Uma pessoa morre em manifestação em Honduras; pista do aeroporto é bloqueada
da Folha Online
Atualizado às 20h35.
Na hora marcada pelo presidente deposto de Honduras para seu retorno ao país, a tensão cresce em Tegucigalpa, e há vários relatos de mortes entre os manifestantes reunidos em frente ao aeroporto internacional da cidade. Do avião, Manuel Zelaya disse que a pista do aeroporto está fechada por veículos e que não terá como pousar na capital, como planejara.
Dizendo querer evitar um "banho de sangue", o governo interino proibiu o pouso do avião venezuelano que transporta Zelaya em qualquer pista do país.
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Um fotógrafo da agência Associated Press informou que pelo menos uma pessoa morreu nas manifestações em favor de Zelaya, em frente ao aeroporto, enquanto relatos de mais mortes são divulgados por outras agências e meios de comunicação. Citando uma fonte policial, a agência France Presse informou que duas pessoas morreram e ao menos duas ficaram feridas, e a agência estatal de notícias da Venezuela --país que apoia abertamente Zelaya-- divulgou que três pessoas morreram e várias ficaram feridas durante um ataque das forças de segurança contra apoiadores do presidente deposto.
Um trabalhador do serviço de saúde disse à Reuters que uma pessoa morreu e duas estão gravemente feridas.
Segundo o relato da Associated Press, um homem morreu ao ser atingido com um tiro na cabeça quando tentava passar por uma cerca de segurança para entrar no aeroporto de Tegucigalpa. O tiro foi disparado de dentro do aeroporto de acordo com a agência.
A rede de TV CNN em Espanhol informou que há várias informações sobre mortes de manifestantes nos meio de comunicação locais, mas não confirmou os casos.
| Eduardo Verdugo/AP Photo | ||
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| Homem que morreu ao ser atingido na cabeça por um tiro é carregado em frente ao aeroporto de Tegucigalpa; militares bloquearam a pista e impediram pouso de avião levando o presidente hondurenho deposto Manuel Zelaya |
A rede CNN informou que as Forças Armadas e a polícia reforçaram a segurança no aeroporto, para evitar que o terminal fose invadido pelas milhares de pessoas que se manifestavam nas ruas em frente em favor do presidente deposto no último domingo, dia em que pretendia realizar uma consulta popular considerada ilegal pela Suprema Corte.
Antes do confronto, as forças de segurança chegaram a ser aplaudidas por terem permitido a passagem da manifestação em uma rua próxima ao aeroporto. Entre os manifestantes foram vistos funcionários do governo deposto, como Rodolfo Pastor, que ocupava a pasta de Cultura, Artes e Esportes.
Logo depois, porém, forças de segurança dispararam tiros de advertência e gás lacrimogêneo, e alguns apoiadores de Zelaya atiraram pedras e fizeram uma fogueira. Uma van passou no meio da multidão, com uma pessoa gritando para que abrissem caminho para os feridos. Um porta-voz da Cruz Vermelha disse que cerca de 30 pessoas foram atendidas, incluindo uma mulher esfaqueada.
Obediência
Ao falar de dentro do avião, ainda em Washington, Zelaya, que viaja acompanhado do presidente da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), o ex-chanceler nicaraguense Miguel D'Escoto e de jornalistas, pediu obediência dos militares a ele.
"Eu sou o comandante das Forças Armadas, eleito pelo povo, e peço às Forças Armadas para cumprirem a ordem para abrir o aeroporto a fim de que não haja qualquer problema para que eu pouse e abrace meu povo", disse Zelaya de dentro do avião à venezuelana Telesur. "Hoje eu sinto que tenho força espiritual suficiente, abençoado com o sangue de Cristo, para poder chegar lá e erguer o crucifixo".
Mas ao encontrar a pista tomada por carros, ele disse que busca, com o comandante do avião, uma alternativa para entrar no país.
Diferentemente do que Zelaya havia anunciado neste sábado, nenhum presidente o acompanhou na viagem.
Apesar do apoio internacional, o presidente do Equador, Rafael Correa, a presidentes da Argentina, Cristina Kirchner, e do Paraguai, Fernando Lugo, decidiram não acompanhar a tentativa de retorno de Zelaya. Juntamente com o secretário-geral da OEA, eles anunciaram que viajarão a El Salvador.
Governo interino
Enquanto Zelaya partia de Washington, o presidente interino, Roberto Micheletti, concedia uma entrevista coletiva em Tegucigalpa, ao lado de várias autoridades do novo governo, que assumiu no último domingo, após a deposição de Zelaya pelo Exército, com apoio da Suprema Corte e do Congresso.
Ele justificou a proibição de retorno de Zelaya ao país como uma forma de evitar "derramamento de sangue". Anteriormente, o governo havia informado que o presidente deposto seria preso se voltasse a Honduras, acusado de abuso de autoridade, violação dos deveres dos funcionários e traição, entre outros crimes, mas Micheletti disse que o melhor no momento é evitar qualquer confronto.
"Nós temos insistido que não queremos conflitos internos, não queremos derramamento de sangue", afirmou Micheletti.
O presidente interino também denunciou a mobilização de tropas da Nicarágua perto da fronteira dos dois países e apelou para que não haja intervenção externa em Honduras.
"Pedimos ao presidente Ortega que, por favor, respeite nossa soberania e a Hugo Chávez [presidente da Venezuela] que deixe de agredir nosso país, como tem feito, por meio dos meios de comunicação que possui", disse Micheletti. "Somos um país pequeno, respeitoso das leis nacionais e internacionais."
Questionando sobre a natureza da mobilização, ele disse que são pequenos grupos de tropas nicaraguenses que estão se movimentando e que não poderia dizer se o fazem por ordem do governo ou se há perigo real de que cruzem a fronteira.
"É uma invasão psicológica, estão de todas as formas tentando intimidar a nação", disse, afirmando que Honduras está preparada para responder a qualquer agressão. Mas ele repetiu que espera que o país e tranquilize, "para que não se derrame uma gota de sangue".
O presidente da Nicarágua negou categoricamente qualquer mobilização militar na fronteira.
Isolamento
Em um possível sinal de fragilidade do governo interino diante da reação internacional e da suspensão determinada neste sábado pela OEA (Organização dos Estados Americanos), a vice-chanceler hondurenha, Martha Lorena Alvarado, disse na entrevista coletiva que está constituindo uma comissão para negociar com as organizações internacionais. Nenhum país reconheceu a legitimidade do novo governo, que está enfrentando também o corte de ajuda financeira vital de organizamos internacionais.
Ela disse que, após um "consenso" entre os poderes de Honduras, o novo governo propôs à OEA "a adoção de um diálogo de boa fé entre uma delegação da República de Honduras [...] e uma delegação de representantes de Estados membros, com a participação de funcionários da secretaria-geral", destacou Alvarado.
"Mas enquanto este diálogo de boa fé estiver em curso não poderão ocorrer atos ou situações que possam colocar em risco a paz social da República e comprometer o esforço das conversações", afirmou a vice-chanceler.
Apesar do isolamento externo, o governo busca dar mostras de unidade. O presidente defendeu várias vezes a legitimidade de seu mandato, reforçando que foi eleito pelo Congresso, com autorização da Suprema Corte, e que Zelaya foi retirado do cargo por infringir a Constituição.
Neste sábado, o cardeal Oscar Andrés Rodríguez, a mais alta autoridade católica de Honduras, reconheceu o novo governo e apelou ao "amigo José Manuel Zelaya" para que não retornasse ao país neste domingo.
"Pensemos se um regresso precipitado ao país, neste momento, poderia desencadear um banho de sangue. Eu sei que você ama a vida, eu sei que você respeita a vida. Até hoje ninguém morreu em Honduras. Por favor, medite, porque depois seria tarde demais", disse o cardeal.
Segundo a rede CNN, muitos dos líderes dos protestos contra o novo governo e em favor do retorno de Zelaya são padres católicos, o que sinaliza uma divisão entre a alta hierarquia da igreja no país e parte da base de religiosos, influenciada pela Teologia da Libertação, corrente de inspiração marxista que defende um papel ativo da igreja em questões sociais.
Ao divulgar mortes na manifestação deste domingo, a venezuelana Agência Bolivariana de Noticias informou que manifestantes responsabilizam o cardeal Rodríguez pelo banho de sangue.
Golpe
Zelaya foi derrubado do poder no último domingo (28) em um golpe orquestrado pela Justiça e pelo Congresso e executado por militares, que o expulsaram para a Costa Rica. O golpe foi realizado horas antes do início de uma consulta popular sobre uma reforma na Constituição que tinha sido declarada ilegal pelo Parlamento e pela Corte Suprema.
"Fui retirado da minha casa de forma brutal, sequestrado por soldados encapuzados que me apontavam rifles", contou o presidente deposto, após chegar ao exílio na Nicarágua.
"Diziam: 'se não soltar o celular, atiramos'. Todos apontando para minha cara e o meu peito. [...] Em forma muito audaz eu lhes disse: 'se vocês vêm com ordem de disparar, disparem, não tenho problema de receber, dos soldados da minha pátria, uma ofensa a mais ao povo, porque o que estão fazendo é ofender o povo'."
Com agências internacionais
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Cadê os defensores da extradição de Cesare Battisti. Não falam nada? Extradição só serve para os de esquerda? Para os gorilas funcionários de Bush não vale? Ah, então tá.
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OU É DE SUA MANEIRA OU , ENTÁO, NÁO HÁ ACORDO...
"QUEM MANDA, "MANDA".
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