Mundo
01/07/2009 - 10h14

UE suspende negociações por acordo regional, mas mantém embaixadores em Honduras

Publicidade

da Folha Online

A União Europeia (UE) decidiu nesta quarta-feira cancelar a rodada de negociações prevista para a próxima semana com os países centro-americanos para tratar do Acordo de Associação em consequência do golpe que derrubou o presidente eleito, Manuel Zelaya, do governo de Honduras. A maioria dos países do bloco, contudo, decidiu manter seus embaixadores em solo hondurenho para "monitorar a situação".

Entenda a crise política em Honduras
Golpe em Honduras repete roteiro do século 20
Sem apoio do partido, Zelaya espera reação popular
Veterano, Micheletti chega à Presidência após golpe

A reunião entre a UE e os países centro-americanos, programada para entre os dias 6 e 10 de julho, foi suspensa até que "a situação se esclareça" em Honduras, afirmaram fontes diplomáticas à agência France Presse.

Edgard Garrido/Reuters
Apoiadores do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, exibem faixas
Apoiadores do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, exibem faixas

Os europeus, reiteraram, esperam retomar o mais rápido possível as negociações. a previsão era de que a Comissão Europeia (órgão executivo da UE), Honduras, Costa Rica, Nicarágua, El Salvador e Guatemala acertassem os últimos detalhes para fechar, até o final do ano, o Acordo de Associação --centrado nos pilares político, comercial e de cooperação e tido como essencial para a região centro-americana.

A UE deve, ainda segundo as fontes, acompanhar de perto os acontecimentos em Honduras, "apoiando totalmente os esforços da OEA (Organização dos Estados Americanos) para solucionar a crise."

O embaixador de Honduras em Bruxelas, Ramon Custodio Espinoza, afirmou não ter recebido, até o momento, notificação oficial sobre a suspensão.

Embaixadores

A maioria dos países do bloco decidiram não seguir a decisão dos países americanos e manter, por enquanto, seus embaixadores em Honduras para "monitorar a situação".

"Os países europeus pediram que [os embaixadores] fiquem para monitorar a situação, exceto a Espanha", disseram fontes diplomáticas depois de uma reunião do Comitê da América Latina do Conselho Europeu.

As fontes explicaram que a UE decidiu manter a pressão sobre o novo governo de Honduras. "Haverá uma nova reunião nesta quinta-feira pra se discutir outras medidas", disseram.

A UE rejeitou, por enquanto, impor sanções a Honduras e deve apenas acompanhar as medidas da OEA.

A medida, contudo, não foi seguida por Espanha e França, que chamaram seus embaixadores em Honduras para consultas sobre a situação.

O ministro de Relações Exteriores francês, Bernard Kouchner, afirmou que a decisão foi adotada em coordenação com "os parceiros europeus da França presentes em Honduras".

Após reiterar sua firme condenação aos eventos dos últimos dias em território hondurenho, o chefe da diplomacia francesa ressaltou na mesma declaração que "o futuro de Honduras e dessa região é indissociável à democracia".

O governo espanhol foi o primeiro a convocar para consultas seu embaixador em Honduras, Ignacio Rupérez.

A medida faz parte dos esforços internacionais que têm como objetivo o "restabelecimento da institucionalidade democrática" em Honduras, segundo o governo espanhol.

A decisão foi tomada um dia depois de o ministro de Relações Exteriores espanhol, Miguel Ángel Moratinos, pedir aos países da UE que se somem à iniciativa e convoquem seus embaixadores em Honduras de forma "urgente".

Golpe

Zelaya foi derrubado do poder em um golpe orquestrado pela Justiça e o Congresso e executado por um grupo de militares que o expulsaram para a Costa Rica.

O golpe foi realizado horas antes de o país iniciar uma consulta pública sobre um referendo para reformar a Constituição. O presidente deposto queria incluir o referendo sobre a convocação da Assembleia Constituinte --que, segundo críticos, era uma forma de Zelaya instaurar a reeleição presidencial no país-- nas eleições gerais de 29 de novembro. A proposta, contudo, foi rejeitada pelo Congresso.

Os parlamentares afirmaram que a deposição de Zelaya foi aprovada por suas "repetidas violações da Constituição e da lei e desrespeito a ordens e decisões das instituições".

O presidente deposto defendeu-se dizendo ser vítima de "um complô de uma elite voraz, uma elite que só quer manter o país isolado, em um nível extremo de pobreza".

Com France Presse

Comentários dos leitores
Zelaya, figurativamente, "morreu e esqueceu de cair". Já devia ter colocado a viola no saco e despedir-se de Honduras. Sua situação já é passado, e só ele, o Lula e seus "aspones" (assessores de porr... nenhuma), não reconhecem. Passado algum tempo, baixado a poeira, constatou-se que ele realmente queria mudar a constituição, para "garfar" mais um mandato. Tipo Lula e o petismo, que tentaram dar o golpe do "joãozinho sem braço", para um terceiro mandato. Lembram-se? Lá em Honduras, diferentemente daqui, é claúsula pétrea da constituição e dá cassação de mandato. Por aqui, apenas o "rabo debaixo das pernas" e nada mais. Vamos às eleições! sem opinião
avalie fechar
alexandre bakunin (111) 25/11/2009 22h19
alexandre bakunin (111) 25/11/2009 22h19
Hummmm, que fim levou o Hugo Chavez, o deles.
Está sumidão...
Teria sido "abduzido" ?
sem opinião
avalie fechar
J. R. (1168) 25/11/2009 20h56
J. R. (1168) 25/11/2009 20h56
"Judiciário e TV de Honduras são alvo de bombas a 4 dias de eleição" - É a campanha do governo para dizer que a pátria está em perigo, fogo em bancas de jornal e bomba no Rio Centro. sem opinião
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (4617)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca