Grupo de clérigos desafia líder supremo e diz que eleição do Irã é ilegítima
da Folha Online
O grupo mais importante de líderes religiosos do Irã considerou ilegítimos a disputa presidencial no Irã e o governo de Mahmoud Ahmadinejad, eleito no último dia 12 em uma disputa polêmica devido às acusações de fraude pela oposição. Reportagem do jornal "The New York Times" informa que este é o primeiro desafio ao líder supremo do país e aponta para um forte racha entre a cúpula religiosa.
| Arash Khamushi/AP |
![]() |
| Mahmoud Ahmadinejad diz que sua reeleição é vitória do povo, e derrota para inimigos do país |
A Associação de Pesquisadores e Professores de Qum representa um significativo apoio ao governo e, especialmente, à autoridade do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei --máxima autoridade política do país, com poder, inclusive, de nomear o presidente. Após a vitória de Ahmadinejad, contestada pela oposição, o aiatolá apoiou o resultado das urnas e deu sua aprovação à reeleição do presidente.
O governo tem se esforçado para acusar a oposição e seu principal líder, o candidato à Presidência Mir Hussein Mousavi, como criminosos e traidores. De acordo com o jornal, a opinião da associação faz desse esforço algo mais complexo.
"Essa quebra religiosa e o fato de eles estarem se aliando ao povo e a Mousavi são, no meu ponto de vista, o racha mais marcante da história em mais de 30 anos da República Islâmica", afirmou Abbas Milani, diretor do programa de estudos iranianos da Universidade de Stanford.
Conheça os indícios da suposta fraude na eleição
Líder supremo está acima do presidente; entenda
Golpe e revolução marcam o último século no Irã
Correntes alternam-se na Presidência desde 1979
"É válido lembrar que o grupo está indo contra uma eleição verificada e santificada por Khamenei."
Associação de Qum
Desde a eleição, a cúpula religiosa da cidade sagrada de Qum (156 km a sudeste da capital Teerã), segundo mais importante centro religioso do Irã, tem permanecido calada. Quando decidiu se pronunciar, o grupo de clérigos, formado durante a Revolução Islâmica (1979), pelo aiatolá Ruhollah Khomeini, partiu direto para apoiar a oposição.
Embora muitos clérigos da associação sejam reformistas ou independentes, muitos são fervorosos apoiadores de Khamenei e do presidente reeleito, Ahmadinejad. Além disso, grande parte dos seminários da cidade, que dependem de fundos do governo, contam com o apoio e proteção da Guarda Revolucionária.
O "NYT" cita que a declaração da associação dá fôlego a Mousavi e a outros líderes da oposição que contestam os resultados das urnas, como o ex-presidente Mohammad Khatami e o ex-primeiro-ministro e candidato derrotado Mehdi Karroubi.
| Morteza Nikoubazl/Reuters |
![]() |
| Derrotado, Mir Hossein Mousavi pode enfrentar ação da Justiça por manifestações pós-eleição |
Junto do conservador Mohsen Rezai, o grupo submeteu um total de 646 queixas contra o resultado do pleito, o qual diz ter sido fraudado. O resultado da eleição, divulgado no último dia 13 de junho, deu início aos maiores protestos de rua em Irã desde a revolução de 79.
Para analistas ouvidos pelo jornal, o governo vai continuar pintando a oposição como traidores, mas não deve usar a mesma tática contra a opinião dissonante dos clérigos de Qum.
"Isso é significativo porque, mesmo entre os religiosos, há muitos que se recusam a reconhecer a legitimidade dos resultados da eleição anunciados pelo líder supremo", disse um analista político iraniano que não quis ser identificado, temendo represálias.
Protestos violentos
Em meio aos primeiros protestos, o líder supremo do Irã endossou a vitória de Ahmadinejad e ordenou o fim das manifestações sob ameaça de repressão.
No dia seguinte à declaração de Khamenei, feita durante um sermão na universidade de Teerã, houve episódios de violência nas ruas e prisões feitas durante as manifestações e à noite. No total, 20 pessoas morreram e 1.032 foram detidas, de acordo com dados oficiais.
| Arash Khamushi/AP |
![]() |
| Apoiadores do opositor Mir Hossein Mousavi protestam no consulado iraniano na Turquia |
A reação do governo, que incluiu forte censura à internet, conseguiu reduzir o volume dos protestos, e o Conselho de Guardiães disse que a maioria das denúncias apresentadas não foi considerada irregularidade de eleição.
Muitas foram descartadas após a realização de "estudos precisos e profundos" sobre o processo eleitoral, embora o órgão tenha admitido que em 50 cidades houve mais votos que eleitores. A fraude nessas urnas poderia ter afetado 3 milhões de votos, número menor que a vantagem de 11 milhões de votos de Ahmadinejad sobre o segundo colocado.
Após uma recontagem de aproximadamente 10% dos votos, o Conselho confirmou, na última segunda-feira, os resultados da eleição que deram a vitória ao presidente.
Em nota divulgada neste sábado, a associação pede para que os resultados das urnas sejam jogados fora. Além disso, os religiosos criticam o Conselho por falhar em recontar os votos e verificar as denúncias de fraude e desqualificam o governo por usar a força para reprimir os protestos.
"As reclamações dos outros candidatos foram ignoradas e os protestos da população, que ocorreram pacificamente, foram violentamente reprimidos em meio a circunstâncias de completa segurança [sem episódios de ataques ou respostas do público]", informa a nota. Segundo o "New York Times", ninguém do grupo quis comentar a decisão.
Leia mais notícias sobre o Irã
- Aliado do líder supremo iraniano pede prisão de líder da oposição
- Interpol nega que esteja em busca de médico que atendeu jovem baleada no Irã
- Em protesto conjunto e "gradual", União Europeia convoca embaixadores em Teerã
- Funcionários de embaixada britânica serão julgados no Irã
- Parlamentares do Irã pedem ação legal contra líder da oposição
- Reeleição no Irã não tem legitimidade, diz candidato derrotado
- Atitude do Irã com diplomatas é "decepcionante", diz premiê britânico
Outras notícias internacionais
- Vice dos EUA passa feriado da independência no Iraque e é criticado por declaração
- Polícia diz que adolescente é 5ª vítima de serial killer nos EUA
- Presidente deposto confirma volta a Honduras; cardeal apoia novo governo
Especial
- Leia cobertura completa da eleição iraniana
- Navegue no melhor roteiro de cultura e diversão da internet
Livraria





avalie fechar
"O Parlamento iraquiano aprovou nesta terça-feira um acordo de cooperação marítima com o Reino Unido que permitirá o retorno de entre cem e 150 soldados britânicos ao sul do país árabe, para ajudar a treinar a Marinha iraquiana e proteger as instalações petrolíferas."
Este é o sinal obvio que os ingleses se apossaram das companhias de petróleo iraquianas após enforcarem Sadam Hussein e colocarem "testas de ferro e laranjas" da nova elite iraquiana. Como se não bastasse o exército iraquiano vigiará os poços para eles. Provavelmente, após o saque ao tesouro iraquiano, no lugar de ouro e outras moedas, os corsários os encheram de dólares cheirando a tinta. O Irã deve abrir bem os olhos, pois isso é o que é pretendido para eles também. É bom que a revolução dos aiatolás comece a educar seu povo maciçamente, a fim de não facilitar a invasão dos inimigos que sempre contam com que o povo esteja na ignorância.
avalie fechar
avalie fechar