iraniano e uma derrota para os inimigos da República Islâmica.

O pleito do último dia 12 de junho transformou o país em palco das maiores manifestações desde a Revolução de 1979, mas os ultraconservadores mantiveram o poder no quinto maior exportador mundial de petróleo, cujo programa nuclear preocupa o Ocidente.

Arash Khamushi/AP
Mahmoud Ahmadinejad diz que sua reeleição é vitória do povo, e derrota para inimigos do país
Mahmoud Ahmadinejad diz que sua reeleição é vitória do povo, e derrota para inimigos do país

"A eleição foi na verdade um referendo. A nação iraniana é a vencedora e os inimigos, apesar de seus planos de uma suave queda do sistema, falharam e não conseguiram atingir seus objetivos", afirmou o presidente à agência de notícias estatal Irna.

O Conselho de Guardiães, que supervisiona as eleições no país, descartou qualquer apelo legal e disse que aqueles que falam que houve fraude devem ser processados.

"Baseado na Constituição do Irã, o Conselho de Guardiães é o principal órgão legislativo que revê queixas sobre a eleição. Os membros do Conselho aprovaram por unanimidade o resultado", disse o porta-voz Abbasali Kadkhodai em uma entrevista coletiva.

"O caso da décima eleição presidencial está encerrado", completou, um dia depois de o Conselho indeferir as reclamações feitas por dois candidatos derrotados, Mir Hossein Mousavi e Mehdi Karubi.

Em um comunicado divulgado nesta terça-feira em sua página na internet, Mousavi voltou a pedir a repetição da eleição presidencial.

No texto, o ex-primeiro-ministro insiste na formação de um comitê independente que examine as queixas de fraude e avalie o ocorrido nos violentos protestos no país após as presidenciais.

"Apesar da declaração do Conselho de Guardiães, a posição de Mousavi não mudou e é a mesma que expressou na carta apresentada em 27 de julho", diz o documento, assinado por seu gabinete de imprensa.

O próximo passo formal é o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, confirmar Ahmadinejad como presidente.

O Parlamento irá empossá-lo depois de algumas semanas.

Contra a lei

O clérigo conservador Ahmad Khatami afirmou que qualquer um que continuar se opondo à decisão do Conselho de Guardiães estará se opondo à lei.

"Isso demonstra que essas pessoas não querem seguir por caminhos legais e que querem atingir seus objetivos pela força", disse ele, segundo a agência oficial Fars.

Na última sexta-feira (26), Khatami disse que os líderes dos "desordeiros" devem ser punidos sem misericórdia.

Centenas de milhares de iranianos participaram de protestos após a vitória de Ahmadinejad ter sido anunciada no último dia 13 de junho, mas a polícia e milícias religiosas têm sufocado as manifestações desde 20 de junho.

A mídia estatal iraniana diz que 20 pessoas morreram nos confrontos, e centenas foram presas. Mas não se sabe quantas ainda permanecem detidas.

Com Reuters e Associated Press

 

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