Mundo
01/07/2009 - 14h22

Companhia Yemenia pagará 20 mil euros às famílias de vítimas do Airbus

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da Folha Online

A companhia iemenita Yemenia Airways anunciou nesta quarta-feira que pagará 20 mil euros (cerca de R$ 55 mil) como indenização às famílias de cada vítima a bordo do avião Airbus A310-300 que caiu nesta segunda-feira no Oceano Índico com 153 pessoas a bordo.

"Vamos pagar num primeiro momento 20 mil euros para cada vítima do acidente", disse o presidente da empresa, Abdel Jaleq Al Qadi, em entrevista à imprensa em Sanaa, capital do Iêmen, sem precisar quando estas somas serão entregues.

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A aeronave, com 142 passageiros e 11 tripulantes a bordo, procedente da capital do Iêmen, Sanaa, e com destino às ilhas Comores, caiu no Oceano Índico a 15 km da ilha de Grande Comores à 1h50 (19h50 desta segunda-feira no horário de Brasília) poucos minutos antes do pouso.

O voo partiu de Paris, na França. Os passageiros fizeram então uma escala em Sanaa, onde trocaram de aeronave, de um Airbus 330 para o Airbus 310. O avião seguiu então para as ilhas Comores. O avião decolou pouco depois das 21h30 desta segunda-feira (15h30 no horário de Brasília) e deveria voar durante 4h30 antes de pousar em Moroni, capital comorense.

Não há informações oficiais sobre o que teria derrubado a aeronave, embora a principal hipótese seja o mau tempo --fortes ventos atingiam a região no momento do acidente e atrapalharam as operações de busca.

Até o momento, apenas uma adolescente de 14 anos, identificada como Baya Bakari, sobreviveu ao acidente. A jovem viajava com a mãe e sofreu fratura de clavícula e queimaduras no joelho, informou seu pai que reside perto de Paris.

Justificativa

A Comissão Europeia (órgão executivo da União Europeia) solicitou nesta quarta-feira à companhia aérea Yemenia Airway que compareça amanhã em Bruxelas, na Bélgica, ao comitê europeu de segurança aérea para detalhar o ocorrido, informaram fontes europeias.

O comissário dos Transportes da União Europeia (UE), Antonio Tajani, enviou uma carta à companhia na qual solicita o comparecimento urgente e requer que, em qualquer caso, deem informação sobre os fatos antes do próximo dia 10.

"A falta de envio de informação adequada levará a Comissão a tomar as medidas oportunas", adverte a carta, que também acrescenta que se poderia optar pela proibição das operações da companhia na UE.

O Executivo da UE poderia decidir, em consequência, atualizar sua lista negra de companhias pouco seguras para incluir a Yemenia Airway.

Tajani também oferece à companhia a possibilidade de realizar o encontro em outro momento, caso seja impossível comparecer à reunião de amanhã.

A Comissão não esconde que o objetivo da reunião é avaliar se a companhia aérea cumpre os requisitos necessários de segurança para poder continuar operando em território comunitário.

Neste contexto, pede que a Yemenia envie toda a informação relacionada ao acidente, assim como uma atualização sobre as melhorias adotadas em matéria de manutenção e eliminação dos defeitos detectados no passado.

A Comissão sugere à companhia aérea que ofereça os resultados de qualquer auditoria que tenha avaliado o início dessas melhoras.

Por último, pede que relate sobre qualquer restrição operacional que tenha sido imposta à frota da Yemenia Airways pela Organização Internacional da Aviação Civil (Icao).

Por enquanto, a companhia aérea não confirmou presença nem o recebimento da carta, segundo fontes europeias.

Polêmica

O estado do aparelho da Yemenia, que operava há 19 anos, vem sendo motivo de polêmica.

O A310-300 fora proibido em solo francês desde 2007, depois de apresentar "certos defeitos" em uma inspeção de segurança, informou o ministro francês para os Transportes, Dominique Bussereau.

"É possível transportar em condições normais passageiros a partir do território francês e colocá-los em seguida em um avião que não apresenta todas as garantias de segurança?", perguntou Bussereau ante da Assembleia Nacional (Câmara dos Deputados) em Paris.

Entretanto, o ministro iemenita dos Transportes, Khaled al-Wazir, garantiu que o avião não tinha nenhum problema técnico específico e que a aeronave havia passado por uma revisão em maio deste ano, sob a supervisão da própria Airbus.

A Yemenia estava sob vigilância na União Europeia, mas evitou no ano passado sua inscrição na lista negra das companhias perigosas.

"A companhia Yemenia não cumpre com algumas normas de segurança, e estas falhas foram detectadas pelas autoridades competentes de França, Alemanha e Itália", escreveu a Comissão Europeia em relatório publicado em julho de 2008.

O acidente motivou a União Europeia a propor uma lista negra mundial de companhias aéreas para evitar tragédias como essa, um mês depois da queda do A330 da Air France entre Rio de Janeiro e Paris, com 228 pessoas a bordo.

Com Efe e France Presse

 

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