Mundo
02/07/2009 - 15h44

Saddam mentiu sobre armas de destruição em massa por temer Irã, diz FBI

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da Folha Online

O ex-ditador iraquiano Saddam Hussein (1937-2006) não rejeitou a acusação de que o país mantinha armas de destruição em massa por temer parecer fraco diante da ameaça do Irã, um país que mantém programa nuclear e era considerado uma ameaça real para o Iraque. A revelação foi feita pelo FBI (polícia federal americana), que divulgou documentos sobre interrogatórios de Hussein, derrubado do poder pelos americanos.

"Hussein acreditava que o Iraque não podia parecer fraco a seus inimigos, especialmente o Irã", disse o agente especial do FBI George Piro, em anotações sobre a conversa que teve com Saddam, em 2004, sobre armas de destruição em massa.

AP--22nov.98
Então ditador iraquiano, Saddam Hussein, é fotografado em Bagdá
Então ditador iraquiano, Saddam Hussein, é fotografado em Bagdá

O ex-ditador afirmou ainda acreditar que o Iraque estava sendo ameaçado por outros países da região e precisa parecer capaz de se defender, diz o relatório.

Os documentos, divulgados nesta quarta-feira, Saddam afirma ainda que ele estava mais preocupado sobre o Irã descobrir sobre as fraquezas e vulnerabilidades do Iraque do que as repercussões com os Estados Unidos por barrar o retorno dos inspetores da ONU (Organização das Nações Unidas) que procuravam armas de destruição em massa.

"Em sua opinião, os inspetores da ONU teriam identificado diretamente aos iranianos onde poderiam atingir de maneira a causar máximo dano ao Iraque", segundo os documentos obtidos e divulgados pelo Arquivo de Segurança Nacional, um instituto não governamental de pesquisa.

Saddam começou uma guerra violenta com o Irã em 1980, na qual usou armas químicas. O conflito terminou apenas oito anos depois, em 1988.

O ex-presidente dos EUA George W. Bush lançou a invasão ao Iraque em 2003, alegando a ameaça imposta pela presença de armas de destruição em massa no governo Saddam. Tais armas nunca foram encontradas e Bush admitiu este como um dos maiores erros de seu governo.

Os agentes especiais do FBI realizaram 20 entrevistas formais e ao menos cinco "casuais" com o ex-líder iraquiano depois de sua captura por soldados americanos em dezembro de 2003, segundo os documentos.

Saddam, identificado como "Detido de Alto Valor Número 1", temia, assim como Bush, os mulás "fanáticos" iranianos.

Os registros referem-se a conversas entre Saddam e agentes que conversam em árabe, entre fevereiro a junho de 2004, em sua prisão no Aeroporto Internacional de Bagdá.

Al Qaeda

Saddam também negou as conexões com o líder da rede terrorista islâmica Al Qaeda, Osama bin Laden, a quem chamou de zelot, nome de um grupo de judeus radicais que combatiam e perseguiam judeus que ajudassem aos romanos na Antiguidade.

O então ditador assumiu responsabilidade pelo ataque com mísseis Scud contra alvos israelenses na Guerra do golfo Pérsico, em 1991.

Ele culpou Israel e sua influência nos Estados Unidos por "todos os problemas dos árabes."

Durante as entrevistas, Saddam rejeita ainda alguns exemplos do que ele via como mitos, como a história de que tinha diversos sósias.

Segundo parte do relatório, Saddam afirma que usou o telefone apenas duas vezes desde março de 1990 e que ele comunicou-se, principalmente, por mensageiros.

Saddam foi executado em dezembro de 2006 depois de ser condenado por crimes contra a humanidade por uma corte iraquiana pelo assassinato de 148 homens e meninos xiitas --como represália por uma tentativa de assassinato em 1982.

Com Reuters

Comentários dos leitores
emanuel gomes bueno (2) 26/10/2009 17h34
emanuel gomes bueno (2) 26/10/2009 17h34
Os EUA aceitaram o prato que o diabo ofereceu a eles: uma guerra que seria "curta e fácil de vencer". Hoje vemos um atentado atrás do outro, com quase 4.400 soldados americanos mortos e os EUA num atoleiro: sem poder ficar e sem poder sair. A serpente antiga descrita na bíblia, voltou! ao Jardim do Éden. sem opinião
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Valentin Makovski (173) 26/10/2009 17h21
Valentin Makovski (173) 26/10/2009 17h21
Quanto o Iraque precisa de soldados para coibir as milícias???
Já se tem mais de 100 mil Marines dos EUA, se mandar mais uns 100 mil vai continuar a mesma coisa. E sabem porque??? Simples guerra que começa mal, termina muito mal. Esta guerra contra Saddan já deu o que tinha que dar. Os EUA podem ficar lá por maism10 anos, que em nada vai adiantar.
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J. R. (1090) 26/10/2009 03h00
J. R. (1090) 26/10/2009 03h00
Fica difícil saber no Iraque quem é que está explodindo bombas, se elas se direcionam para que Obama aumente os contingentes da invasão ou se é para que os ianques deixem de vez o país e devolvam os poços de petróleo que furtaram, além de destruir o país. sem opinião
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