Mundo
02/07/2009 - 20h51

Deputada diz que Exército de Honduras atirou contra manifestantes

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da Folha Online

Uma deputada hondurenha aliada do presidente deposto, Manuel Zelaya, disse que o Exército atirou nesta quinta-feira contra manifestantes que exigiam a volta do presidente em um protesto na cidade de San Pedro Sula, ferindo ao menos duas pessoas. Autoridades de segurança disseram desconhecer o episódio, mas admitiram ter realizado prisões em um dia marcado por pressões internacionais contra o golpe e manifestações de rua contra e a favor da ação do Exército, que no domingo retirou o presidente do cargo, com apoio da Justiça e do Congresso.

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Segundo a deputada Silvia Ayala, o confronto aconteceu no Parque Central. "Temos imagens que mostram a agressão do Exército contra os manifestantes", disse, acrescentando que "um jovem foi baleado e um fotógrafo apresenta lesões na cabeça".

A deputada disse que o jovem recebeu "disparos de [fuzil] M-16 e foi levado ao hospital Catarino Rivas".

O outro ferido, o fotógrafo salvadorenho Mario Amaya, informou por telefone que recebeu "vários golpes na cabeça e nos braços", apesar de se identificar como jornalista.

O comissário da polícia de San Pedro Sula, David Arellano, disse ignorar a informação sobre feridos, mas admitiu que há manifestantes detidos.

Milhares de pessoas saíram nesta quinta-feira às ruas das duas principais cidades de Honduras exigindo o regresso do presidente deposto no domingo e também apoiando o governo interino, que não foi reconhecido por nenhum país e começou a sofrer retaliações diplomáticas e de organismos internacionais. Zelaya disse que retornará ao país no sábado, acompanhado de autoridades internacionais, mas o presidente interino diz que ele será preso se entrar em Honduras.

Em San Pedro Sula, local da ação violenta denunciada pela deputada, uma manifestação em favor de Roberto Micheletti, nomeado pelo Congresso para cumprir os meses finais do mandato de Zelaya, tomou as ruas, segundo as imagens difundidas pela televisão.

Pelo menos 25 mil pessoas com camisetas brancas e cartazes que questionavam o apoio internacional a Zelaya participaram da manifestação, de acordo com estimativas divulgadas pelos sites dos jornais locais "La Prensa" e "Tiempo".

Na capital, Tegucigalpa, uma grande marcha em favor de Zelaya passou pelas principais ruas de Tegucigalpa, durante a manhã, desde as proximidades da sede do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas até a sede da delegação das Nações Unidas, aonde chegaram perto do meio-dia.

"Estimamos que cerca de 10 mil pessoas participaram, embora o número possa ser maior", disse Victor Cárcamo, chefe do Bloco Popular, organizador das manifestações que têm sido realizadas diariamente desde domingo, quando Zelaya foi levado para fora do país pela Exército.

Os manifestantes, tendo à frente cerca de 20 motos, pararam por um longo tempo em frente ao Congresso, fortemente vigiado pela polícia.

OEA

O secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), José Miguel Insulza, viajará para Honduras nesta sexta-feira para apresentar o fime posicionamento contrário do organismo à deposição de Zelaya.

"Não vamos a Honduras para negociar. Vamos pedir que deixem de fazer o que estão fazendo até agora, e que busquem o caminho para o retorno à normalidade" democrática, afirmou nesta quinta-feira o secretário-geral.

Em um comunicado, a OEA informou que Insulza "viajará amanhã a Honduras para notificar os atores políticos sobre os termos da resolução aprovada pela Assembleia" da OEA, que deu um prazo de 72 horas às novas autoridades de Honduras para restituir Zelaya. O prazo expira sábado.

Se não prosperar a iniciativa, "a Assembleia Geral Extraordinária da OEA aplicará imediatamente o artigo 21 da Carta Democrática Interamericana para suspender Honduras" do organismo, destaca o comunicado.

Fronteiras

Sob isolamento internacional, Honduras retomou nesta quinta-feira ao menos parte de sua integração comercial com os países vizinhos. El Salvador reabriu sua fronteira para o comércio com Honduras, depois de um bloqueio de 48 horas imposto a Tegucigalpa pelos governantes do Grupo América Central-4 (CA-4) em represália ao golpe de Estado

"O comércio entre El Salvador e Honduras começou a normalizar-se nas primeiras horas de hoje", informou a Secretaria de Comunicações da Presidência salvadorenha em um comunicado.

O CA-4, integrado por Guatemala, El Salvador, Honduras e Nicarágua, estabelece o livre trânsito de pessoas e de mercadorias entre as fronteiras terrestres de seus membros.

O fechamento da fronteira havia sido criticado pela cúpula empresarial de El Salvador, que calculou as perdas em US$ 3,2 milhões.

Golpe

Zelaya foi derrubado do poder neste domingo (28) em um golpe orquestrado pela Justiça e pelo Congresso e executado por militares, que o expulsaram para a Costa Rica. O golpe foi realizado horas antes do início de uma consulta popular sobre uma reforma na Constituição que tinha sido declarada ilegal pelo Parlamento e pela Corte Suprema.

"Fui retirado da minha casa de forma brutal, sequestrado por soldados encapuzados que me apontavam rifles", contou o presidente deposto, após chegar ao exílio na Nicarágua.

"Diziam: "se não soltar o celular, atiramos". Todos apontando para minha cara e o meu peito. [...] Em forma muito audaz eu lhes disse: "se vocês vêm com ordem de disparar, disparem, não tenho problema de receber, dos soldados da minha pátria, uma ofensa a mais ao povo, porque o que estão fazendo é ofender o povo"."

De acordo com os parlamentares hondurenhos, a deposição de Zelaya foi aprovada por suas "repetidas violações da Constituição e da lei" e por "seu desrespeito às ordens e decisões das instituições". Segundo os seus críticos, com a consulta, Zelaya pretendia instaurar a reeleição presidencial no país. As próximas eleições gerais serão em 29 de novembro.

Depois da saída de Zelaya do país, no Congresso de Honduras, um funcionário leu uma carta com a suposta renúncia, o que ele nega. Zelaya diz ter sido alvo de "complô da elite voraz"; e seu sucessor, Micheletti, diz que o golpe foi um "processo absolutamente legal".

Com Efe e France Presse

 

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