Mundo
02/07/2009 - 11h55

Entenda a nova operação dos EUA no sul do Afeganistão

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da Reuters

Milhares de militares da Marinha dos Estados Unidos avançaram nesta quinta-feira pelo vale da Província de Helmand, no sul do Afeganistão, na maior operação do tipo sob a administração de Barack Obama, que anunciou em fevereiro a renovação e ampliação da ofensiva americana contra o grupo islâmico radical Taleban no país asiático.

A operação, intitulada Operação Khanjar, "Golpe de Espada", levou 8.500 marinheiros à região nos últimos dois meses --maior parte do reforço de 17 mil soldados e 4.000 militares de treinamento prometidas por Obama.

David Guttenfelder/AP
Marinheiros ocupam casa depois de chegar em Nawa, reduto Taleban na Província de Helmand, no sul do Afeganistão
Marinheiros ocupam casa depois de chegar em Nawa, reduto Taleban na Província de Helmand, no sul do Afeganistão

Até o final do ano, os soldados americanos no país asiático chegarão a 68 mil, mais que o dobro dos 32 mil presentes no final de 2008.

O general Stanley McChrystal, ex-comandante das forças especiais, assumiu o comando dos 90 mil soldados americanos e da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) no país.

Qual a estrutura de comando da operação?

McChrystal tem um braço direito que ocupa um posto recém-criado pelos EUA. O general David Rodriguez é responsável pelo gerenciamento diário das forças estrangeiras no Afeganistão.

A estrutura é similar a usada no Iraque pelo general David Petraeus, agora comandante das forças dos EUA na Ásia central e Oriente Médio.

Esta estrutura permite que McChrystal foque seu trabalho na estratégia, diplomacia e treinamento das forças de segurança afegãs. Ele e Rodriguez são amigos há mais de 30 anos.

McChrystal também fortaleceu sua estratégia de mídia, convocando o almirante Greg Smith da aposentadoria. Smith coordenou as comunicações no Iraque para Petraeus.

Esta operação é de contrainsurgência ou uma ofensiva de guerra convencional?

Desde que assumiu o comando no mês passado, McChrystal afirmou a seus subordinados no Afeganistão que deseja "uma mudança cultural" das operações de guerra convencionais para uma estratégia de contrainsurgência que conquiste o apoio da população afegã.

Seu predecessor, general David McKiernan, foi retirado do cargo, segundo muitos especialistas, porque Washington estava perdendo paciência com as táticas convencionais que fracassaram em conter a violência ligada aos insurgentes --que alcançou o maior nível registrado no país desde a chegada da coalizão americana, em 2001.

McChrystal afirmou que a maioria das forças no Afeganistão foram desenhadas para o combate tradicional de "grande intensidade", usando todo armamento disponível. Uma de suas prioridades agora será separar os insurgentes dos afegãos civis, dizendo que as forças estrangeiras precisam "convencer as pessoas a não matar ninguém."

Essa mudança tornará a nova estratégia do afeganistão similar àquela usada por Petraeus no Iraque, quando houve um reforço nas tropas americanas, no começo de 2007.

Se McChrystal seguir o padrão, a Marinha deve deixar as grandes bases e se estabelecer em bases menores, onde viverão e lutarão ao lado das forças nacionais.

A mesma estratégia pode incluir ainda o uso de forças de segurança e os conselhos tribais que se espalharam pelas comunidades sunitas no oeste do Iraque no mesmo momento do reforço de tropas, um grande momento de virada do conflito no país.

Qual a posição dos EUA sobre vítimas civis?

McChrystal repetiu inúmeras vezes que tomará atitudes para limitar as mortes de civis, especialmente as causadas por ataques aéreos, que enfureceram os afegãos e derrubaram a popularidade da guerra.

Ele deve enviar ordens para que as tropas no país recuem de combates quando for possível reduzir a morte de civis. Ele afirma ainda que os ataques aéreos devem ser usados apenas quando os soldados em solo estão sob ameaça iminente e sob risco de serem dominados.

Quais são os principais alvos da operação?

McChrystal comandava a força de elite mais importante dos EUA, que caçava alvos de "alto valor" no Iraque e no Afeganistão.

Muitos creditam à sua equipe a captura de Saddam Hussein e a morte de seus filhos.

McChrystal afirma que matar ou capturar alvos de grande valor para o Taleban ainda faz parte da estratégia do Afeganistão, mas ele entende que há limites para este método.

"Você não precisa caçar e matar o Taleban. O que você precisa fazer é tirar a única coisa que eles absolutamente tem que ter e isso é acesso e apoio da população", disse.

Comentários dos leitores
Joel Saraiva (133) 27/11/2009 17h22
Joel Saraiva (133) 27/11/2009 17h22
Mundo civilizado, cultura adiantada, ou seja, de primeiro mundo, Europa, é assim, quando o sujeito "peca", não adianta "confessar para o padre", nem pedir perdão a Deus, o negócio é ir direto para o inferno. Lá pelo menos, terá companheios que já fazem "festa" com o que desviou, junto com seu chefe, o Satã. Quem tem vergonha na cara, não quer enfrentar a sociedade pela frente, após o cometimento de atos ilícitos e imorais. No Japão, costumam cometer o harakiri, na Ásia de modo em geral, e Europa, pedem perdão e, vão prá casa se esconder de vergonha. No Brasil, continuam na política, de cara limpa, engabelando o povo, não temendo a Justiça, pelo contrário, contratam advogados dos mais expressivos, para se safarem. Também pudera, estamos ainda na faixa do terceiro mundo, somos latinos. Joel Carlos de Almeida Saraiva, Investigador de Polícia, dos Altos do Jaraguá, São Paulo/SP 1 opinião
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Antonio Fouto Dias (2776) 27/11/2009 16h50
Antonio Fouto Dias (2776) 27/11/2009 16h50
Em qualquer país sério e principalmente desenvolvido, quando se descobre um escândalo, os envolvidos correm para renunciar aos seus cargos.
E no Brasil, como se comportam os políticos envolvidos em escândalos?
Ah!!! Estou me lembrando do que disse um reporter em um telejornal, quando se referia à corrupção:
'ENQUANTO NA ÁSIA, OS CORRUPTOS QUANDO DESCOBERTOS, SE MATAM, NO BRASIL ELES MORREM, DE RIR".
Éh!!! Faz sentido.
sem opinião
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Jaime Dos Santos (2) 27/11/2009 13h14
Jaime Dos Santos (2) 27/11/2009 13h14
São mdois pesos e duas medidas: Israel não permite inspeções em seu arsenal atômico e fica por isso mesmo, já o Irã, não pode enriquecer urânio> Um General ordena ataques que matam civis no Afeganistão e sequer é processado por crimes de Guerra, enquanto faz-se um alarde incrível com a Coréia do Norte. Oh ! Hipocrisia sem opinião
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