Presidente deposto de Honduras chega aos EUA para discursar na ONU
colaboração para a Folha Online
O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, chegou nesta terça-feira a Nova York para discursar na Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas). Ele irá pedir o apoio da comunidade internacional para voltar ao poder.
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| Reuters-29jun.09 |
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| Presidente deposto, Manuel Zelaya (esq.), conversa com colega venezuelano Chavez |
Zelaya irá expor, diante dos 192 países-membros da organização, a situação em que se encontra seu país após o golpe militar que o tirou do cargo de presidente no último domingo (28).
Ele também terá uma reunião com o presidente da Assembleia Geral, o nicaraguense Miguel D'Escoto, que tem intenção de acompanhá-lo na próxima quinta-feira, quando o presidente deposto planeja retornar a Tegucigalpa.
Zelaya aceitou a oferta do secretário da OEA (Organização dos Estados Americanos), José Miguel Insulza, de acompanhá-lo na viagem. A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, também formará parte da comitiva, segundo fontes do governo de Buenos Aires.
Nesta segunda-feira, ele afirmou que voltará ao país como "presidente eleito, para terminar meu mandato de quatro anos".
No entanto, o presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, advertiu que os tribunais "têm uma ordem de captura" pronta caso ele decida retornar ao país.
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Micheletti, que era presidente do Congresso até ser rapidamente empossado para substituir Zelaya, disse que a ordem é consequência dos "crimes" que cometeu por causa de seu "interesse em continuar no governo ou pela atitude prepotente que ele tinha assumido nos últimos meses de governo".
Golpe
Zelaya foi derrubado do poder no último domingo (28) em um golpe orquestrado pela Justiça e o Congresso e executado por um grupo de militares que o expulsaram para a Costa Rica.
O golpe foi realizado horas antes de o país iniciar uma consulta pública sobre um referendo para reformar a Constituição. O presidente deposto queria incluir o referendo sobre a convocação da Assembleia Constituinte --que, segundo críticos, era uma forma de Zelaya instaurar a reeleição presidencial no país-- nas eleições gerais de 29 de novembro. A proposta, contudo, foi rejeitada pelo Congresso.
Os parlamentares afirmaram que a deposição de Zelaya foi aprovada por suas "repetidas violações da Constituição e da lei e desrespeito a ordens e decisões das instituições". O presidente deposto defendeu-se dizendo ser vítima de "um complô de uma elite voraz, uma elite que só quer manter o país isolado, em um nível extremo de pobreza".
Manifestações
| Henry Romero/Reuters |
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| Guarda de segurança passa por uma loja destruída durante protesto em Honduras |
As manifestações a favor e contra o presidente deposto de Honduras continuam nesta terça-feira, mesmo com o reforço da segurança feita pela polícia e pelo Exército.
Após os confrontos registrados na segunda-feira, organizações populares partidárias de Zelaya mantiveram os protestos para exigir seu retorno ao poder, ao mesmo tempo em que entidades defensoras da Constituição convocaram uma marcha pela paz em Tegucigalpa.
Enquanto isso, o sistema educacional está praticamente paralisado porque a maioria dos professores do setor público está em greve para exigir que o presidente deposto volte ao poder.
Outros protestos acontecem em San Pedro Sula, na região norte do país, onde cerca de 500 manifestantes se reuniram no centro da cidade.
Com Efe e Associated Press
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