Companhia Yemenia pagará 20 mil euros às famílias de vítimas do Airbus
da Folha Online
A companhia iemenita Yemenia Airways anunciou nesta quarta-feira que pagará 20 mil euros (cerca de R$ 55 mil) como indenização às famílias de cada vítima a bordo do avião Airbus A310-300 que caiu nesta segunda-feira no Oceano Índico com 153 pessoas a bordo.
"Vamos pagar num primeiro momento 20 mil euros para cada vítima do acidente", disse o presidente da empresa, Abdel Jaleq Al Qadi, em entrevista à imprensa em Sanaa, capital do Iêmen, sem precisar quando estas somas serão entregues.
Relembre piores acidentes com aviões da Airbus desde 1990
Conheça o trajeto do Airbus da Yemenia que caiu no Índico
Veja galeria de imagens do acidente
A aeronave, com 142 passageiros e 11 tripulantes a bordo, procedente da capital do Iêmen, Sanaa, e com destino às ilhas Comores, caiu no Oceano Índico a 15 km da ilha de Grande Comores à 1h50 (19h50 desta segunda-feira no horário de Brasília) poucos minutos antes do pouso.
O voo partiu de Paris, na França. Os passageiros fizeram então uma escala em Sanaa, onde trocaram de aeronave, de um Airbus 330 para o Airbus 310. O avião seguiu então para as ilhas Comores. O avião decolou pouco depois das 21h30 desta segunda-feira (15h30 no horário de Brasília) e deveria voar durante 4h30 antes de pousar em Moroni, capital comorense.
Não há informações oficiais sobre o que teria derrubado a aeronave, embora a principal hipótese seja o mau tempo --fortes ventos atingiam a região no momento do acidente e atrapalharam as operações de busca.
Até o momento, apenas uma adolescente de 14 anos, identificada como Baya Bakari, sobreviveu ao acidente. A jovem viajava com a mãe e sofreu fratura de clavícula e queimaduras no joelho, informou seu pai que reside perto de Paris.
Justificativa
A Comissão Europeia (órgão executivo da União Europeia) solicitou nesta quarta-feira à companhia aérea Yemenia Airway que compareça amanhã em Bruxelas, na Bélgica, ao comitê europeu de segurança aérea para detalhar o ocorrido, informaram fontes europeias.
O comissário dos Transportes da União Europeia (UE), Antonio Tajani, enviou uma carta à companhia na qual solicita o comparecimento urgente e requer que, em qualquer caso, deem informação sobre os fatos antes do próximo dia 10.
"A falta de envio de informação adequada levará a Comissão a tomar as medidas oportunas", adverte a carta, que também acrescenta que se poderia optar pela proibição das operações da companhia na UE.
O Executivo da UE poderia decidir, em consequência, atualizar sua lista negra de companhias pouco seguras para incluir a Yemenia Airway.
Tajani também oferece à companhia a possibilidade de realizar o encontro em outro momento, caso seja impossível comparecer à reunião de amanhã.
A Comissão não esconde que o objetivo da reunião é avaliar se a companhia aérea cumpre os requisitos necessários de segurança para poder continuar operando em território comunitário.
Neste contexto, pede que a Yemenia envie toda a informação relacionada ao acidente, assim como uma atualização sobre as melhorias adotadas em matéria de manutenção e eliminação dos defeitos detectados no passado.
A Comissão sugere à companhia aérea que ofereça os resultados de qualquer auditoria que tenha avaliado o início dessas melhoras.
Por último, pede que relate sobre qualquer restrição operacional que tenha sido imposta à frota da Yemenia Airways pela Organização Internacional da Aviação Civil (Icao).
Por enquanto, a companhia aérea não confirmou presença nem o recebimento da carta, segundo fontes europeias.
Polêmica
O estado do aparelho da Yemenia, que operava há 19 anos, vem sendo motivo de polêmica.
O A310-300 fora proibido em solo francês desde 2007, depois de apresentar "certos defeitos" em uma inspeção de segurança, informou o ministro francês para os Transportes, Dominique Bussereau.
"É possível transportar em condições normais passageiros a partir do território francês e colocá-los em seguida em um avião que não apresenta todas as garantias de segurança?", perguntou Bussereau ante da Assembleia Nacional (Câmara dos Deputados) em Paris.
Entretanto, o ministro iemenita dos Transportes, Khaled al-Wazir, garantiu que o avião não tinha nenhum problema técnico específico e que a aeronave havia passado por uma revisão em maio deste ano, sob a supervisão da própria Airbus.
A Yemenia estava sob vigilância na União Europeia, mas evitou no ano passado sua inscrição na lista negra das companhias perigosas.
"A companhia Yemenia não cumpre com algumas normas de segurança, e estas falhas foram detectadas pelas autoridades competentes de França, Alemanha e Itália", escreveu a Comissão Europeia em relatório publicado em julho de 2008.
O acidente motivou a União Europeia a propor uma lista negra mundial de companhias aéreas para evitar tragédias como essa, um mês depois da queda do A330 da Air France entre Rio de Janeiro e Paris, com 228 pessoas a bordo.
Com Efe e France Presse
Leia mais notícias sobre acidentes de avião
- "Ela não sentia nada", diz pai da jovem que sobreviveu à queda do Airbus
- Detectado sinal de caixa-preta do Airbus que caiu no Índico, diz França
- Jovem que sobreviveu a queda de avião mora na França, diz agência
- Iêmen confirma resgate de jovem sobrevivente de queda de avião
Veja outras notícias de Mundo
- Campo terá bancada com 13 membros no Congresso argentino
- Golpistas exibem apoio popular na capital de Honduras
- Com fumaça na cabine, Airbus faz pouso de emergência nos EUA
Especial
- Veja o que há em nossos arquivos sobre acidentes aéreos
- Navegue no melhor roteiro de cultura e diversão da internet
livraria

