Mundo
02/07/2009 - 07h32

Governo interino de Honduras desafia pressão e diz que não há nada a negociar

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da Folha Online

O presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, desafiou às crescentes pressões da comunidade internacional para o retorno do presidente deposto Manuel Zelaya e afirmou que "não há nada a negociar". Micheletti ampliou ainda as restrições impostas durante o toque de recolher válido por 72 horas.

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O presidente Manuel Zelaya foi deposto no domingo passado pelos militares, após enfrentar a Justiça e o Congresso para realizar um referendo sobre a reforma da Constituição --o que, segundo críticos, visava garantir a reeleição no país.

"Nada temos a negociar. As coisas estão se encaminhando", afirmou Micheletti à agência de notícias internacionais France Presse sobre um possível diálogo com a OEA (Organização dos Estados Americanos) e a comunidade internacional, que condenaram a saída de Zelaya e exigiram seu retorno imediato à Presidência.

Micheletti afirmou ainda que Zelaya "nunca vai retornar ao poder".

"Se a comunidade internacional considera que cometemos algum erro, algum crime, que nos condene e pronto. Aqui é a autodeterminação do povo", disse Micheletti, que considera que 80% dos hondurenhos concordam com a saída de Zelaya.

"Vamos resolver nossos problemas como pudermos, mas este governo terá apenas seis meses. Quando elegermos nossas novas autoridades, eles [a comunidade internacional] terão a liberdade de abrir espaço para os novos governantes".

Micheletti afirmou ainda que no dia 29 de novembro haverá novas eleições gerais, como está previsto no calendário eleitoral, e que em 27 de janeiro entregará o poder ao novo presidente eleito.

Restrição

O Congresso de Honduras aprovou nesta quarta-feira a restrição "parcial" das garantias constitucionais, por 72 horas, acatando proposta do governo.

"A restrição autoriza a prisão de suspeitos por mais de 24 horas e suspende garantias como a liberdade de associação e de reunião, e o direito de livre circulação", revelou a deputada Doris Gutiérrez, do partido Unificação Democrática (esquerda).

Marcia Villeda, do Partido Liberal, destacou que a iniciativa apresentada pelo presidente interino "é basicamente uma restrição parcial, que estará vigente com o toque de recolher".

O gesto é visto por muitos como uma tentativa de conter os protestos favoráveis a Zelaya e ajudar a propagar a ideia de que o povo apoia o golpe de Estado no país.

Pressão

Todos os países da União Europeia (UE) com representação diplomática em Tegucigalpa convocaram para consultas os embaixadores em Honduras, anunciou o chanceler espanhol Miguel Angel Moratinos.

"Esta decisão é um sinal claro da posição europeia, da comunidade internacional, e as autoridades provisórias terão que refletir", afirmou.

Nesta quarta-feira, o governo dos Estados Unidos suspendeu as atividades militares com as Forças Armadas de Honduras --embora tenha deixado para a próxima semana o anúncio de um eventual congelamento da ajuda a este país, o que significaria admitir que o governo não é legítimo.

Os principais organismos financeiros internacionais, como o Banco Mundial, também decidiram congelar os empréstimos ao país em consequência da destituição de Zelaya.

Golpe

Zelaya foi derrubado do poder neste domingo (28) em um golpe orquestrado pela Justiça e pelo Congresso e executado por militares, que o expulsaram para a Costa Rica. O golpe foi realizado horas antes do início de uma consulta popular sobre uma reforma na Constituição que tinha sido declarada ilegal pelo Parlamento e pela Corte Suprema.

"Fui retirado da minha casa de forma brutal, sequestrado por soldados encapuzados que me apontavam rifles", contou o presidente deposto, após chegar ao exílio na Nicarágua.

"Diziam: "se não soltar o celular, atiramos'. Todos apontando para minha cara e o meu peito. [...] Em forma muito audaz eu lhes disse: "se vocês vêm com ordem de disparar, disparem, não tenho problema de receber, dos soldados da minha pátria, uma ofensa a mais ao povo, porque o que estão fazendo é ofender o povo'."

De acordo com os parlamentares hondurenhos, a deposição de Zelaya foi aprovada por suas "repetidas violações da Constituição e da lei" e por "seu desrespeito às ordens e decisões das instituições". Segundo os seus críticos, com a consulta, Zelaya pretendia instaurar a reeleição presidencial no país. As próximas eleições gerais serão em 29 de novembro.

Depois da saída de Zelaya do país, no Congresso de Honduras, um funcionário leu uma carta com a suposta renúncia, o que ele nega. Zelaya diz ter sido alvo de "complô da elite voraz"; e seu sucessor, Micheletti, diz que o golpe foi um "processo absolutamente legal".

Comentários dos leitores
Sr Juca Bala (77)
Li o seu belo comentário...pena que infeliz, mas tudo bem...o que posso esperar das pessoas que consomem feito marionete o PUM do PIG...explicando (Pensamento Único da Mídia do Partido de Imprensa Golpista)
sem opinião
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George Hamilton (23) 09/11/2009 19h41
George Hamilton (23) 09/11/2009 19h41
Fabrizio Wrolli (152) 08/11/2009 13h47
Fabrizio Wrolli (152) 08/11/2009 13h47

Sr. GEORGE HAMILTON, se não acredita no fato que a filha de Micheletti foi expulsa dos EEUU é só entrar em Google e procurar "filha de Micheletti". Se não quiser, tanto faz. O pior cego...
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Pior cego é aquele que se guia pela cartilha do partido, em vez de acreditar em rumores espalhado pelo comunistinhas/zelaiaistas eu preferi consultar fontes mais informadas e verdadeiras como declaração em vídeo do embaixador dos EE.UU. em Honduras que desmentiu o fato.
Os EE.UU. parou de dar vistos antes no começo, agora já restabelecidos, alguns funcionarios com visto oficial do Governo de Honduras tiveram seus vistos oficiais cancelados mas nem eles foram expulsos dos EE.UU.
Vale a pena primeiro (se é que quer mesmo saber a verdade) consultar sempre outras fontes.
Há sim este vídeo do embaixador americano com ele falando em espanhol até, ficou vario dias disponível no periódico de Honduras elHeraldo.
2 opiniões
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marcos cesar fernandes (192) 09/11/2009 07h26
marcos cesar fernandes (192) 09/11/2009 07h26
Sr. Oliver Oak.
Desejo um bom dia ao Sr. e uma ótima semana de trabalho e gostaria de parabenizá-lo pela resposta à minha provocação que merece nosso reconhecimento.
Apesar de eu ver as coisas diferentemente do Sr. tenho que reconhecer a sua incesante persistência na defesa de seus pontos de vista, como esses ora defendidos e que são extremamente danosos a nosso país.
Só para refletir: Não estariam estes produtores brasileiros na Bolívia exatamente por culpa da péssima política agrária do INCRA, quando ao invés de priorizar os verdadeiros agricultores, fica apoiando grupelhos de arruaceiros e os perpetuando como parasitas através de bolsas disso e daquilo para poder usá-los nas campanhas políticas? Não seria isso uma "mais valia" política?
Visite qualquer assentamento aqui no Triângulo Mineiro e veja com seus próprios olhos a verdade.
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