Presidente deposto de Honduras descarta reeleição mas insiste em mudança constitucional
colaboração para a Folha Online
O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, afirmou nesta terça-feira em Nova York que não pretende se candidatar a um segundo mandato quanto seu governo terminar, em janeiro próximo, ao contrário do que alegaram seus adversários. Ele foi deposto pelo Exército no domingo, dia em que pretendia realizar uma consulta popular sobre uma nova Constituição, considerada ilegal pela Justiça. A reeleição é proibida pela Constituição hondurenha --que não permite nem mesmo reformas constitucionais sobre o tema.
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Zelaya, levado pelos militares para a Costa Rica após a deposição, foi aos Estados Unidos nesta terça-feira participar de uma reunião na qual a Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução pedindo a "imediata e incondicional" restituição dele como presidente "legítimo e constitucional" de Honduras. O presidente deposto agradeceu a decisão, discursando na Assembleia: "A resolução que a ONU acaba de aprovar unanimemente expressa a indignação do povo de Honduras e de todo o mundo".
Ele afirmou que seguirá adiante com seu projeto de mudar a Constituição do país, mas disse que qualquer reforma constitucional beneficiaria apenas aos próximos governantes. Adversários do presidente disseram que um dos objetivos da consulta popular sobre a Constituição que ele queria realizar era estender seu tempo no poder.
Zelaya disse ainda que, quando seu mandato acabar, retomará a vida de empresário agrícola que deixou após ser eleito em novembro de 2005.
"Eu volto à vida civil, à vida cidadã, não à política [após o mandato]", afirmou Zelaya na entrevista coletiva que concedeu após discursar na Assembleia Geral.
O presidente, que afirmou anteriormente que pretende retornar a Honduras nesta quinta-feira para reassumir o cargo, disse que será acompanhado na viagem a Tegucigalpa, pelos presidentes da Argentina, Cristina Kichner, e do Equador, Rafael Correa, e também pelo secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, e o pelo atual presidente da Assembleia Geral da ONU, Miguel D'Escoto.
O presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, disse nesta terça-feira os tribunais "têm uma ordem de captura" contra Zelaya, e que o presidente deposto será preso se entrar no país.
Do presidente americano Barack Obama ao venezuelano, Hugo Chávez, a reação internacional à ação dos militares hondurenhos --que tiveram apoio do Congresso e da Suprema Corte-- foi de desaprovação. O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, voltou nesta terça-feira a criticar o golpe, chamando-o de "ato insano".
Com Efe
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