Mundo
06/07/2009 - 07h54

Confronto em protesto mata 140 na China; na Itália, presidente ignora violência

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da Folha Online

O presidente da Itália, Giorgio Napolitano, lembrou nesta segunda-feira ao presidente da China, Hu Jintao, que o desenvolvimento econômico impõe "novas exigências" no campo dos direitos humanos. O discurso veio horas depois de confrontos entre polícia e manifestantes da minoria étnica uigur no oeste da China deixou ao menos 140 mortos e 828 feridos na Província de Xinjiang, de maioria muçulmana.

O protesto contra discriminação começou pacificamente neste domingo (5) contra a morte de dois uigures em uma fábrica de brinquedos do sul do país, após eles terem sido linchados. Os uigures criticavam a discriminação por parte da etnia han, dominante no país. A manifestação rapidamente se tornou um confronto de civis contra policiais e militares.

AP
Centenas de manifestantes se reúnem em Urumqi, na Província de Xinjiang, oeste da China, para protestar
Centenas de manifestantes se reúnem em Urumqi, na Província de Xinjiang, oeste da China, para protestar

Napolitano afirmou, durante a reunião com Hu, que foi recebido na Itália com honras militares, que a Itália vê esta questão "com o máximo respeito" à "integridade e autonomia da China, e suas instituições representativas".

O presidente da China se reuniu com Napolitano no primeiro ato oficial de sua visita de Estado à Itália, a primeira em dez anos de um líder chinês.

Hu não fez nenhuma declaração sobre os distúrbios em Xinjiang. Ele afirmou apenas que a reunião com Napolitano se desenvolveu em um ambiente "amigável, sincero e profundo".

Segundo a agência de notícias Xinhua, entre 1.000 e 3.000 pessoas saíram às ruas de Urumqi (3.270 km de Pequim), capital da região autônoma de Xinjiang, para protestar contra a morte dos dois uigures.

A manifestação rapidamente se tornou um ato de vandalismo na cidade. Redes de TV chinesas mostram os manifestantes quebrando lojas e queimando carros da cidade. Wu Nong, diretor do departamento de imprensa do governo local, informou que 260 veículos foram atacados e 203 casas ou lojas ficaram destruídas.

A polícia e militares do Exército chinês foram chamados para conter a manifestação. Segundo os civis, o grupo foi duramente reprimido pela polícia antes de começarem os episódios de violência. Os manifestantes acusam a polícia de atirar indiscriminadamente contra os civis.

"Ficamos extremamente preocupados com esse uso da força pelas forças de segurança chinesas contra manifestantes pacíficos", afirmou Alim Seytoff, vice-presidente da associação uigur americana, em Washington. "Pedimos que a comunidade internacional condene as mortes de uigures inocentes."

Separatistas

O governo chinês diz que o levante foi incentivado por grupos separatistas exilados que subverteram a ordem na região. "Depois do incidente [na fábrica], as forças externas acharam um motivo para nos atacar, incitando estes protestos de rua", afirmou Nuer Baikeli, governador de Xinjiang.

A polícia divulgou nesta segunda-feira que ao menos dez pessoas foram presas acusadas de incitar os protestos. Foi decretado toque de recolher na região e "agora a situação está sob controle", informou nota da polícia.

A cidade, com população de 2,3 milhões de pessoas, é o local de maior concentração da população muçulmana na China. Os uigures são uma minoria predominantemente muçulmana.

Muitos reclamam que estão sendo marginalizados econômica e politicamente em suas próprias terras, que possui ricas reservas de gás natural e minerais. Há entre 15 milhões e 20 milhões de islâmicos na China, quase a metade em Xinjiang. Os chineses da etnia han formam cerca 91,5% da população do país.

Viagem

Napolitano informou que Hu convidou-o a visitar China no ano que vem, para celebrar os 40 anos das relações diplomáticas entre os dois países.

O presidente da China foi à reunião com Napolitano acompanhado da mulher, Liu Yongqing, que foi recebida pela esposa do presidente da Itália, Clio Napolitano.

Depois da visita de Estado, que terminará amanhã, Hu assistirá à cúpula do Grupo dos Oito (G8, os sete países mais desenvolvidos e a Rússia) em Áquila, na qual a China participará junto com outras economias emergentes, como Brasil, Índia e México.

Hu viajou à Itália acompanhado de 300 empresários chineses, para buscar laços de cooperação em campos como o comércio, a economia, o turismo, a cultura e a proteção ao meio ambiente.

Com agências internacionais

 

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