Mundo
03/07/2009 - 11h31

Mianmar adia julgamento de ativista por visita de secretário-geral da ONU

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colaboração para a Folha Online

O governo militar de Mianmar adiou novamente o julgamento da líder opositora Aung San Suu Kyi, cuja audiência estava prevista para esta quinta-feira e coincidiu com o início da visita oficial do secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban Ki-moon. O adiamento foi anunciado poucas horas depois da chegada do secretário a Mianmar.

O julgamento da Nobel da Paz por descumprir os termos da prisão domiciliar imposta em 2003 pelo governo militar começou em meados de maio, e desde então, foi adiado em várias ocasiões. Nyan Win, um dos advogados de Suu Kyi, disse à imprensa que o julgamento será retomado no próximo dia 10 de julho.

David Longstreath-06mai.02/AP
Julgamento de Aung San Suu Kyi foi adiado com chegada de Ban
Julgamento de Aung San Suu Kyi foi adiado com chegada de Ban

O secretário-geral das Nações Unidas viajou a Mianmar com objetivo de pedir a libertação dos presos políticos e obter garantias de transparência para as eleições que o regime birmanês pretende realizar em 2010.

Ban se reuniu com o número um do governo birmanês, o general Than Shwe, na nova capital do país, Naypyidaw, onde também solicitou permissão para encontrar Suu Kyi, mas teve seu pedido negado.

Histórico

Mianmar --antiga Birmânia-- é governada por militares desde 1962. A junta militar que comanda o país chegou ao poder em 1988, após acabar com manifestações pró-democracia e matar cerca de 3.000 pessoas. Em setembro de 2007, a ditadura esmagou protestos pró-democracia no país, com 16 mortes segundo os dados oficiais. Entidades de direitos humanos dizem que pelo menos 31 pessoas morreram.

A junta anunciou no ano passado que pretende realizar eleições parlamentares em 2010, com um quarto das cadeiras indicadas por militares e excluindo ex-exilados, como Suu Kyi. Sinais anteriores de distensão, como a eleição de 1990, não representaram grande avanço na democracia. Nessa ocasião, Suu Kyi foi eleita, mas sua posse no Parlamento foi rejeitada pelos militares.

Em 1991, o comitê do Nobel da Paz justificou a escolha de Suu Kyi como uma forma de premiar "seu incansável esforço e para mostrar o apoio [do comitê] a muitas pessoas em todo o mundo que estão lutando para atingir a democracia, os direitos humanos e a conciliação étnica por meios pacíficos".

Com agências internacionais

 

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