Mundo
05/07/2009 - 18h34

Três pessoas morrem em manifestação em região muçulmana da China

Publicidade

da Folha Online

Três pessoas morreram em manifestações na Província chinesa de Xinjiang neste domingo, informou a imprensa estatal, em um confronto que revela tensa relação entre a maioria han e a minoria étnica uigur no extremo oeste do país.

A agência de notícias oficial Xinhua disse que desordeiros "ilegalmente reuniram-se em vários lugares e envolveram-se em espancamentos, saques e incêndios" na capital regional, Urumqi.

Segundo a agência, os mortos eram "três pessoas comuns, do grupo étnico han". Não há informação de como eles morreram.

As notícias oficiais não especificam a origem étnica das pessoas envolvidas no tumulto ou as razões que estão por trás da manifestação, mas outras fontes informaram que os choques envolveram membros da minoria étnica uigur, muitos dos quais reprovam a presença chinesa na região e os controles culturais e religiosos impostos por decisão do Partido Comunista da China.

Outras 20 pessoas ficaram feridas nos atos violentos e vários carros foram queimados, segundo a Xinhua.

"O governo regional não informou quantos pessoas se envolveram nos confrontos, mas revelou que houve 'concentrações ilegais' em vários bairros do centro, onde pessoas foram agredidas e lojas atacadas e incendiadas", informou a agencia estatal Nova China. "As autoridades enviaram a polícia para dispersar a multidão e prender os agitadores, mas o número de detidos não foi informado."

Um ativista uigur que mora no Japão disse que 1.000 homens da polícia chinesa enfrentaram cerca de 3.000 manifestantes uigures em Urumqi, matando duas pessoas.

Líder da Associação Uigur no Japão, Ilham Mahmut disse que há informações na internet sobre a prisão de pelo menos 300 pessoas.

"Às 17h local, cerca de 3.000 uigures se reuniram em Urumqi para protestar, e 1.000 policiais chineses os confrontaram. Ouvi que dois uigures já morreram", afirmou Mahmut.

"A polícia chinesa tentou dispersar a manifestação usando bastões elétricos e atirando para o alto", disse o ativista. "Até o momento, cerca de 300 uigures foram presos e soube que duas pessoas morreram, porque a polícia chinesa está usando estes bastões elétricos utilizados para tocar o gado".

No entanto, afirmou, os manifestantes estão se reagrupando para dar continuidade ao protesto. "Cerca de 400 pessoas estão tentando retomar a manifestação", disse o ativista.

Dilxat Raxit, um defensor da independência uigur exilado na Suécia, disse que a manifestação foi desencadeada pela revolta em relação a um confronto entre chineses han e operários uigures em uma fábrica no sul da China no final de junho, quando dois uigures morreram. Esse confronto teria sido iniciado pela denúncia de que alguns uigures tinham estuprado uma chinesa.

Porta-voz do Congresso Mundial Uigur, sediado na Alemanha, ele disse que os protestos reuniram mais de 10 mil pessoas e que a polícia deteve cem manifestantes.

"Começou como uma reunião pacífica. Havia milhares de pessoas gritando pelo fim da discriminação étnica, exigindo uma explicação. Esta cólera tem crescido por muito tempo", disse ele sobre os eventos deste domingo em Urumqi.

Uma testemunha ocular em Urumqi, que pediu anonimato, disse que a polícia interferiu na manifestação, tornando o confronto violento.

Os uigures são uma minoria de origem turca predominantemente muçulmana que se concentra no noroeste da China. Muitos dos uigures da região reclamam que estão sendo marginalizados econômica e politicamente em suas próprias terras, que possui ricas reservas de gás natural e minerais. Há entre 15 milhões e 20 milhões de islâmicos na China, quase a metade em Xinjiang. Os han formam cerca 91,5% da população chinesa.

Com Reuters, AFP e CIA Factbook

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca