Mundo
02/07/2009 - 10h12

UE aumenta pressão e retira todos os embaixadores de Honduras

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da Folha Online

O ministro de Relações Exteriores da Suécia, Carl Bildt, confirmou nesta quinta-feira que todos os países da União Europeia (UE) decidiram retirar seus embaixadores de Honduras em um gesto de protesto pelo golpe que depôs o presidente eleito, Manuel Zelaya, no domingo passado (28).

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Bildt, cujo país assumiu a Presidência da UE nesta quarta-feira, escreveu em seu blog nesta quinta-feira que "todos os embaixadores da UE deixaram agora o país."

Geovanni Hernández/Efe
Presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, quer retornar
Presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, quer retornar

Ele escreveu ainda que há certa incerteza ainda sobre os eventos em Honduras depois do golpe, arquitetado pela Justiça e pelo Congresso, e que a UE debate a melhor forma de impulsionar "um rápido retorno do governo constitucional."

Nesta quarta-feira, o ministro de Relações Exteriores da Espanha, Miguel Angel Moratinos, afirmou a Radio Nacional da Espanha que as embaixadas dos 27 países do bloco haviam decidido retirar seus embaixadores do país centro americano.

"Eu acabei de falar com meus colegas europeus e eu posso dizer que neste momento rodas as embaixadas europeias em Tegucigalpa decidiram retirar seus embaixadores", disse Moratinos.

Segundo o ministro espanhol a decisão significa que Alemanha, Itália, França, Espanha e a Comissão Europeia manterão relações diplomáticas de baixo nível com o país.

"Eu acho que este é um sinal claro da posição da Europa e da comunidade internacional, e as autoridades de Honduras precisam refletir", disse.

A Espanha tem pressionado os países do bloco europeu a retirar seus embaixadores e adotar uma posição mais rígida contra o governo interino de HOnduras desde a realização do golpe.

Moratinos pediu ainda pelo "retorno da ordem democrática" com uma "pré-condição de que o presidente legítimo, o presidente constitucional, Zelaya, possa retornar e continuar a ser presidente."

A Espanha e França anunciaram nesta quarta-feira que haviam convocado seus embaixadores para consultas sobre o golpe.

A UE, assim como a ONU (Organização das Nações Unidas), a OEA (Organização dos Estados Americanos) e os Estados Unidos, condenaram o golpe de Estado em Honduras e exigem o retorno imediato de Zelaya ao poder.

Resistência

Henry Romero-1jul.09/Reuters
Apoiadores do presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, fazem protesto
Apoiadores do presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, fazem protesto

O presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, desafia às crescentes pressões da comunidade internacional para o retorno do presidente deposto e afirmou que "não há nada a negociar". Micheletti ampliou ainda as restrições impostas durante o toque de recolher válido por 72 horas.

O presidente Manuel Zelaya foi deposto no domingo passado pelos militares, após enfrentar a Justiça e o Congresso para realizar um referendo sobre a reforma da Constituição --o que, segundo críticos, visava garantir a reeleição no país.

"Nada temos a negociar. As coisas estão se encaminhando", afirmou Micheletti à agência de notícias internacionais France Presse sobre um possível diálogo com a OEA e a comunidade internacional.

Micheletti afirmou ainda que Zelaya "nunca vai retornar ao poder".

"Se a comunidade internacional considera que cometemos algum erro, algum crime, que nos condene e pronto. Aqui é a autodeterminação do povo", disse Micheletti, que considera que 80% dos hondurenhos concordam com a saída de Zelaya.

"Vamos resolver nossos problemas como pudermos, mas este governo terá apenas seis meses. Quando elegermos nossas novas autoridades, eles [a comunidade internacional] terão a liberdade de abrir espaço para os novos governantes".

Micheletti afirmou ainda que no dia 29 de novembro haverá novas eleições gerais, como está previsto no calendário eleitoral, e que em 27 de janeiro entregará o poder ao novo presidente eleito.

Golpe

Zelaya foi derrubado do poder neste domingo (28) em um golpe orquestrado pela Justiça e pelo Congresso e executado por militares, que o expulsaram para a Costa Rica. O golpe foi realizado horas antes do início de uma consulta popular sobre uma reforma na Constituição que tinha sido declarada ilegal pelo Parlamento e pela Corte Suprema.

"Fui retirado da minha casa de forma brutal, sequestrado por soldados encapuzados que me apontavam rifles", contou o presidente deposto, após chegar ao exílio na Nicarágua.

"Diziam: "se não soltar o celular, atiramos'. Todos apontando para minha cara e o meu peito. [...] Em forma muito audaz eu lhes disse: "se vocês vêm com ordem de disparar, disparem, não tenho problema de receber, dos soldados da minha pátria, uma ofensa a mais ao povo, porque o que estão fazendo é ofender o povo'."

De acordo com os parlamentares hondurenhos, a deposição de Zelaya foi aprovada por suas "repetidas violações da Constituição e da lei" e por "seu desrespeito às ordens e decisões das instituições". Segundo os seus críticos, com a consulta, Zelaya pretendia instaurar a reeleição presidencial no país. As próximas eleições gerais serão em 29 de novembro.

Depois da saída de Zelaya do país, no Congresso de Honduras, um funcionário leu uma carta com a suposta renúncia, o que ele nega. Zelaya diz ter sido alvo de "complô da elite voraz"; e seu sucessor, Micheletti, diz que o golpe foi um "processo absolutamente legal".

Com Efe, France Presse e Associated Press

Comentários dos leitores
Eduardo Carvalho (20) 28/11/2009 08h06
Eduardo Carvalho (20) 28/11/2009 08h06
E para finalizar: Não irei concordar jamais com reeleição eterna de um mesmo governante. O cidadão que é competente tem de chegar ao planalto e no tempo que estiver lá, no mínimo tentar fazer o melhor no tempo que possuir, seja em quatro ou oito anos. Ter poder é complicado demais, pq o poder é dificil de administrar, ele corrompe de forma cruel muitas pessoas e como exemplo temos muitos governantes espalhados pelo mundo, que sentam na cadeira de presidente e fazem o que querem com a imprensa, com as pessoas, com opositores. O pessoal daqui do bonde da "esquerda" vive defendendo democracia, mas ng defende aqui a liberdade de oposição, que é fator determinante na democracia: existir uma oposição que vive por fiscalizar as ações do governo, contestando ações que podem ser prejudiciais ao país ou maracutaias que vivem acontecendo na política. Então, nos países amados pelos "esquerdistas" a repressão come solta, intelectuais são presos por questionar o "governo", a imprensa é restrita aos "puxas" de plantão e este direito maravilhoso que exercemos aqui, de dar nossa opinião, é claramente censurado por aqueles que justament deveriam ouvir a população ou ops, desculpem, esqueçi que os ricos pecadores ou qualquer um que ganhe um pouquinho mais não são parte da população, são ETS que vieram para a terra apenas para oprimir... sem opinião
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Eduardo Carvalho (20) 28/11/2009 07h54
Eduardo Carvalho (20) 28/11/2009 07h54
Ainda comentando as opiniões que vejo por aqui: então gente, segundo alguns, Lula é "O CARA", o salvador da pátria, o cidadão que salvou o país e que sempre acerta, nunca erra e que vive cheio de colegas que nunca se envolvem em escândalos. É o cara que pode tudo, que se acertar, é pq é competente e se errar, errou pq tentou acertar, então é perdoável, ou seja, é o Herói! Então fica impossível tentar ter diálogo com gente assim, que é fanático, que venera incondicionalmente sem observar erros nas atitudes dos outros ou puro aproveitamento de situação ou vantagem por trás de programas sociais eleitoreiros que nada resolvem nossos problemas. Conheço muita gente que vive apenas com benefícios dados pelo nosso governo e ainda fazem piada sobre o caso. Isto sim é que dói na gente. Herói pra mim é aquele que trabalha para sustentar família em nosso país com um salário mínimo apenas. Herói é aquele que corre atrás do pão de cada dia sem correr atrás das terras dos outros. Herói não toma o que é dos outros, ele luta para conseguir as coisas com o próprio esforço. Herói aprende a ganhar dinheiro e não fica sentado esperando ganhar bolsa qualquer coisa. Herói é aquele que tem de aguentar resignado outro tomar sua vaga na universidade por cor de pele, e não por capacidade ou renda. Por estas e outras que considero muitos brasileiros heróis de verdade, mas tb cans de ver outros tantos aplaudir pricaretagens de nosso governo sem questionar. NG é santo neste ou em outros governos. sem opinião
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Eduardo Carvalho (20) 28/11/2009 07h41
Eduardo Carvalho (20) 28/11/2009 07h41
Saudações a todos. Li um comentário e fiquei pensando sobre as palavras que lá estavam. Vejo aqui sempre muita paixão e pouca visão prática e objetiva sobre nosso governo e as "monarquias" das Américas. A primeira coisa que entristece é a visão de pessoas alegando que os EUA são culpados de tudo, mas de tudo mesmo, que acontece no mundo. Então se vc tropeçar numa pedra quando estiver andando, fique esperto, esconda-se, pois foi a CIA quem colocou a pedrinha lá. Se vc perdeu o emprego esta manhã, é pq o Obama achou que deveria ser assim. Então não se preocupe, seja paranóico, tome cuidado, pq atrás de qualquer muro vc pode encontrar um NORTE americano prestes a lhe tomar o que é seu! Ah, e mesmo que o problema não sejam os americanos, existe outra classe de pessoas que estão no mundo para somente tranformar sua vida no num inferno: os ENDINHEIRADOS. Vejo que aqui no Brasil é pecado mortal ser rico. Honestidade para alguns neste país é ganhar pouco. Rico é Elite; rico é tudo desonesto, faz parte de uma elite malvada que só quer pisar nos pobres. Então é fácil, iniciem uma guerra contra os EUA e contra as ditas ELITES, pois são elas os males do mundo, e quando acabarem com elas e os problemas persistirem com outro país tomando o controle da economia mundial e novas Elites surgirem, então iniciem nova guerra, e por aí vai. Gente, parem de colocar a culpa de nossos problemas em outro país e em poucas pessoas e corram atrás do sucesso vcs mesmos sem esperar alguma coisa do governo. sem opinião
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