UE aumenta pressão e retira todos os embaixadores de Honduras
da Folha Online
O ministro de Relações Exteriores da Suécia, Carl Bildt, confirmou nesta quinta-feira que todos os países da União Europeia (UE) decidiram retirar seus embaixadores de Honduras em um gesto de protesto pelo golpe que depôs o presidente eleito, Manuel Zelaya, no domingo passado (28).
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Bildt, cujo país assumiu a Presidência da UE nesta quarta-feira, escreveu em seu blog nesta quinta-feira que "todos os embaixadores da UE deixaram agora o país."
| Geovanni Hernández/Efe |
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| Presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, quer retornar |
Ele escreveu ainda que há certa incerteza ainda sobre os eventos em Honduras depois do golpe, arquitetado pela Justiça e pelo Congresso, e que a UE debate a melhor forma de impulsionar "um rápido retorno do governo constitucional."
Nesta quarta-feira, o ministro de Relações Exteriores da Espanha, Miguel Angel Moratinos, afirmou a Radio Nacional da Espanha que as embaixadas dos 27 países do bloco haviam decidido retirar seus embaixadores do país centro americano.
"Eu acabei de falar com meus colegas europeus e eu posso dizer que neste momento rodas as embaixadas europeias em Tegucigalpa decidiram retirar seus embaixadores", disse Moratinos.
Segundo o ministro espanhol a decisão significa que Alemanha, Itália, França, Espanha e a Comissão Europeia manterão relações diplomáticas de baixo nível com o país.
"Eu acho que este é um sinal claro da posição da Europa e da comunidade internacional, e as autoridades de Honduras precisam refletir", disse.
A Espanha tem pressionado os países do bloco europeu a retirar seus embaixadores e adotar uma posição mais rígida contra o governo interino de HOnduras desde a realização do golpe.
Moratinos pediu ainda pelo "retorno da ordem democrática" com uma "pré-condição de que o presidente legítimo, o presidente constitucional, Zelaya, possa retornar e continuar a ser presidente."
A Espanha e França anunciaram nesta quarta-feira que haviam convocado seus embaixadores para consultas sobre o golpe.
A UE, assim como a ONU (Organização das Nações Unidas), a OEA (Organização dos Estados Americanos) e os Estados Unidos, condenaram o golpe de Estado em Honduras e exigem o retorno imediato de Zelaya ao poder.
Resistência
| Henry Romero-1jul.09/Reuters |
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| Apoiadores do presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, fazem protesto |
O presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, desafia às crescentes pressões da comunidade internacional para o retorno do presidente deposto e afirmou que "não há nada a negociar". Micheletti ampliou ainda as restrições impostas durante o toque de recolher válido por 72 horas.
O presidente Manuel Zelaya foi deposto no domingo passado pelos militares, após enfrentar a Justiça e o Congresso para realizar um referendo sobre a reforma da Constituição --o que, segundo críticos, visava garantir a reeleição no país.
"Nada temos a negociar. As coisas estão se encaminhando", afirmou Micheletti à agência de notícias internacionais France Presse sobre um possível diálogo com a OEA e a comunidade internacional.
Micheletti afirmou ainda que Zelaya "nunca vai retornar ao poder".
"Se a comunidade internacional considera que cometemos algum erro, algum crime, que nos condene e pronto. Aqui é a autodeterminação do povo", disse Micheletti, que considera que 80% dos hondurenhos concordam com a saída de Zelaya.
"Vamos resolver nossos problemas como pudermos, mas este governo terá apenas seis meses. Quando elegermos nossas novas autoridades, eles [a comunidade internacional] terão a liberdade de abrir espaço para os novos governantes".
Micheletti afirmou ainda que no dia 29 de novembro haverá novas eleições gerais, como está previsto no calendário eleitoral, e que em 27 de janeiro entregará o poder ao novo presidente eleito.
Golpe
Zelaya foi derrubado do poder neste domingo (28) em um golpe orquestrado pela Justiça e pelo Congresso e executado por militares, que o expulsaram para a Costa Rica. O golpe foi realizado horas antes do início de uma consulta popular sobre uma reforma na Constituição que tinha sido declarada ilegal pelo Parlamento e pela Corte Suprema.
"Fui retirado da minha casa de forma brutal, sequestrado por soldados encapuzados que me apontavam rifles", contou o presidente deposto, após chegar ao exílio na Nicarágua.
"Diziam: "se não soltar o celular, atiramos'. Todos apontando para minha cara e o meu peito. [...] Em forma muito audaz eu lhes disse: "se vocês vêm com ordem de disparar, disparem, não tenho problema de receber, dos soldados da minha pátria, uma ofensa a mais ao povo, porque o que estão fazendo é ofender o povo'."
De acordo com os parlamentares hondurenhos, a deposição de Zelaya foi aprovada por suas "repetidas violações da Constituição e da lei" e por "seu desrespeito às ordens e decisões das instituições". Segundo os seus críticos, com a consulta, Zelaya pretendia instaurar a reeleição presidencial no país. As próximas eleições gerais serão em 29 de novembro.
Depois da saída de Zelaya do país, no Congresso de Honduras, um funcionário leu uma carta com a suposta renúncia, o que ele nega. Zelaya diz ter sido alvo de "complô da elite voraz"; e seu sucessor, Micheletti, diz que o golpe foi um "processo absolutamente legal".
Com Efe, France Presse e Associated Press




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