Reeleição no Irã não tem legitimidade, diz candidato derrotado
colaboração para a Folha Online
O principal candidato derrotado na eleição presidencial de 12 de junho no Irã, Mir Hossein Mousavi, afirmou nesta quarta-feira que não reconhece a legitimidade da reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, e que seu governo terá de enfrentar uma longa lista de erros.
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Em um documento divulgado na internet, o ex-primeiro-ministro pede aos iranianos que não percam a esperança, e anuncia a formação de uma plataforma para continuar os protestos dentro da legalidade.
| Abedin Taherkenareh -14.mar.09/Efe |
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| Mir Hossein Mousavi, candidato derrotado em eleição presidencial de 12 de junho no Irã |
"Como se esperava, o Conselho de Guardiães ratificou os resultados e fechou os olhos sobre os numerosos casos de fraude", afirmou.
"A partir de agora, vamos ter um governo que, do ponto de vista das relações com o povo, estará nas piores condições e a maioria, entre a qual me encontro, não reconhece sua legitimidade política", diz o texto.
Mousavi criticou o regime por ter enfraquecido seus pilares e danificado a confiança dos iranianos, com um procedimento "semelhante a um golpe de Estado".
"A festa que representou a reanimação de nosso povo foi fechada com fraude, ataques a residências universitárias, com o sangue derramado e o insulto aos jovens agredidos pelas ruas [durante os protestos contra o resultado]", diz o texto.
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Em sua carta, o líder da oposição pede a seus eleitores que não percam a esperança e garante que continuará lutando.
"O que nos manteve vivos como um povo milenar sempre foi a esperança, e isso é justamente o que querem nos tirar. Por isso, digo, especialmente aos jovens, que, se quiserem continuar sendo iranianos, devem manter aceso este fogo em seus corações", afirmou.
Confirmação
Na última segunda-feira (29), o Conselho de Guardiães, máxima instância constitucional do Irã e responsável pela fiscalização da eleição, confirmou os resultados da eleição que deram a vitória ao presidente Mahmoud Ahmadinejad.
O anúncio foi feito após uma recontagem de aproximadamente 10% dos votos que não mostrou irregularidades, segundo a imprensa local.
Mousavi já havia rejeitado a oferta do Conselho de uma recontagem parcial, dizendo que o pleito foi fraudado e deveria ser anulado.
O resultado oficial da eleição, divulgado no último dia 13 de junho, deu início aos maiores protestos de rua em Irã desde a Revolução Islâmica de 1979.
Mousavi e os outros dois candidatos derrotados na eleição presidencial --Mehdi Karubi e Mohsen Rezai-- submeteram um total de 646 queixas contra o resultado do pleito.
Mas o Conselho de Guardiães disse que a maioria delas não foi considerada irregularidade de eleição. Muitas foram descartadas após a realização de "estudos precisos e profundos" sobre o processo eleitoral.
Com Efe e France Presse
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