Zelaya diz que volta a Honduras amanhã na companhia de "vários presidentes"
da Folha Online
O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, afirmou neste sábado (4) que vai voltar ao país amanhã, acompanhado de "vários presidentes". Ele disse que o governo provisório, liderado por Roberto Micheletti, "deve se corrigir" e devolver a democracia ao país.
"Estou organizando meu retorno a Honduras. Nós vamos nos apresentar no aeroporto internacional de Honduras, em Tegucigalpa, com vários presidentes, vários membros da comunidade internacional. Neste domingo estaremos em Tegucigalpa", afirmou Zelaya ao canal de notícias venezuelano Telesur.
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Zelaya foi derrubado do poder no último domingo (28) em um golpe orquestrado pela Justiça e pelo Congresso e executado por militares, que o expulsaram para a Costa Rica. O golpe foi realizado horas antes do início de uma consulta popular sobre uma reforma na Constituição que tinha sido declarada ilegal pelo Parlamento e pela Corte Suprema.
De acordo com os parlamentares hondurenhos, a deposição de Zelaya foi aprovada por suas "repetidas violações da Constituição e da lei" e por "seu desrespeito às ordens e decisões das instituições". Segundo os seus críticos, com a consulta, Zelaya pretendia instaurar a reeleição presidencial no país. As próximas eleições gerais serão em 29 de novembro.
Depois da saída de Zelaya do país, no Congresso de Honduras, um funcionário leu uma carta com a suposta renúncia, o que ele nega. Zelaya diz ter sido alvo de "complô da elite voraz"; e seu sucessor, Micheletti, diz que o golpe foi um "processo absolutamente legal".
Reunião
A OEA (Organização dos Estados Americanos) realiza hoje um encontro de emergência em Washington (EUA) para analisar a suspensão da filiação do país à instituição, em razão do golpe de Estado.
Apesar de o governo interino ter iniciado ontem movimentos para se retirar da OEA, líderes da organização afirmam não ter recebido comunicado oficial sobre o assunto. Além disso, José Miguel Insulza,secretário-geral da instituição, afirma que a renúncia de Honduras não tem valor legal, por ter sido feita por um governo não reconhecido pela comunidade internacional.
Segundo Albert Ramdin, secretário-geral-assistente da OEA, Zelaya deve participar da reunião de hoje e fazer um pronunciamento.
Com Associated Press e France Presse
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