Mundo
06/07/2009 - 07h43

Governo de Honduras bloqueia retorno de Zelaya; presidente pede que "baixem rifles"

Publicidade

da Folha Online

Os líderes do governo interino de Honduras ordenaram que o Exército ocupasse as pistas do aeroporto da capital, Tegucigalpa, e impediram o retorno do presidente deposto, Manuel Zelaya, pouco mais de uma semana depois de um golpe de Estado que o impediu de realizar referendo por uma mudança na Constituição que permitiria a reeleição. O avião de Zelaya teve que seguir para Nicarágua, onde se reuniu com líderes da OEA (Organização dos Estados Americanos) para discutir a crise no país.

Entenda a crise política existente em Honduras
Golpe em Honduras repete roteiro do século 20
Sem apoio do partido, Zelaya espera reação popular
Veterano, Micheletti chega à Presidência após golpe

Milhares de manifestantes favoráveis ao seu retorno entraram em confronto com a polícia e os soldados no aeroporto, deixando ao menos um morto e dezenas de feridos. A agência France Presse e alguns jornais internacionais falam em dois mortos.

Eduardo Verdugo/AP
Manifestantes favoráveis ao presidente Zelaya comemoram quando veem seu avião
Manifestantes favoráveis ao presidente Zelaya comemoram quando veem seu avião

Zelaya viajou de volta a Honduras, em um avião emprestado por seu aliado, o presidente venezuelano Hugo Chávez, em uma tentativa de mobilizar seus seguidores e exigir a restituição de seu poder das instituições --Exército, Congresso e a Suprema Corte-- que o derrubaram em um golpe de Estado no último dia 28 de junho.

Em uma operação acompanhada de perto pela comunidade internacional, unânime em condenar o golpe, o Exército hondurenho bloqueou a pista do aeroporto de Toncontin com caminhões para impedir o pouso do avião Falcon.

Após a tentativa frustrada de retornar ao país, Zelaya passou pela Nicarágua para um encontro com o colega Daniel Ortega e seguiu para El Salvador, onde exigiu que as Forças Armadas não reprimam ainda mais o povo hondurenho.

"Os criminosos não podem dirigir um país", afirmou Zelaya, ao lado do presidente salvadorenho Mauricio Funes, da presidente argentina Cristina Kirchner, do paraguaio Fernando Lugo e do equatoriano Rafael Correa.

"Apelo às Forças Armadas de Honduras que baixem seus rifles'" declarou Zelaya.

Zelaya ainda não anunciou seus próximos passos. Ele deixou Washington no sábado (4), depois que a OEA suspendeu Honduras da carta democrática da instituição pelo rompimento da ordem constitucional.

O secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, anunciou que pretende prosseguir com as gestões diplomáticas para alcançar o objetivo de "cumprir as normas que todos os países adotaram".

Os jornais hondurenhos, favoráveis ao novo governo, destacam que Zelaya ignorou o apelo de 25 dos 33 países da organização para que não retornasse a Honduras e o responsabilizam pela violência que acabou na morte de Isis Obed Murillo, 19.

Os manifestantes pretendem prosseguir com os protestos nesta segunda-feira, à espera do retorno de Zelaya.

Investigação

Oscar Rivera/Efe
Presidente deposto, Manuel Zelaya, não pode retornar a Honduras sob ameaças do Exército
Presidente deposto, Manuel Zelaya, não pode retornar a Honduras sob ameaças do Exército

A polícia hondurenha disse nesta segunda-feira que averiguará os confrontos com os manifestantes pró-Zelaya que deixaram um morto e pelo menos dez feridos.

"Foram ordenadas as investigações que nos permitam estabelecer a clareza dos fatos", disse o porta-voz da polícia, Héctor Iván Mejía, em uma declaração transmitida a todo o país por rádio e televisão na qual não foram divulgados dados de mortos ou feridos.

Na comunicação, Mejía afirmou que houve "uma manifestação popular na qual se expressava o apoio ao ex-presidente José Manuel Zelaya" em frente ao aeroporto Toncontín de Tegucigalpa.

Mejía disse que aconteceu um "confronto entre a autoridade e os manifestantes com resultados ainda não constatados".

Ele acrescentou que a polícia lamenta os fatos ocorridos como consequência destes distúrbios e apelou à população para se abster de promover "a desordem e a intranquilidade".

Brecha

O presidente designado pelo Congresso hondurenho, Roberto Micheletti, abriu uma pequena brecha ao propor à OEA um diálogo de "boa fé" para tentar buscar uma saída à crise.

Ele já mencionou uma antecipação das eleições de 29 de novembro, já que as novas autoridades de Tegucigalpa estão convencidas de que o que aconteceu semana passada não foi um golpe de Estado e sim uma sucessão constitucional, que pretendia impedir Zelaya de organizar um referendo popular para modificar a Constituição.

Micheletti acusou a Nicarágua de movimentar tropas para a fronteira, o que Ortega negou de modo veemente.

Golpe

Zelaya foi derrubado do poder neste domingo (28) em um golpe orquestrado pela Justiça e pelo Congresso e executado por militares, que o expulsaram para a Costa Rica. O golpe foi realizado horas antes do início de uma consulta popular sobre uma reforma na Constituição que tinha sido declarada ilegal pelo Parlamento e pela Corte Suprema.

"Fui retirado da minha casa de forma brutal, sequestrado por soldados encapuzados que me apontavam rifles", contou o presidente deposto, após chegar ao exílio na Nicarágua.

"Diziam: "se não soltar o celular, atiramos". Todos apontando para minha cara e o meu peito. [...] Em forma muito audaz eu lhes disse: 'se vocês vêm com ordem de disparar, disparem, não tenho problema de receber, dos soldados da minha pátria, uma ofensa a mais ao povo, porque o que estão fazendo é ofender o povo"."

De acordo com os parlamentares hondurenhos, a deposição de Zelaya foi aprovada por suas "repetidas violações da Constituição e da lei" e por "seu desrespeito às ordens e decisões das instituições". Segundo os seus críticos, com a consulta, Zelaya pretendia instaurar a reeleição presidencial no país. As próximas eleições gerais serão em 29 de novembro.

Depois da saída de Zelaya do país, no Congresso de Honduras, um funcionário leu uma carta com a suposta renúncia, o que ele nega. Zelaya diz ter sido alvo de "complô da elite voraz"; e seu sucessor, Micheletti, diz que o golpe foi um "processo absolutamente legal".

Com agências internacionais

Comentários dos leitores
Santos Júnior (307) 27/11/2009 00h28
Santos Júnior (307) 27/11/2009 00h28
De um lado o Foro de São Paulo que esbraveja e ameaça não reconhecer as eleições em Honduras porque sofreu uma baixa com a queda do Zé-laya;do outro lado o país mais rico do mundo que reintera reconhecer o resultado destas eleições.Então eu pergunto o que será dos hondurenhos se o foro não reconhecer o pleito rsrs?Já se torna bem óbvio que os hipócritas nada querem com o este povo nem com povo algum, o fato é que com a perda de terreno que vem desde a rasteira no leste europeu, sentem que o ossinho suculento pode não estar tão suculento assim, esta retomada pode custar bem caro, principalmente com a presença MUITO BEM VINDA dos americanos.É neste sentido que as FARCS patrocinam campanhas do PT aqui no Brasil, a Venezuela patrocina os Kirchners lá na Argentina,enfim, o desespero tomou conta dos farsantes rsrs.O cinismo é misterioso, não é de fácil compreensão.Falam em golpe, em ditadura; ditadura em Honduras não pode,ditadura no Brasil também não, mas em Cuba pode rsrs, no Zimbábue ou na Líbia também pode rsrs, no Irã e suas eleições fraudulentas e suas perseguições a opositores, claro também pode rsrs.Lavagem cerebral na Venezuela também pode, mas só lá rsrs.Honduras é o maior exemplo "vivo" de que nem todos compactuam com a patifaria que segue "silenciosa" e que aos poucos vai avançando, mas é preciso ficarem atentos porque tem gente bem próximo de olho rs! sem opinião
avalie fechar
As eleições em honduras vão se realizar e não adianta Lula e amorin, chiar. Quase rimou, mas o que não rima é os dois dizerem que o Brasil não vai reconhecer a validade das eleições. Ah, Ah, Ah, tem que rir, porque essa é uma dupla parada dura, que me desculpe o Cleone, da original "Parada Dura", muito boa, por sinal. Com tantos problemas para ser resolvidos no Brasil, do apagão às enchentes, a dengue, a criminalidade, a "buraculosidade" das estradas, etc, etc, vem esses dois puxar ponta contra as eleições em Honduras. Tenham paciência, "largamão" de serem chatos de galocha. Reconhecerem ou não, não vai mudar nada em Honduras, muito pelo contrário, vai mudar sim, o Zelaya da embaixada. Êta gente ignorante, siô! sem opinião
avalie fechar
Santos Júnior (307) 26/11/2009 23h57
Santos Júnior (307) 26/11/2009 23h57
o que é preciso para Honduras ter sua soberania de volta é que a maior potência do mundo e seus aliados reconheçam as eleições próximas daquele país.O resto é conversa de mané derrotado!! sem opinião
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (4644)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca