Mundo
30/06/2009 - 19h42

Lula pede respeito à democracia em Honduras e visita ditador da Líbia

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colaboração da Folha Online

Em visita à Líbia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou mais uma vez com firmeza nesta terça-feira o golpe de Estado em Honduras e afirmou que é "preciso fazer os golpistas verem que a democracia tem que ser respeitada". Enquanto isso, em Nova York, o presidente derrubado no domingo, Manuel Zelaya, disse que não pretende se candidatar à reeleição quando seu mandato terminar, em 27 de janeiro. A possibilidade de que a lei fosse mudada para permitir um segundo mandato foi um dos motivos para o golpe.

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Nenhum país reconheceu o novo governo hondurenho, que tomou posse no domingo, horas depois que o Exército, com apoio do Congresso e da Suprema Corte, depôs Zelaya e o enviou para a Costa Rica. O golpe aconteceu no dia em que o presidente deposto pretendia realizar uma consulta popular sobre uma nova Constituição, que havia sido considerada ilegal pela Justiça.

O presidente brasileiro chegou nesta terça-feira a Trípoli, na Líbia, onde nesta quarta-feira participa de uma cúpula da União Africana (UA), presidida pelo ditador líbio, Muammar Gaddafi. Logo após o desembarque, o presidente brasileiro disse que o embaixador do Brasil em Tegucigalpa foi retirado em protesto contra o golpe. Ainda segundo Lula, todos os projetos de cooperação no país centro-americano serão congelados.

"O que aconteceu em Honduras foi um ato insano. Parte dos políticos hondurenhos perdeu a cabeça. Como é possível derrubar um presidente eleito democraticamente de madrugada e deportá-lo para outro país?", perguntou Lula.

Além de ressaltar que "o mundo todo está contra" o ocorrido em Honduras, o presidente destacou o fato de a Organização dos Estados Americanos (OEA), os Estados Unidos, a ONU (Organização das Nações Unidas) e a União Europeia (UE) terem condenado o golpe.

"Não podemos admitir mais golpes militares em nosso continente. Já passamos muito por isso nos anos 60 e estamos muito longe de tudo isso", afirmou.

Lula disse que o Brasil cumprirá tudo o que a ONU decidir para restabelecer a democracia em Honduras. Declarou ainda que o sistema democrático "deve ser levado até suas últimas consequências".

O presidente brasileiro vai dormir nesta noite em Trípoli e amanhã viaja para Sirte, cidade natal de Gaddafi, para participar da cúpula da UA, na qual discursará como orador convidado. É possível que Gaddafi se encontre nesta terça-feira na capital líbia com Lula.

Proximidade

A participação de Lula na cúpula da UA representa um novo passo no fortalecimento das relações entre o Brasil e o continente africano, que cresceram consideravelmente nos últimos seis anos.

Em 2003, o volume de trocas comerciais entre Brasil e África estava em torno de US$ 5 bilhões, enquanto, no ano passado, chegou a cerca de US$ 26 bilhões.

Lula fez dez viagens a países africanos desde que chegou à Presidência, em janeiro de 2003, e aumentou a presença diplomática brasileira no continente com um total de 34 embaixadas.

O comércio com os países africanos já representa 7% da balança externa brasileira.

Durante sua participação na cúpula, Lula assinará três convênios entre Brasil e UA destinados a reforçar a cooperação para o desenvolvimento.

Um deles ampliará para outros países um projeto brasileiro atualmente em andamento em Mali, Burkina Fasso, Chade e Benin, para melhorar a produtividade agrícola.

Outro dos acordos será sobre o fortalecimento dos pequenos produtores agrícolas e a melhora de seu acesso aos mercados domésticos, regionais e internacionais.

O terceiro se concentrará em cooperação para o desenvolvimento humano e social, assim como na assistência sanitária aos grupos mais vulneráveis, que abrangerá também as áreas de cultura e esporte como ferramentas de inclusão.

Durante a visita ao Brasil em maio do presidente senegalês, Abdoulaye Wade, Lula destacou a herança africana do país latino-americano, que, disse, possui "a maior população negra fora da África".

"A África não aparece só na cor da pele dos brasileiros, mas também nas almas, nos usos e nos costumes de cada um de nós", afirmou.

Lula permanecerá em Sirte até a tarde da quarta-feira, quando viajará de volta ao Brasil.

Com Efe

Comentários dos leitores
George Hamilton (40) 11/12/2009 19h57
George Hamilton (40) 11/12/2009 19h57
celio maia (118) 11/12/2009 18h50
Além do fato que o Lula disse que em Janeiro irá fechar a embaixada de honduras.
O plano deles com o México furou, Honduras disse que o cara só sai se for asilado, eles dizem que não conhecem esta condição de "hospede" nas leis internacionais de diplomacia.
Isto foi invenção do burrito da Sila Porquito Garcia e Ratito Amorim, só que com eles (os Hondurenhos) esta não cola.
sem opinião
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celio maia (118) 11/12/2009 18h50
celio maia (118) 11/12/2009 18h50
Segundo o jornal El Heraldo, um diplomata brasileiro revelou que "o Brasil deu aviso ao presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, que deve abandonar a sede diplomática do país sulamericano, onde está alojado, até o 27 de janeiro."
Esse aviso permite algumas leituras. De logo, percebe-se que a frustrada tentativa de levar Zelaia para o México motivou este aviso prévio de "despejo", indiciando que o governo brasileiro fracassou em mais um subterfúgio contra o governo de facto, e indicando que ele não pretende reconhecer as eleições hondurenhas, obrigando-se a retirar sua representação diplomática antes do 28 de janeiro, quando não poderá ficar mais "hospedando" um prófugo da justiça.
Por outro viés paradoxal, percebe-se que o governo brasileiro não deixa de reconhecer que o próximo governo terá, de fato, condições de exigir legalmente que o Brasil defina o status do deposto presidente.
E para evitar esse dissabor , preferem sair de mansinho o quanto antes...
Zelaia será abandonado à própria sorte, achando talvez que sua ambição política inveterada possa resultar em um futuro galardoador.
sem opinião
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eduardo de souza (529) 11/12/2009 15h09
eduardo de souza (529) 11/12/2009 15h09
Volto a repetir. Honduras ainda esta em conflito, embargos econômicos, falta de apoio e credibilidade perante a grande maioria da comunidade internacional, cometendo erros sem parar. Acreditam que por estarem alinhados com os Eua resolveram seus problemas, quanta ingenuidade. Os Eua só tem aparência, não se mistura teatro com realidade.
Podem ficar nessa "lengalenga" à vontade, quando quiserem tratar de forma madura, negócios e diplomacias, com outros países livres, terão que rever o "falido golpe". Enquanto isso, só para lembrar que golpe não tem mais vez, fica Zelaya hospedado em nossa embaixada tornando-se um mártir de futuros golpes made in USA.
Acostumem-se "direitalhas serviçais", sugar o sangue dos outros por canudinho, acabou.
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