Mundo
01/07/2009 - 13h34

Pentágono suspende atividades militares com Honduras após golpe

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da Folha Online

O Pentágono informou nesta quarta-feira que suspendeu as atividades militares que realiza ao lado de Honduras por causa do golpe que retirou o presidente eleito, Manuel Zelaya, do poder, no final de semana passado. Nos anos 80, Washington utilizou Honduras como base contra a guerrilha na América Central.

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Alex Brandon/AP
Presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, mostra a resolução da OEA
Presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, mostra a resolução da OEA

O porta-voz Bryan Whitman não detalhou quais atividades serão atingidas pela suspensão, mas ressaltou que apenas as operações relacionadas diretamente com Honduras deverão ser atingidas "enquanto estudamos a situação [do golpe]".

O anúncio faz eco às declarações do presidente Barack Obama, que, nesta segunda-feira (29), em entrevista aos meios de comunicação, classificou o golpe como ilegal e disse que ele pode abrir um "grave precedente", caso confirmado. "O presidente Zelaya foi eleito democraticamente. Não havia concluído ainda seu mandato."

Os Estados Unidos não foram os únicos a reforçar as represálias contra Honduras, nesta quarta-feira. A OEA (Organização dos Estados Americanos) deu um ultimato de 72 horas para que Zelaya seja restituído no poder de Honduras, sob pena de expulsar aquele país.

Nesta terça-feira (30), Zelaya disse, em reunião da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), que irá retornar a Honduras nesta quinta-feira (2), quando acaba esse prazo de 72 horas, com o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, e os presidentes do Equador, Rafael Correa, e da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner.

O presidente hondurenho deposto está nesta quarta-feira no Panamá para representar o seu país, como presidente, ao lado de outros colegas da região, na posse do empresário Ricardo Martinelli como novo chefe de Estado daquele país.

Esteban Felix/AP
Presidente interino, Roberto Micheletti, afirma que Zelaya será preso se retornar ao país
Presidente interino, Roberto Micheletti, afirma que Zelaya será preso se retornar ao país

Honduras

O sucessor de Zelaya na Presidência de Honduras, Roberto Micheletti, afirma que ele será preso se insistir em retornar ao poder. O recém-empossado ministro de Relações Exteriores, Enrique Ortez Colindres, afirmou que Zelaya pode retornar ao país, desde que seja como um "cidadão comum", e não como presidente.

Golpe

Zelaya foi derrubado do poder neste domingo (28) em um golpe orquestrado pela Justiça e pelo Congresso e executado por militares, que o expulsaram para a Costa Rica. O golpe foi realizado horas antes do início de uma consulta popular sobre uma reforma na Constituição que tinha sido declarada ilegal pelo Parlamento e pela Corte Suprema.

"Fui retirado da minha casa de forma brutal, sequestrado por soldados encapuzados que me apontavam rifles", contou o presidente deposto, após chegar ao exílio na Nicarágua.

"Diziam: "se não soltar o celular, atiramos'. Todos apontando para minha cara e o meu peito. [...] Em forma muito audaz eu lhes disse: "se vocês vêm com ordem de disparar, disparem, não tenho problema de receber, dos soldados da minha pátria, uma ofensa a mais ao povo, porque o que estão fazendo é ofender o povo'."

De acordo com os parlamentares hondurenhos, a deposição de Zelaya foi aprovada por suas "repetidas violações da Constituição e da lei" e por "seu desrespeito às ordens e decisões das instituições". Segundo os seus críticos, com a consulta, Zelaya pretendia instaurar a reeleição presidencial no país. As próximas eleições gerais serão em 29 de novembro.

Depois da saída de Zelaya do país, no Congresso de Honduras, um funcionário leu uma carta com a suposta renúncia, o que ele nega. Zelaya diz ter sido alvo de "complô da elite voraz"; e seu sucessor, Micheletti, diz que o golpe foi um "processo absolutamente legal".

Com agências internacionais

Comentários dos leitores
George Hamilton (29) 30/11/2009 12h47
George Hamilton (29) 30/11/2009 12h47
Esta imprensa esquerdista do Brasil diz coisas e depois esquece para não pagar mico, cadê a grande abstenção que diziam iria ter as eleições?
O comparecimento dos eleitores foi recorde, 62% já quando o Zé Laia foi eleito a abstenção foi de 45% e ganhou por 7 mil votos com acusações de fraude.
sem opinião
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celio maia (108) 30/11/2009 10h44
celio maia (108) 30/11/2009 10h44
Ainda não terminou o calvário de Zelaia. Prisioneiro na embaixada brasileira, foi atropelado pelo rolo compressor das urnas hondurenhas. Falta apenas marcar a missa de réquiem dele...
Top, top, top para a mau perdedor Marco Aurélio Garcia, que promete não reconhecer as eleições. É bem capaz de Honduras sofrer tanto com essa sanção do presunçoso brasileiro... Oh coitado...
22 opiniões
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Elton Santos (12) 30/11/2009 09h58
Elton Santos (12) 30/11/2009 09h58
Falaram aqui que não fará diferença nenhuma Lula reconhecer o novo governo Hondurenho. Pode ser mesmo que não faça diferença para eles pois o Brasil tem pouca relação com aquele país, mas vai fazer muita para nois que não admitiremos que os tempos de golpe e ditadura voltem com ou sem o apoio irrestrito que os Estados Unidos davam naquela época maldita de torturas e a negação dos direitos civis. Eita povo que não conhece a História do século XX, ou conhece e prefere enganar ou outros com as mesmas mentiras do passado. 35 opiniões
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