Presidente interino de Honduras culpa Chávez pela crise política no país
colaboração para a Folha Online
O novo presidente de Honduras, Roberto Micheletti, acusou nesta quarta-feira o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, de ser o responsável pela crise no país. Micheletti assumiu o cargo interinamente no domingo, depois que o presidente, Manuel Zelaya, foi deposto pelo Exército, com apoio da Justiça e do Congresso. O golpe foi rejeitado internacionalmente.
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"A intervenção do governo de Chávez é clara e definida nesta situação que Honduras está vivendo", disse Micheletti, em entrevista coletiva.
Aliado de Zelaya, Chávez reuniu-se na segunda-feira com o presidente deposto na inauguração da cúpula extraordinária da Alba (Aliança Bolivariana para as Américas), juntamente com o presidente do Equador, Rafael Correa, da Nicarágua, Daniel Ortega e pelo chanceler de Cuba, Bruno Rodríguez. O presidente venezuelano ameaçou usar tropas contra Honduras no domingo quando houve notícias, depois desmentidas, de que diplomatas da Venezuela tinham sido presos após o golpe.
Para o presidente interino, cujo governo não foi reconhecido por nenhum país, "o mundo inteiro" gradualmente reconhecerá que as autoridades tinham que tomar a decisão de destituir Zelaya, que pretendia reformar a Constituição de Honduras, através de um referendo popular, apesar de sua proibição legal.
"Temos a fortaleza e a fé em Deus que, pouco a pouco, alcançaremos o objetivo de que o mundo inteiro reconheça que tínhamos que tomar esta decisão pela legalidade, pela lei, pela Constituição da República", disse.
Micheletti afirmou que, se Zelaya retornar ao país com a intenção de voltar ao poder, ele deve apresentar-se antes aos tribunais de justiça pelos crimes que cometeu.
E ainda enfatizou que se Zelaya fosse declarado "inocente", teria que conversar com ele "para resolver o problema".
Zelaya, que chegou nesta quarta-feira ao Panamá, disse que regressará neste final de semana a Honduras, após o fim do prazo de 72 horas dado pela Organização dos Estados Americanos (OEA) para sua restituição. Anteriormente, ele tinha dito que retornaria a Honduras nesta quinta-feira.
Isolamento
Micheletti perguntou o motivo pelo qual a OEA (Organização dos Estados Americanos) e outros organismos "não se deram conta do que estava acontecendo em Honduras", e associou Zelaya, sem citá-lo, com o narcotráfico na Venezuela, de onde o país recebe cargas de cocaína frequentemente.
Sobre a saída de Zelaya, disse "ele não tem nada a ver com isso", que "ninguém foi ferido, nem se derramou sangue".
Também afirmou que "desconhece qual autoridade decidiu" que Zelaya fosse enviado para a Costa Rica, após de ter sido detido pelos militares.
Micheletti disse que seria lamentável se a comunidade internacional isolasse Honduras, em resposta à deposição de Zelaya, e se seus embaixadores saíssem do país, "pois não temos alternativas, vai doer muito, porque fomos amigos durante muitos anos".
Alguns países da Europa, segundo Micheletti, "sabiam que íamos atingir uma situação grave para o povo hondurenho".
Micheletti disse ainda que acreditava que o presidente deposto ia instalar uma Assembleia Nacional Constituinte, que anulariam as eleições gerais do dia 29 de novembro.
O novo chanceler hondurenho, Enrique Ortez, também rejeitou qualquer ingerência externa na política do país.
"Não queremos intervenções [internacionais] nem queremos que uma pessoa que foi devidamente removida regresse ao cargo de presidente", disse Ortez.
Golpe
Zelaya foi derrubado do poder neste domingo (28) em um golpe orquestrado pela Justiça e pelo Congresso e executado por militares, que o expulsaram para a Costa Rica. O golpe foi realizado horas antes do início de uma consulta popular sobre uma reforma na Constituição que tinha sido declarada ilegal pelo Parlamento e pela Corte Suprema.
"Fui retirado da minha casa de forma brutal, sequestrado por soldados encapuzados que me apontavam rifles", contou o presidente deposto, após chegar ao exílio na Nicarágua.
"Diziam: "se não soltar o celular, atiramos'. Todos apontando para minha cara e o meu peito. [...] Em forma muito audaz eu lhes disse: "se vocês vêm com ordem de disparar, disparem, não tenho problema de receber, dos soldados da minha pátria, uma ofensa a mais ao povo, porque o que estão fazendo é ofender o povo'."
De acordo com os parlamentares hondurenhos, a deposição de Zelaya foi aprovada por suas "repetidas violações da Constituição e da lei" e por "seu desrespeito às ordens e decisões das instituições". Segundo os seus críticos, com a consulta, Zelaya pretendia instaurar a reeleição presidencial no país. As próximas eleições gerais serão em 29 de novembro.
Depois da saída de Zelaya do país, no Congresso de Honduras, um funcionário leu uma carta com a suposta renúncia, o que ele nega. Zelaya diz ter sido alvo de "complô da elite voraz"; e seu sucessor, Micheletti, diz que o golpe foi um "processo absolutamente legal".
Com Efe
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