Hamas e Israel criticam relatório de ONG sobre ofensiva em Gaza
da Efe, em Gaza
O movimento islâmico Hamas e o Exército israelense classificaram como "desvirtuado" o relatório que a Anistia Internacional (AI) apresentou nesta quinta-feira sobre a ofensiva militar que Israel lançou contra a faixa de Gaza em dezembro do ano passado.
Em uma entrevista coletiva, Sami Abu Zuhri, porta-voz do Hamas, rejeitou as denúncias contidas no dossiê da ONG, que acusa os islâmicos de disparar foguetes contra Israel a partir de escolas e áreas densamente povoadas.
"O Hamas acha que o relatório é desvirtuado e sofre de falta de profissionalismo, já que iguala as vítimas aos executores e ignora o direito de nosso povo de resistência à ocupação", afirmou Zuhri.
O relatório de 117 páginas acusa tanto Israel quanto o Hamas, que governa a faixa territorial palestina desde meados de 2007, de cometer crimes contra a humanidade durante os ataques registrados entre 28 de dezembro de 2008 e 18 de janeiro deste ano.
O texto da AI também condena a "destruição injustificada" promovida por Israel, que frequentemente teve como alvo civis palestinos, e o lançamento de foguetes do Hamas contra território israelense.
"A Anistia não ouviu a versão dos líderes do Hamas sobre a verdade", disse Zuhri.
Para o porta-voz do movimento islâmico, "em vez de acusar o Hamas, a [AI] deveria levar os criminosos sionistas aos tribunais".
Israel
Israel também classificou o relatório como "desvirtuado". Segundo o Exército israelense, além de "sucumbir à manipulação" aos "terroristas do Hamas", a AI apresentou "uma visão distorcida das leis da guerra" que destoa dos "acordos implementados pelos países democráticos para combater o terrorismo".
O estudo da ONG "ignora os esforços feitos para minimizar, na medida do possível, o dano aos não combatentes", afirmaram os militares numa nota. No texto, o Exército diz que durante a ofensiva 'só atacou diretamente alvos militares".
"Em muitos casos, nas regiões em que iriam acontecer ataques a alvos legítimos, tal como exige a legislação internacional, o Exército [israelense] avisou a população local antes, com panfletos, anúncios na rádio e telefonemas."
A ofensiva de Israel contra a Gaza durou cerca de um mês e matou aproximadamente 1,4 mil palestinos, em sua maioria civis, além de dois civis e dez soldados israelenses.


