Apesar do risco de violência, Zelaya diz que volta a Honduras hoje
da Folha Online
O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, afirmou neste domingo (5) que está disposto a a retornar ao país hoje, apesar de ser advertido do perigo da iniciativa, que pode gerar intensos confrontos.
Ele afirmou que quer voltar a Honduras para que a nação "volte à paz", após o golpe de Estado que o expulsou há uma semana do poder. "Planejei meu retorno no domingo", afirmou Zelaya, em seu discurso na Assembleia Geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), que suspendeu Honduras de seu direito de participação na instituição.
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O ex-embaixador de Honduras perante a OEA, Carlos Sosa, afirmou que o avião que levará Zelaya a Honduras deve sair na manhã de hoje de Washington e chegar ao país por volta das 18h, no horário de Brasília. Ele deve viajar a bordo de um avião privado, cuja lista de passageiros não foi revelada --ontem, Zelaya afirmou que chegaria ao país na companhia de "vários presidentes".
Em Tegucigalpa, capital do país, seguidores do presidente deposto se preparavam para recebê-lo. Eles passaram a noite em albergues e devem realizar uma marcha até o aeroporto local. Sosa não quis informar se Zelaya vai chegar em Tegucigalpa ou outro lugar. Ele classificou a medida como uma "missão pacífica" e pediu que os hondurenhos rechacem qualquer ato de violência.
De acordo com Sosa, Zelaya estará acompanhado, provavelmente, do secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, "e outras personalidades do hemisfério". Entretanto, Insulza afirmou que sua viagem não está confirmada --ele diz que "se necessário, viajará". Hoje haverá uma reunião para decidir quem voltará com o presidente a Honduras, ainda que, segundo Insulza, a decisão sobre o regresso seja do presidente deposto, e não da organização.
Insulza advertiu que a medida é "arriscada". "Acho que há riscos. Se você me pergunta se será um regresso seguro, é evidente que não", diz.
Durante discurso na OEA, Zelaya lembrou que em princípio ia voltar na quinta-feira (2) a Honduras, mas que adiou sua viagem para não interferir nas gestões diplomáticas da OEA para restituí-lo e restaurar a democracia.
Zelaya disse que o "regime do terror está vivo" em Honduras, "está operando hoje na noite" em referência ao governo que surgiu do golpe de Estado e que é liderado por Roberto Micheletti, e às "repressões" que estão acontecendo nesse país.
Com Efe e France Presse
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