Confronto em protesto mata 140 na China; na Itália, presidente ignora violência
da Folha Online
O presidente da Itália, Giorgio Napolitano, lembrou nesta segunda-feira ao presidente da China, Hu Jintao, que o desenvolvimento econômico impõe "novas exigências" no campo dos direitos humanos. O discurso veio horas depois de confrontos entre polícia e manifestantes da minoria étnica uigur no oeste da China deixou ao menos 140 mortos e 828 feridos na Província de Xinjiang, de maioria muçulmana.
O protesto contra discriminação começou pacificamente neste domingo (5) contra a morte de dois uigures em uma fábrica de brinquedos do sul do país, após eles terem sido linchados. Os uigures criticavam a discriminação por parte da etnia han, dominante no país. A manifestação rapidamente se tornou um confronto de civis contra policiais e militares.
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| Centenas de manifestantes se reúnem em Urumqi, na Província de Xinjiang, oeste da China, para protestar |
Napolitano afirmou, durante a reunião com Hu, que foi recebido na Itália com honras militares, que a Itália vê esta questão "com o máximo respeito" à "integridade e autonomia da China, e suas instituições representativas".
O presidente da China se reuniu com Napolitano no primeiro ato oficial de sua visita de Estado à Itália, a primeira em dez anos de um líder chinês.
Hu não fez nenhuma declaração sobre os distúrbios em Xinjiang. Ele afirmou apenas que a reunião com Napolitano se desenvolveu em um ambiente "amigável, sincero e profundo".
Segundo a agência de notícias Xinhua, entre 1.000 e 3.000 pessoas saíram às ruas de Urumqi (3.270 km de Pequim), capital da região autônoma de Xinjiang, para protestar contra a morte dos dois uigures.
A manifestação rapidamente se tornou um ato de vandalismo na cidade. Redes de TV chinesas mostram os manifestantes quebrando lojas e queimando carros da cidade. Wu Nong, diretor do departamento de imprensa do governo local, informou que 260 veículos foram atacados e 203 casas ou lojas ficaram destruídas.
A polícia e militares do Exército chinês foram chamados para conter a manifestação. Segundo os civis, o grupo foi duramente reprimido pela polícia antes de começarem os episódios de violência. Os manifestantes acusam a polícia de atirar indiscriminadamente contra os civis.
"Ficamos extremamente preocupados com esse uso da força pelas forças de segurança chinesas contra manifestantes pacíficos", afirmou Alim Seytoff, vice-presidente da associação uigur americana, em Washington. "Pedimos que a comunidade internacional condene as mortes de uigures inocentes."
Separatistas
O governo chinês diz que o levante foi incentivado por grupos separatistas exilados que subverteram a ordem na região. "Depois do incidente [na fábrica], as forças externas acharam um motivo para nos atacar, incitando estes protestos de rua", afirmou Nuer Baikeli, governador de Xinjiang.
A polícia divulgou nesta segunda-feira que ao menos dez pessoas foram presas acusadas de incitar os protestos. Foi decretado toque de recolher na região e "agora a situação está sob controle", informou nota da polícia.
A cidade, com população de 2,3 milhões de pessoas, é o local de maior concentração da população muçulmana na China. Os uigures são uma minoria predominantemente muçulmana.
Muitos reclamam que estão sendo marginalizados econômica e politicamente em suas próprias terras, que possui ricas reservas de gás natural e minerais. Há entre 15 milhões e 20 milhões de islâmicos na China, quase a metade em Xinjiang. Os chineses da etnia han formam cerca 91,5% da população do país.
Viagem
Napolitano informou que Hu convidou-o a visitar China no ano que vem, para celebrar os 40 anos das relações diplomáticas entre os dois países.
O presidente da China foi à reunião com Napolitano acompanhado da mulher, Liu Yongqing, que foi recebida pela esposa do presidente da Itália, Clio Napolitano.
Depois da visita de Estado, que terminará amanhã, Hu assistirá à cúpula do Grupo dos Oito (G8, os sete países mais desenvolvidos e a Rússia) em Áquila, na qual a China participará junto com outras economias emergentes, como Brasil, Índia e México.
Hu viajou à Itália acompanhado de 300 empresários chineses, para buscar laços de cooperação em campos como o comércio, a economia, o turismo, a cultura e a proteção ao meio ambiente.
Com agências internacionais
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