Mundo
06/07/2009 - 03h59

Zelaya lamenta morte de manifestante e pede fim da violência em Honduras

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da Folha Online
com Efe

Em discurso proferido de El Salvador, o presidente deposto de Honduras Manuel Zelaya condenou a morte de um manifestante neste domingo, durante confronto com militares na capital hondurenha, Tegucigalpa. Zelaya voltava ao país quando centenas de pessoas saíram às ruas para protestar contra o golpe militar que o tirou do poder.

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Zelaya chegou na noite deste domingo à capital de El Salvador depois que seu anunciado plano de voltar a Tegucigalpa foi frustrado pelo governo interino. O Exército bloqueou a pista do aeroporto internacional da capital hondurenha com carros e impediu o pouso do avião que trazia Zelaya e o presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, Miguel D'Escoto, que seguiu então para Manágua e depois para San Salvador.

Milhares de manifestantes favoráveis a Zelaya foram para as ruas em frente ao aeroporto, onde pelo menos uma morreu com um tiro na cabeça, segundo testemunhas. Há relatos não confirmados de que até outras duas pessoas teriam sido mortas nos protestos. Ao menos duas pessoas ficaram gravemente feridas, segundo fontes do serviço de saúde.

Após desembarcar no país vizinho, Zelaya lamentou a morte de um jovem, no que descreveu como repressão contra uma manifestação pacífica, e pediu às Forças Armadas de seu país que baixem as armas e não os apontem contra a população. "Apelo às Forças Armadas de Honduras que baixem seus rifles."

Isolado internacionalmente, o governo interino prometera prender Zelaya se ele voltasse ao país, mas decidiu impedir o retorno do presidente deposto alegando querer evitar que os ânimos exaltados provocassem um "um banho de sangue".

Depois de reunir-se brevemente com os presidentes Daniel Ortega (Nicarágua) e Fernando Lugo (Paraguai), em Manágua, Zelaya seguiu para El Salvador, onde se reuniu com a presidente Cristina Kirchner (Argentina), Rafael Correa (Equador), Mauricio Funes (El Salvador) e com o secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), José Miguel Insulza. Ele disse que tentará novamente voltar a Honduras "na segunda ou na terça-feira".

Tomas Bravo /Reuters
Manifestante pro-Zelaya segura bandeira de Honduras em frente ao aeroporto de Tegucigalpa
Manifestante pro-Zelaya segura bandeira de Honduras em frente ao aeroporto de Tegucigalpa

Zelaya foi derrubado do poder no último domingo (28) em um golpe orquestrado pela Justiça e pelo Congresso e executado por militares, que o expulsaram para a Costa Rica. O golpe foi realizado horas antes do início de uma consulta popular sobre uma reforma na Constituição que tinha sido declarada ilegal pelo Parlamento e pela Corte Suprema.

Viagem e violência

A imprensa internacional acompanhou de perto a viagem de Zelaya de Washington para Honduras uma semana depois de ser deposto e expulso do país pelo Exército, com apoio da Suprema Corte e do Congresso. A tentativa fracassou logo que o avião chegou ao espaço aéreo hondurenho, quando o piloto do avião venezuelano em que ele viajava disse que era "impossível aterrissar" devido aos veículos na pista. Ele disse também que o avião sofreu ameaças de abate de autoridades hondurenhas enquanto sobrevoava Tegucigalpa.

Milhares de manifestantes gritaram vivas quando avistaram o avião, informou a CNN em Espanhol. "Se eu tivesse um paraquedas, eu saltaria", disse disse Zelaya à Telesur, que acompanhava o voo. "Eles estão ameaçando nos matar."

Em declarações ao canal de televisão, Zelaya afirmou que vai sem armas e pacificamente para dialogar e pediu ao general Vásquez que detenha "o massacre", ao ser informado pela rede de televisão, com sede em Caracas, de disparos e mortos em Tegucigalpa. "O povo está nas ruas. Detenha essas tropas general [...] Detenha esse massacre", disse Zelaya.

As agências internacionais forneceram relatos diferentes sobre os episódios de violência. Um fotógrafo da agência Associated Press informou que pelo menos uma pessoa morreu nas manifestações em favor de Zelaya, em frente ao aeroporto, enquanto relatos de mais mortes são divulgados por outras agências e meios de comunicação.

Citando uma fonte policial, a agência France Presse informou que duas pessoas morreram e ao menos duas ficaram feridas, e a agência estatal de notícias da Venezuela --país que apoia abertamente Zelaya-- divulgou que três pessoas morreram e várias ficaram feridas durante um ataque das forças de segurança contra apoiadores do presidente deposto.

Eduardo Verdugo/AP Photo
Homem que morreu ao ser atingido na cabeça por um tiro é carregado em frente ao aeroporto de Tegucigalpa; militares bloquearam a pista e impediram pouso de avião levando o presidente hondurenho deposto Manuel Zelaya
Homem que morreu ao ser atingido na cabeça por um tiro é carregado em frente ao aeroporto de Tegucigalpa; militares bloquearam a pista e impediram pouso de avião levando o presidente hondurenho deposto Manuel Zelaya

Antes do confronto, as forças de segurança chegaram a ser aplaudidas por terem permitido a passagem da manifestação em uma rua próxima ao aeroporto. Entre os manifestantes foram vistos funcionários do governo deposto, como Rodolfo Pastor, que ocupava a pasta de Cultura, Artes e Esportes.

Mas logo depois, forças de segurança dispararam tiros de advertência e gás lacrimogêneo, e alguns apoiadores de Zelaya atiraram pedras e fizeram uma fogueira. Uma van passou no meio da multidão, com uma pessoa gritando para que abrissem caminho para os feridos. Um porta-voz da Cruz Vermelha disse que cerca de 30 feridas foram atendidas, incluindo uma mulher esfaqueada.

Governo isolado

Enquanto Zelaya partia de Washington, o presidente interino, Roberto Micheletti, concedia uma entrevista coletiva em Tegucigalpa, ao lado de várias autoridades do novo governo, que assumiu no último domingo, após a deposição de Zelaya pelo Exército, com apoio da Suprema Corte e do Congresso.

Anteriormente, o governo havia informado que o presidente deposto seria preso se voltasse a Honduras, acusado de abuso de autoridade, violação dos deveres dos funcionários e traição, entre outros crimes, mas Micheletti disse que o melhor no momento é evitar qualquer confronto. "Nós temos insistido que não queremos conflitos internos, não queremos derramamento de sangue", afirmou Micheletti.

Em um possível sinal de fragilidade do governo interino diante da reação internacional e da suspensão determinada neste sábado pela OEA (Organização dos Estados Americanos), a vice-chanceler hondurenha, Martha Lorena Alvarado, disse na entrevista coletiva que está constituindo uma comissão para negociar com as organizações internacionais. Nenhum país reconheceu a legitimidade do novo governo.

Ela disse que, após um "consenso" entre os poderes de Honduras, o novo governo propôs à OEA "a adoção de um diálogo de boa fé entre uma delegação da República de Honduras [...] e uma delegação de representantes de Estados membros, com a participação de funcionários da secretaria-geral", destacou Alvarado.

"Mas enquanto este diálogo de boa fé estiver em curso não poderão ocorrer atos ou situações que possam colocar em risco a paz social da República e comprometer o esforço das conversações", afirmou a vice-chanceler.

Com agências internacionais

Comentários dos leitores
celio maia (111) 03/12/2009 13h07
celio maia (111) 03/12/2009 13h07
Está aqui um quesito para o próximo exame faccioso do ENEM.
O que é vandalismo político?
A) é a logorréia de um presidente que consiste em atacar coisas valiosas, como a democracia de outro país, com o propósito de arruiná-la;
B) é o exercício de força de alguns presidentes que aniquilam a liberdade de imprensa em seus países;
C) é uma ação própria de um político, que consiste em encher sua cueca com dinheiro público, minando o progresso do país;
D) é qualquer atividade política que resulta em prejuízo aos direitos e liberdades básicos de todos os seres humanos.
E) todas as respostas anteriores
sem opinião
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Ismar Dias Ferreira (16) 03/12/2009 12h48
Ismar Dias Ferreira (16) 03/12/2009 12h48
A informação de que ...
"O Congresso rejeitou assim o ponto cinco do acordo assinado pelas delegações do presidente deposto e do governo interino de Roberto Micheletti, no dia 30 de outubro" ... não está correta.
O correto seria dizer: "O Congresso, CUMPRINDO O DISPOSTO NO ponto cinco do acordo assinado pelas delegações do presidente deposto e do governo interino de Roberto Micheletti, no dia 30 de outubro, DECIDIU CONTRARIAMENTE AO RETORNO DE ZELAYA AO PODER."
2 opiniões
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Luiz Antonio Marcelino (195) 03/12/2009 10h40
Luiz Antonio Marcelino (195) 03/12/2009 10h40
Ha Ha Ha Ha Ha Ha ...
O Zé-laya dançou...
Enfia a viola no saco e vai bater na porta do Chavez ou do Morales, prá ver se eles arrumam um "empreguinho" prá você lá...
Adeus comuna demagogo sem vergonha...
Que sirva de exemplo prá toda essa cambada vermelha corrupta...
Se cuida Lulla...
16 opiniões
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