Mundo
05/07/2009 - 00h51

Grupo de clérigos desafia líder supremo e diz que eleição do Irã é ilegítima

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da Folha Online

O grupo mais importante de líderes religiosos do Irã considerou ilegítimos a disputa presidencial no Irã e o governo de Mahmoud Ahmadinejad, eleito no último dia 12 em uma disputa polêmica devido às acusações de fraude pela oposição. Reportagem do jornal "The New York Times" informa que este é o primeiro desafio ao líder supremo do país e aponta para um forte racha entre a cúpula religiosa.

Arash Khamushi/AP
Mahmoud Ahmadinejad diz que sua reeleição é vitória do povo, e derrota para inimigos do país
Mahmoud Ahmadinejad diz que sua reeleição é vitória do povo, e derrota para inimigos do país

A Associação de Pesquisadores e Professores de Qum representa um significativo apoio ao governo e, especialmente, à autoridade do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei --máxima autoridade política do país, com poder, inclusive, de nomear o presidente. Após a vitória de Ahmadinejad, contestada pela oposição, o aiatolá apoiou o resultado das urnas e deu sua aprovação à reeleição do presidente.

O governo tem se esforçado para acusar a oposição e seu principal líder, o candidato à Presidência Mir Hussein Mousavi, como criminosos e traidores. De acordo com o jornal, a opinião da associação faz desse esforço algo mais complexo.

"Essa quebra religiosa e o fato de eles estarem se aliando ao povo e a Mousavi são, no meu ponto de vista, o racha mais marcante da história em mais de 30 anos da República Islâmica", afirmou Abbas Milani, diretor do programa de estudos iranianos da Universidade de Stanford.

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"É válido lembrar que o grupo está indo contra uma eleição verificada e santificada por Khamenei."

Associação de Qum

Desde a eleição, a cúpula religiosa da cidade sagrada de Qum (156 km a sudeste da capital Teerã), segundo mais importante centro religioso do Irã, tem permanecido calada. Quando decidiu se pronunciar, o grupo de clérigos, formado durante a Revolução Islâmica (1979), pelo aiatolá Ruhollah Khomeini, partiu direto para apoiar a oposição.

Embora muitos clérigos da associação sejam reformistas ou independentes, muitos são fervorosos apoiadores de Khamenei e do presidente reeleito, Ahmadinejad. Além disso, grande parte dos seminários da cidade, que dependem de fundos do governo, contam com o apoio e proteção da Guarda Revolucionária.

O "NYT" cita que a declaração da associação dá fôlego a Mousavi e a outros líderes da oposição que contestam os resultados das urnas, como o ex-presidente Mohammad Khatami e o ex-primeiro-ministro e candidato derrotado Mehdi Karroubi.

Morteza Nikoubazl/Reuters
Derrotado, Mir Hossein Mousavi pode enfrentar ação da Justiça por manifestações pós-eleição
Derrotado, Mir Hossein Mousavi pode enfrentar ação da Justiça por manifestações pós-eleição

Junto do conservador Mohsen Rezai, o grupo submeteu um total de 646 queixas contra o resultado do pleito, o qual diz ter sido fraudado. O resultado da eleição, divulgado no último dia 13 de junho, deu início aos maiores protestos de rua em Irã desde a revolução de 79.

Para analistas ouvidos pelo jornal, o governo vai continuar pintando a oposição como traidores, mas não deve usar a mesma tática contra a opinião dissonante dos clérigos de Qum.

"Isso é significativo porque, mesmo entre os religiosos, há muitos que se recusam a reconhecer a legitimidade dos resultados da eleição anunciados pelo líder supremo", disse um analista político iraniano que não quis ser identificado, temendo represálias.

Protestos violentos

Em meio aos primeiros protestos, o líder supremo do Irã endossou a vitória de Ahmadinejad e ordenou o fim das manifestações sob ameaça de repressão.

No dia seguinte à declaração de Khamenei, feita durante um sermão na universidade de Teerã, houve episódios de violência nas ruas e prisões feitas durante as manifestações e à noite. No total, 20 pessoas morreram e 1.032 foram detidas, de acordo com dados oficiais.

Arash Khamushi/AP
Apoiadores do opositor Mir Hossein Mousavi protestam no consulado iraniano na Turquia
Apoiadores do opositor Mir Hossein Mousavi protestam no consulado iraniano na Turquia

A reação do governo, que incluiu forte censura à internet, conseguiu reduzir o volume dos protestos, e o Conselho de Guardiães disse que a maioria das denúncias apresentadas não foi considerada irregularidade de eleição.

Muitas foram descartadas após a realização de "estudos precisos e profundos" sobre o processo eleitoral, embora o órgão tenha admitido que em 50 cidades houve mais votos que eleitores. A fraude nessas urnas poderia ter afetado 3 milhões de votos, número menor que a vantagem de 11 milhões de votos de Ahmadinejad sobre o segundo colocado.

Após uma recontagem de aproximadamente 10% dos votos, o Conselho confirmou, na última segunda-feira, os resultados da eleição que deram a vitória ao presidente.

Em nota divulgada neste sábado, a associação pede para que os resultados das urnas sejam jogados fora. Além disso, os religiosos criticam o Conselho por falhar em recontar os votos e verificar as denúncias de fraude e desqualificam o governo por usar a força para reprimir os protestos.

"As reclamações dos outros candidatos foram ignoradas e os protestos da população, que ocorreram pacificamente, foram violentamente reprimidos em meio a circunstâncias de completa segurança [sem episódios de ataques ou respostas do público]", informa a nota. Segundo o "New York Times", ninguém do grupo quis comentar a decisão.

Comentários dos leitores
Valentin Makovski (217) 03/11/2009 15h23
Valentin Makovski (217) 03/11/2009 15h23
Eu não duvido de nada, se os EUA em alguns anos, implantarem algumas bases de mísseis de longo alcance no Iraque, pois estão lá e tem mais de 100 mil soldados, agora lógico. A Russia esta fazendo o mesmo apoio ao Irã, Pra ser mais exato, a guerra fria ainda não acabou só mudou de época. Lógico com vantagem dos EUA, mas a Russia tem seus prô e contras, ainda tem tecnologia suficiente e possui o maior arsenal de bombas atômicas. EUA estão no paquistão não para combater o Taliban, estão presentes numa região que demanda conflitos eternos, e que sempre terá um para vender armas, e tecnologia. Sabemos de praxe Srs (as) que guerras são grande negócios, em valores astronômicos. Antes não se dava ênfase á aquela região, hoje em dia a região é estratégica para as super potencias, envolve muito dinheiro e conflitos a vista. Por isso tanto interesse e tanta movimentação bélica. sem opinião
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J. R. (1126) 18/10/2009 13h21
J. R. (1126) 18/10/2009 13h21
RU treina soldados iraquianos para proteger seus poços de petróleo.
"O Parlamento iraquiano aprovou nesta terça-feira um acordo de cooperação marítima com o Reino Unido que permitirá o retorno de entre cem e 150 soldados britânicos ao sul do país árabe, para ajudar a treinar a Marinha iraquiana e proteger as instalações petrolíferas."
Este é o sinal obvio que os ingleses se apossaram das companhias de petróleo iraquianas após enforcarem Sadam Hussein e colocarem "testas de ferro e laranjas" da nova elite iraquiana. Como se não bastasse o exército iraquiano vigiará os poços para eles. Provavelmente, após o saque ao tesouro iraquiano, no lugar de ouro e outras moedas, os corsários os encheram de dólares cheirando a tinta. O Irã deve abrir bem os olhos, pois isso é o que é pretendido para eles também. É bom que a revolução dos aiatolás comece a educar seu povo maciçamente, a fim de não facilitar a invasão dos inimigos que sempre contam com que o povo esteja na ignorância.
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J. R. (1126) 28/09/2009 14h07
J. R. (1126) 28/09/2009 14h07
Alguns não querem que o Brasil se aproxime do Irã, outros não querem que se aproxime do criminoso Israel, porém lembrem-se que estão num país que não tem rabo preso. O presidente do Irã virá, o ministro de Israel, Kadafi, Obama. Isso é liberdade e autodeterminação. De que adianta essa panacéia com relação ao mundo árabe? Nada. 1 opinião
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