Madri, Paris e Roma chamam embaixadores em Honduras; UE cancela encontro
colaboração para a Folha Online
Espanha, Itália e França convocaram nesta quarta-feira para consultas seus embaixadores em Honduras após o golpe de Estado de domingo que derrubou o presidente Manuel Zelaya, enquanto os demais países da União Europeia (UE) concordaram em não manter contato direto com o novo governo, que assumiu o poder com apoio da Suprema Corte, do Congresso e das Forças Armadas, mas não foi reconhecido por nenhum país.
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Além disso, a UE decidiu nesta quarta-feira cancelar a rodada de negociações prevista para a próxima semana com os países centro-americanos para tratar do Acordo de Associação. A maioria dos países do bloco decidiu manter seus embaixadores em solo hondurenho para "monitorar a situação".
A reunião entre a UE e os países centro-americanos, programada para entre os dias 6 e 10 de julho, foi suspensa até que "a situação se esclareça" em Honduras, afirmaram fontes diplomáticas.
O ministério espanhol de Relações Exteriores anunciou sua decisão de chamar para consultas seu representante diplomático em Tegucigalpa com "a esperança de que isso contribua, na esteira dos esforços internacionais em curso, para o restabelecimento da institucionalidade democrática".
Pouco depois, foi a vez de Paris seguir pelo mesmo caminho: "a França condena firmemente a derrubada da ordem constitucional em Honduras e eu decidi convocar para consulta nosso embaixador", declarou o chanceler Bernard Kouchner.
O ministro das Relações Exteriores italiano, Franco Frattini, decidiu, "de acordo com todos países da União Europeia", chamar para consultas o embaixador Giuseppe Magno, indicou um comunicado da chancelaria.
O chanceler espanhol, Miguel Angel Moratinos, propôs na terça-feira que os países da UE chamassem para consultas seus representantes, para mostrar seu repúdio ao golpe de Estado que derrubou o presidente Manuel Zelaya.
| Henry Romero/Reuters | ||
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| Soldados hondurenhos fazem guarda perto do palácio presidencial em Tegucigalpa; governo interino do país, que assumoiu no domingo após a deposição do presidente Manuel Zelaya, não foi reconhecido internacionalmente |
Em Bruxelas, no entanto, "os países europeus pediram que (os embaixadores) permaneçam para monitorar a situação", explicaram à AFP fontes diplomáticas após uma reunião do Comitê de América Latina do Conselho Europeu que abordou a questão.
Além de Espanha, França e Itália, poucos países europeus mantêm embaixadas em Tegucigalpa.
Os países da UE, porém, decidiram "manter a pressão" sobre o presidente designado, Roberto Micheletti, optando por não manter contato direto com o novo governo.
Na América do Sul, a Colômbia também anunciou nesta quarta-feira a convocação de sua embaixadora em Honduras, Sonia Pereira, exigindo a restituição imediata do poder ao presidente deposto.
"A embaixadora da Colômbia em Honduras foi chamada para consultas", indicou um comunicado do ministério das Relações Exteriores.
Enquanto isso, a organização internacional de defesa da imprensa Repórteres Sem Fronteiras (RSF) manifestou nesta quarta-feira em Paris sua preocupação com a situação dos meios de comunicação em Honduras, seja qual for o desenlace do golpe de Estado que derrubou Zelaya.
"Com a hostilidade dos golpistas e o anunciado regresso a Honduras do presidente Manuel Zelaya, a RSF teme que se agrave a situação da imprensa, depois do golpe de Estado de 28 de junho de 2009", indicou a organização.
"A ampla censura imposta pelos militares à imprensa internacional e aos meios nacionais contrários ao golpe se soma à escalada de veículos favoráveis ao mesmo", acrescentou.
A RSF diz temer novas censuras contra uma parte da imprensa pelo simples fato de ter utilizado o termo "golpe de Estado".
Golpe
Zelaya foi derrubado do poder neste domingo (28) em um golpe orquestrado pela Justiça e pelo Congresso e executado por militares, que o expulsaram para a Costa Rica. O golpe foi realizado horas antes do início de uma consulta popular sobre uma reforma na Constituição que tinha sido declarada ilegal pelo Parlamento e pela Corte Suprema.
"Fui retirado da minha casa de forma brutal, sequestrado por soldados encapuzados que me apontavam rifles", contou o presidente deposto, após chegar ao exílio na Nicarágua.
"Diziam: "se não soltar o celular, atiramos'. Todos apontando para minha cara e o meu peito. [...] Em forma muito audaz eu lhes disse: "se vocês vêm com ordem de disparar, disparem, não tenho problema de receber, dos soldados da minha pátria, uma ofensa a mais ao povo, porque o que estão fazendo é ofender o povo'."
De acordo com os parlamentares hondurenhos, a deposição de Zelaya foi aprovada por suas "repetidas violações da Constituição e da lei" e por "seu desrespeito às ordens e decisões das instituições". Segundo os seus críticos, com a consulta, Zelaya pretendia instaurar a reeleição presidencial no país. As próximas eleições gerais serão em 29 de novembro.
Depois da saída de Zelaya do país, no Congresso de Honduras, um funcionário leu uma carta com a suposta renúncia, o que ele nega. Zelaya diz ter sido alvo de "complô da elite voraz"; e seu sucessor, Micheletti, diz que o golpe foi um "processo absolutamente legal".
Com France Presse e Efe
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