Mundo
06/07/2009 - 08h33

Governo Lula teme que crise em Honduras atrapalhe Obama

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da Folha Online

A crise causada pelo golpe de Estado que derrubou o presidente eleito, Manuel Zelaya, do governo de Honduras preocupa o governo brasileiro não apenas pela instabilidade decorrente, mas pelos presumíveis prejuízos para a política norte-americana na América Latina.

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Reportagem publicada pela Folha nesta segunda-feira afirma que a tese da diplomacia brasileira faz sentido já que, quando a Assembleia Geral da OEA (Organização dos Estados Americanos) discutia, no início de junho, a revogação da punição a Cuba (que acabou aprovada), o presidente Barack Obama ligou para seu colega Luiz Inácio Lula da Silva para informar-se melhor da posição brasileira.

A íntegra está disponível apenas para assinantes do jornal e do UOL.

O governo brasileiro sente que Obama ficará sob pressão para não normalizar as relações com Cuba, a partir do paradigma hondurenho. Assim, se o americano for duro com Honduras, como o Itamaraty acha que vem sendo, a direita nos Estados Unidos exigirá a mesma dureza em relação a Cuba.

A reintegração de Cuba, como ficou evidente nas recentes cúpulas latino-americanas, é considerada a pedra de toque para a mudança nas relações América Latina-Washington, prometida por Obama.

O que agrava o incômodo do Brasil com a situação em Honduras é que não está à mão um instrumento, além da punição já anunciada pela OEA, para restabelecer a normalidade no país centro-americano.

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Calcula-se na diplomacia brasileira que o único caminho que pode conduzir a uma saída seria a realização das eleições presidenciais, marcadas para novembro antes do golpe e mantidas pelo menos verbalmente depois dele.

Golpe

Zelaya foi derrubado do poder neste domingo (28) em um golpe orquestrado pela Justiça e pelo Congresso e executado por militares, que o expulsaram para a Costa Rica. O golpe foi realizado horas antes do início de uma consulta popular sobre uma reforma na Constituição que tinha sido declarada ilegal pelo Parlamento e pela Corte Suprema.

"Fui retirado da minha casa de forma brutal, sequestrado por soldados encapuzados que me apontavam rifles", contou o presidente deposto, após chegar ao exílio na Nicarágua.

"Diziam: "se não soltar o celular, atiramos". Todos apontando para minha cara e o meu peito. [...] Em forma muito audaz eu lhes disse: 'se vocês vêm com ordem de disparar, disparem, não tenho problema de receber, dos soldados da minha pátria, uma ofensa a mais ao povo, porque o que estão fazendo é ofender o povo"."

De acordo com os parlamentares hondurenhos, a deposição de Zelaya foi aprovada por suas "repetidas violações da Constituição e da lei" e por "seu desrespeito às ordens e decisões das instituições". Segundo os seus críticos, com a consulta, Zelaya pretendia instaurar a reeleição presidencial no país. As próximas eleições gerais serão em 29 de novembro.

Depois da saída de Zelaya do país, no Congresso de Honduras, um funcionário leu uma carta com a suposta renúncia, o que ele nega. Zelaya diz ter sido alvo de "complô da elite voraz"; e seu sucessor, Micheletti, diz que o golpe foi um "processo absolutamente legal".

Comentários dos leitores
Santos Júnior (304) 24/11/2009 23h59
Santos Júnior (304) 24/11/2009 23h59
Por falar em MST, o apoio do governo aos interesses meramente ideológicos chegou ao extremo.Numa certa invasão, os militantes sem-terras mataram 4 seguranças da fazenda invadida.Questionado a respeito do ocorrido, o nosso Ministro da Justiça Tarso Genro diz que "mataram para se defenderem" e que este ato em si significa a luta para garantia de seus direitos!Daqui a pouco qualquer bandidinho comunista que sair matando mundo afora vai receber asilo político aqui no Brasil, o que já está acontecendo...Oh Brasil sem jeito !! sem opinião
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Leon Diniz Diniz (410) 24/11/2009 21h53
Leon Diniz Diniz (410) 24/11/2009 21h53
Caríssimo Antonio Gilson de Oliveira, não tenho por habito comentar os post dos colegas que aqui escrevem. Eu já tinha até dado por encerrado fazer qualquer comentário sobre o caso Honduras que foi a meu sentir, um dos piores equívocos diplomáticos do governo Lula em toda sua administração. Permita-me tomar a liberdade de escrever para parabeniza-lo, pelo ato patriótico, lição de civismo e contribuição para a compreensão do que pode um brasileiro indignado fazer após ver a quebra da ordem estabelecida pela nossa Carta Mágna e a violação ao princípio de não ingerência na liberdade, independência e soberania de outras nações. É bom que se frise, o seu gesto patriótico não foi contra a pessoa do Lula, pois este um dia passará como passam todos os governos. Sua atitude, Antonio Gilson foi a favor do Brasil e do respeito e admiração que a nossa Pátria sempre despertou nas outras nações. Parabéns, e obrigado pela sua contribuição à democracia. sem opinião
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eduardo de souza (484) 24/11/2009 18h28
eduardo de souza (484) 24/11/2009 18h28
Já ouvi essa conversa de desarmar a população. Não deu certo aqui no Brasil. Por que acham que irá dar certo em Honduras. Outra coisa, se as ações do governo golpista estão fundamentadas no apoio da população, porque fechar canais de tv e rádios, decretar toque de recolher e o mais recente a "tentativa de desarmar a população". Agora talvez alguns leitores percebam que o que aconteceu em Honduras não foi correto e nem tampouco apoiado pela população. Honduras ainda escreverá muita história para ser exemplo na Am. Latina. Talvez entendam de uma vez por todas que não é mais suportável, suportar que uma pequena classe privilegiada, controlem o destino de muitos. Quem não entende pelo amor, na dor, não volta a cometer o mesmo erro. 1 opinião
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