Governo de Honduras bloqueia retorno de Zelaya; presidente pede que "baixem rifles"
da Folha Online
Os líderes do governo interino de Honduras ordenaram que o Exército ocupasse as pistas do aeroporto da capital, Tegucigalpa, e impediram o retorno do presidente deposto, Manuel Zelaya, pouco mais de uma semana depois de um golpe de Estado que o impediu de realizar referendo por uma mudança na Constituição que permitiria a reeleição. O avião de Zelaya teve que seguir para Nicarágua, onde se reuniu com líderes da OEA (Organização dos Estados Americanos) para discutir a crise no país.
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Milhares de manifestantes favoráveis ao seu retorno entraram em confronto com a polícia e os soldados no aeroporto, deixando ao menos um morto e dezenas de feridos. A agência France Presse e alguns jornais internacionais falam em dois mortos.
| Eduardo Verdugo/AP |
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| Manifestantes favoráveis ao presidente Zelaya comemoram quando veem seu avião |
Zelaya viajou de volta a Honduras, em um avião emprestado por seu aliado, o presidente venezuelano Hugo Chávez, em uma tentativa de mobilizar seus seguidores e exigir a restituição de seu poder das instituições --Exército, Congresso e a Suprema Corte-- que o derrubaram em um golpe de Estado no último dia 28 de junho.
Em uma operação acompanhada de perto pela comunidade internacional, unânime em condenar o golpe, o Exército hondurenho bloqueou a pista do aeroporto de Toncontin com caminhões para impedir o pouso do avião Falcon.
Após a tentativa frustrada de retornar ao país, Zelaya passou pela Nicarágua para um encontro com o colega Daniel Ortega e seguiu para El Salvador, onde exigiu que as Forças Armadas não reprimam ainda mais o povo hondurenho.
"Os criminosos não podem dirigir um país", afirmou Zelaya, ao lado do presidente salvadorenho Mauricio Funes, da presidente argentina Cristina Kirchner, do paraguaio Fernando Lugo e do equatoriano Rafael Correa.
"Apelo às Forças Armadas de Honduras que baixem seus rifles'" declarou Zelaya.
Zelaya ainda não anunciou seus próximos passos. Ele deixou Washington no sábado (4), depois que a OEA suspendeu Honduras da carta democrática da instituição pelo rompimento da ordem constitucional.
O secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, anunciou que pretende prosseguir com as gestões diplomáticas para alcançar o objetivo de "cumprir as normas que todos os países adotaram".
Os jornais hondurenhos, favoráveis ao novo governo, destacam que Zelaya ignorou o apelo de 25 dos 33 países da organização para que não retornasse a Honduras e o responsabilizam pela violência que acabou na morte de Isis Obed Murillo, 19.
Os manifestantes pretendem prosseguir com os protestos nesta segunda-feira, à espera do retorno de Zelaya.
Investigação
| Oscar Rivera/Efe |
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| Presidente deposto, Manuel Zelaya, não pode retornar a Honduras sob ameaças do Exército |
A polícia hondurenha disse nesta segunda-feira que averiguará os confrontos com os manifestantes pró-Zelaya que deixaram um morto e pelo menos dez feridos.
"Foram ordenadas as investigações que nos permitam estabelecer a clareza dos fatos", disse o porta-voz da polícia, Héctor Iván Mejía, em uma declaração transmitida a todo o país por rádio e televisão na qual não foram divulgados dados de mortos ou feridos.
Na comunicação, Mejía afirmou que houve "uma manifestação popular na qual se expressava o apoio ao ex-presidente José Manuel Zelaya" em frente ao aeroporto Toncontín de Tegucigalpa.
Mejía disse que aconteceu um "confronto entre a autoridade e os manifestantes com resultados ainda não constatados".
Ele acrescentou que a polícia lamenta os fatos ocorridos como consequência destes distúrbios e apelou à população para se abster de promover "a desordem e a intranquilidade".
Brecha
O presidente designado pelo Congresso hondurenho, Roberto Micheletti, abriu uma pequena brecha ao propor à OEA um diálogo de "boa fé" para tentar buscar uma saída à crise.
Ele já mencionou uma antecipação das eleições de 29 de novembro, já que as novas autoridades de Tegucigalpa estão convencidas de que o que aconteceu semana passada não foi um golpe de Estado e sim uma sucessão constitucional, que pretendia impedir Zelaya de organizar um referendo popular para modificar a Constituição.
Micheletti acusou a Nicarágua de movimentar tropas para a fronteira, o que Ortega negou de modo veemente.
Golpe
Zelaya foi derrubado do poder neste domingo (28) em um golpe orquestrado pela Justiça e pelo Congresso e executado por militares, que o expulsaram para a Costa Rica. O golpe foi realizado horas antes do início de uma consulta popular sobre uma reforma na Constituição que tinha sido declarada ilegal pelo Parlamento e pela Corte Suprema.
"Fui retirado da minha casa de forma brutal, sequestrado por soldados encapuzados que me apontavam rifles", contou o presidente deposto, após chegar ao exílio na Nicarágua.
"Diziam: "se não soltar o celular, atiramos". Todos apontando para minha cara e o meu peito. [...] Em forma muito audaz eu lhes disse: 'se vocês vêm com ordem de disparar, disparem, não tenho problema de receber, dos soldados da minha pátria, uma ofensa a mais ao povo, porque o que estão fazendo é ofender o povo"."
De acordo com os parlamentares hondurenhos, a deposição de Zelaya foi aprovada por suas "repetidas violações da Constituição e da lei" e por "seu desrespeito às ordens e decisões das instituições". Segundo os seus críticos, com a consulta, Zelaya pretendia instaurar a reeleição presidencial no país. As próximas eleições gerais serão em 29 de novembro.
Depois da saída de Zelaya do país, no Congresso de Honduras, um funcionário leu uma carta com a suposta renúncia, o que ele nega. Zelaya diz ter sido alvo de "complô da elite voraz"; e seu sucessor, Micheletti, diz que o golpe foi um "processo absolutamente legal".
Com agências internacionais
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