Mundo
03/07/2009 - 21h45

Interpol nega que esteja em busca de médico que atendeu jovem baleada no Irã

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da Folha Online

A Interpol negou nesta sexta-feira que esteja à procura do médico que tentou salvar a jovem iraniana Neda Soltan Agha, morta com um tiro no peito durante protestos em Teerã contra supostas fraudes na reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, informou o site de notícias da rede americana CBS. A informação de que a entidade internacional buscava prender Arash Heyazi foi divulgada nesta semana pelo governo iraniano.

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Na quarta-feira, autoridades de segurança do Irã disseram ter enviado uma ordem de busca e captura à Interpol contra o médico.

"A Interpol e as forças do Ministério de Inteligência já estão perseguindo Hejazi", disse o comandante de polícia no Irã, general Ismail Ahmadi Moghadam, citado pela agência local de notícias Fars. "É procurado porque, como testemunha, criou confusão. O assassinato [de Neda] é algo organizado que não está relacionado com os distúrbios em Teerã."

Mas em declarações à CBSNews.com, um porta-voz da Interpol em Lyon, na França, negou categoricamente que a organização internacional esteja envolvida na investigação sobre a morte de Neda. "Nós não recebemos qualquer pedido de informações ou assistência sobre a morte desta mulher", disse Rachel Billington.

As imagens da morte de Neda, filmadas por um manifestante, foram colocadas no site de vídeos Youtube e se tornaram um símbolo da violenta repressão do governo iraniano aos protestos contra a eleição do dia 12 de junho.

O médico Hejazi é o homem que aparece no vídeo tentando ajudar jovem, após ela receber um tiro no peito. Ele viajou a Londres pouco depois. Logo após chegar à capital britânica, disse que a jovem tinha sido assassinada pelas forças da ordem e que, após ver o vídeo na internet, decidiu retornar a Londres, porque temia pela própria vida.

Hejazi, que mora em Oxford, é o único tradutor para o persa das obras do escritor Paulo Coelho. Em seu blog, ele disse que fez o que qualquer pessoa faria na mesma situação e que já esperava que o governo iraniano lançasse mentiras contra ele e os manifestantes "em vez de levar à justiça os assassinos desta jovem inocente e de outras pessoas e aceitar suas responsabilidades".

As autoridades iranianas rejeitam a denúncia de testemunhas de que milicianos Basij, ligados à Guarda Revolucionária, foram os responsáveis pela morte da jovem e culpam "grupos que querem criar uma divisão na nação". Segundo o governo, os atiradores podem tê-la confundido com a irmã de um terrorista do país.

O regime iraniano, que acusa o Ocidente de promover os distúrbios pós-eleitorais, sugeriu que a morte de Neda foi "fabricada" por alguns meios de comunicação estrangeiros.
Ahmadinejad anunciou na segunda-feira passada (29) que tinha pedido ao Poder Judiciário que investigasse a "misteriosa" morte da jovem estudante.

Resultado contestado

O resultado da eleição, divulgado no último dia 13 de junho, deu início aos maiores protestos de rua em Irã desde a Revolução Islâmica de 1979.

O moderado ex-primeiro-ministro Mir Hossein Mousavi e os outros dois candidatos derrotados na eleição presidencial --Mehdi Karubi e Mohsen Rezai-- submeteram um total de 646 queixas contra o resultado do pleito. O conservador Rezai as retirou depois que o líder supremo do país endossou a vitória de Ahmadinejad e ordenou o fim dos protestos.

No dia seguinte à declaração de Khamenei, feita durante um sermão na universidade de Teerã, houve uma grande repressão aos protestos, com violência nas ruas e prisões feitas durante as manifestações e à noite, a casa de pessoas selecionadas pelo governo. No total, 17 pessoas morreram nos vários dias protestos, de acordo com dados oficiais.

A reação do governo, que incluiu forte censura à internet, conseguiu reduzir o volume dos protestos, e o Conselho de Guardiães disse que a maioria das denúncias apresentadas não foi considerada irregularidade de eleição. Muitas foram descartadas após a realização de "estudos precisos e profundos" sobre o processo eleitoral, embora o órgão tenha admitido que em 50 cidades houve mais votos que eleitores --o que poderia ter afetado 3 milhões de votos, número menor que a vantagem de Ahmadinejad para vencer no primeiro turno.

Após uma recontagem de aproximadamente 10% dos votos, o Conselho confirmou, na última segunda-feira, os resultados da eleição que deram a vitória ao presidente.

Comentários dos leitores
Valentin Makovski (217) 03/11/2009 15h23
Valentin Makovski (217) 03/11/2009 15h23
Eu não duvido de nada, se os EUA em alguns anos, implantarem algumas bases de mísseis de longo alcance no Iraque, pois estão lá e tem mais de 100 mil soldados, agora lógico. A Russia esta fazendo o mesmo apoio ao Irã, Pra ser mais exato, a guerra fria ainda não acabou só mudou de época. Lógico com vantagem dos EUA, mas a Russia tem seus prô e contras, ainda tem tecnologia suficiente e possui o maior arsenal de bombas atômicas. EUA estão no paquistão não para combater o Taliban, estão presentes numa região que demanda conflitos eternos, e que sempre terá um para vender armas, e tecnologia. Sabemos de praxe Srs (as) que guerras são grande negócios, em valores astronômicos. Antes não se dava ênfase á aquela região, hoje em dia a região é estratégica para as super potencias, envolve muito dinheiro e conflitos a vista. Por isso tanto interesse e tanta movimentação bélica. sem opinião
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J. R. (1126) 18/10/2009 13h21
J. R. (1126) 18/10/2009 13h21
RU treina soldados iraquianos para proteger seus poços de petróleo.
"O Parlamento iraquiano aprovou nesta terça-feira um acordo de cooperação marítima com o Reino Unido que permitirá o retorno de entre cem e 150 soldados britânicos ao sul do país árabe, para ajudar a treinar a Marinha iraquiana e proteger as instalações petrolíferas."
Este é o sinal obvio que os ingleses se apossaram das companhias de petróleo iraquianas após enforcarem Sadam Hussein e colocarem "testas de ferro e laranjas" da nova elite iraquiana. Como se não bastasse o exército iraquiano vigiará os poços para eles. Provavelmente, após o saque ao tesouro iraquiano, no lugar de ouro e outras moedas, os corsários os encheram de dólares cheirando a tinta. O Irã deve abrir bem os olhos, pois isso é o que é pretendido para eles também. É bom que a revolução dos aiatolás comece a educar seu povo maciçamente, a fim de não facilitar a invasão dos inimigos que sempre contam com que o povo esteja na ignorância.
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J. R. (1126) 28/09/2009 14h07
J. R. (1126) 28/09/2009 14h07
Alguns não querem que o Brasil se aproxime do Irã, outros não querem que se aproxime do criminoso Israel, porém lembrem-se que estão num país que não tem rabo preso. O presidente do Irã virá, o ministro de Israel, Kadafi, Obama. Isso é liberdade e autodeterminação. De que adianta essa panacéia com relação ao mundo árabe? Nada. 1 opinião
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