Mundo
01/07/2009 - 16h32

Reeleição no Irã não tem legitimidade, diz candidato derrotado

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colaboração para a Folha Online

O principal candidato derrotado na eleição presidencial de 12 de junho no Irã, Mir Hossein Mousavi, afirmou nesta quarta-feira que não reconhece a legitimidade da reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, e que seu governo terá de enfrentar uma longa lista de erros.

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Em um documento divulgado na internet, o ex-primeiro-ministro pede aos iranianos que não percam a esperança, e anuncia a formação de uma plataforma para continuar os protestos dentro da legalidade.

Abedin Taherkenareh -14.mar.09/Efe
Mir Hossein Mousavi, candidato derrotado em eleição presidencial de 12 de junho no Irã
Mir Hossein Mousavi, candidato derrotado em eleição presidencial de 12 de junho no Irã

"Como se esperava, o Conselho de Guardiães ratificou os resultados e fechou os olhos sobre os numerosos casos de fraude", afirmou.

"A partir de agora, vamos ter um governo que, do ponto de vista das relações com o povo, estará nas piores condições e a maioria, entre a qual me encontro, não reconhece sua legitimidade política", diz o texto.

Mousavi criticou o regime por ter enfraquecido seus pilares e danificado a confiança dos iranianos, com um procedimento "semelhante a um golpe de Estado".

"A festa que representou a reanimação de nosso povo foi fechada com fraude, ataques a residências universitárias, com o sangue derramado e o insulto aos jovens agredidos pelas ruas [durante os protestos contra o resultado]", diz o texto.

Conheça os indícios da suposta fraude na eleição

Em sua carta, o líder da oposição pede a seus eleitores que não percam a esperança e garante que continuará lutando.

"O que nos manteve vivos como um povo milenar sempre foi a esperança, e isso é justamente o que querem nos tirar. Por isso, digo, especialmente aos jovens, que, se quiserem continuar sendo iranianos, devem manter aceso este fogo em seus corações", afirmou.

Confirmação

Na última segunda-feira (29), o Conselho de Guardiães, máxima instância constitucional do Irã e responsável pela fiscalização da eleição, confirmou os resultados da eleição que deram a vitória ao presidente Mahmoud Ahmadinejad.

O anúncio foi feito após uma recontagem de aproximadamente 10% dos votos que não mostrou irregularidades, segundo a imprensa local.

Mousavi já havia rejeitado a oferta do Conselho de uma recontagem parcial, dizendo que o pleito foi fraudado e deveria ser anulado.

O resultado oficial da eleição, divulgado no último dia 13 de junho, deu início aos maiores protestos de rua em Irã desde a Revolução Islâmica de 1979.

Mousavi e os outros dois candidatos derrotados na eleição presidencial --Mehdi Karubi e Mohsen Rezai-- submeteram um total de 646 queixas contra o resultado do pleito.

Mas o Conselho de Guardiães disse que a maioria delas não foi considerada irregularidade de eleição. Muitas foram descartadas após a realização de "estudos precisos e profundos" sobre o processo eleitoral.

Com Efe e France Presse

 

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