UE suspende negociações por acordo regional, mas mantém embaixadores em Honduras
da Folha Online
A União Europeia (UE) decidiu nesta quarta-feira cancelar a rodada de negociações prevista para a próxima semana com os países centro-americanos para tratar do Acordo de Associação em consequência do golpe que derrubou o presidente eleito, Manuel Zelaya, do governo de Honduras. A maioria dos países do bloco, contudo, decidiu manter seus embaixadores em solo hondurenho para "monitorar a situação".
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A reunião entre a UE e os países centro-americanos, programada para entre os dias 6 e 10 de julho, foi suspensa até que "a situação se esclareça" em Honduras, afirmaram fontes diplomáticas à agência France Presse.
| Edgard Garrido/Reuters |
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| Apoiadores do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, exibem faixas |
Os europeus, reiteraram, esperam retomar o mais rápido possível as negociações. a previsão era de que a Comissão Europeia (órgão executivo da UE), Honduras, Costa Rica, Nicarágua, El Salvador e Guatemala acertassem os últimos detalhes para fechar, até o final do ano, o Acordo de Associação --centrado nos pilares político, comercial e de cooperação e tido como essencial para a região centro-americana.
A UE deve, ainda segundo as fontes, acompanhar de perto os acontecimentos em Honduras, "apoiando totalmente os esforços da OEA (Organização dos Estados Americanos) para solucionar a crise."
O embaixador de Honduras em Bruxelas, Ramon Custodio Espinoza, afirmou não ter recebido, até o momento, notificação oficial sobre a suspensão.
Embaixadores
A maioria dos países do bloco decidiram não seguir a decisão dos países americanos e manter, por enquanto, seus embaixadores em Honduras para "monitorar a situação".
"Os países europeus pediram que [os embaixadores] fiquem para monitorar a situação, exceto a Espanha", disseram fontes diplomáticas depois de uma reunião do Comitê da América Latina do Conselho Europeu.
As fontes explicaram que a UE decidiu manter a pressão sobre o novo governo de Honduras. "Haverá uma nova reunião nesta quinta-feira pra se discutir outras medidas", disseram.
A UE rejeitou, por enquanto, impor sanções a Honduras e deve apenas acompanhar as medidas da OEA.
A medida, contudo, não foi seguida por Espanha e França, que chamaram seus embaixadores em Honduras para consultas sobre a situação.
O ministro de Relações Exteriores francês, Bernard Kouchner, afirmou que a decisão foi adotada em coordenação com "os parceiros europeus da França presentes em Honduras".
Após reiterar sua firme condenação aos eventos dos últimos dias em território hondurenho, o chefe da diplomacia francesa ressaltou na mesma declaração que "o futuro de Honduras e dessa região é indissociável à democracia".
O governo espanhol foi o primeiro a convocar para consultas seu embaixador em Honduras, Ignacio Rupérez.
A medida faz parte dos esforços internacionais que têm como objetivo o "restabelecimento da institucionalidade democrática" em Honduras, segundo o governo espanhol.
A decisão foi tomada um dia depois de o ministro de Relações Exteriores espanhol, Miguel Ángel Moratinos, pedir aos países da UE que se somem à iniciativa e convoquem seus embaixadores em Honduras de forma "urgente".
Golpe
Zelaya foi derrubado do poder em um golpe orquestrado pela Justiça e o Congresso e executado por um grupo de militares que o expulsaram para a Costa Rica.
O golpe foi realizado horas antes de o país iniciar uma consulta pública sobre um referendo para reformar a Constituição. O presidente deposto queria incluir o referendo sobre a convocação da Assembleia Constituinte --que, segundo críticos, era uma forma de Zelaya instaurar a reeleição presidencial no país-- nas eleições gerais de 29 de novembro. A proposta, contudo, foi rejeitada pelo Congresso.
Os parlamentares afirmaram que a deposição de Zelaya foi aprovada por suas "repetidas violações da Constituição e da lei e desrespeito a ordens e decisões das instituições".
O presidente deposto defendeu-se dizendo ser vítima de "um complô de uma elite voraz, uma elite que só quer manter o país isolado, em um nível extremo de pobreza".
Com France Presse
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