Mundo
06/07/2009 - 10h24

Honduras impede retorno de Zelaya e adverte Nicarágua sobre tropas na fronteira

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da Folha Online

O governo interino de Honduras impediu neste domingo o retorno anunciado do presidente deposto, Manuel Zelaya, em uma medida que causou protestos da população hondurenha e confrontos que deixaram ao menos um morto e dezenas de feridos. Novos protestos estão previstos para esta segunda-feira em meio à tensão entre o novo presidente do país, Roberto Micheletti, e a vizinha Nicarágua, a quem acusa de mobilizar as tropas na fronteira.

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Rodrigo Abd/AP
Manifestante pró-Zelaya tenta controlar multidão depois que soldados abriram fogo
Manifestante pró-Zelaya tenta controlar multidão depois que soldados abriram fogo

Isolado pela comunidade internacional, Honduras endureceu o tom contra os países que pretendem interferir no que classifica como assunto interno e advertiu à vizinha Nicarágua, aliada de Zelaya, que as tropas nicaraguenses não cruzem a fronteira, porque o país estaria disposto a se defender.

O presidente interino, Roberto Micheletti, afirmou em rede nacional de rádio e TV que seu governo teria detectado movimentos de pequenos grupos na Nicarágua, perto da fronteira.

"Eu quero respeitosamente pedir ao governo da Nicarágua, aos irmãos nicaraguenses, que não se atrevam a cruzar nossa fronteira, porque estamos dispostos a defendê-la", declarou Micheletti.

Os grupos citados, no entanto, não chegaram a cruzar a fronteira, segundo o presidente interino.

O Exército da Nicarágua afirmou ser "totalmente falso" que tropas estejam se movimentando na fronteira, segundo um porta-voz. O governo do presidente Daniel Ortega também negou a acusação.

Liderança

Dois dias depois da OEA (Organização dos Estados Americanos) suspender Honduras do grupo em represália ao golpe de Estado que derrubou Zelaya, no último dia 28, o secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban Ki-moon, pediu à organização que assuma um papel de liderança para que se alcance uma solução pacífica que restaure a ordem constitucional em Honduras.

A OEA decidiu suspender Honduras em uma sessão extraordinária da Assembleia Geral, com 33 votos a favor e uma abstenção --a da própria Honduras. a suspensão foi a reação da OEA ao descumprimento do país centro-americano de um ultimato de 72 horas --que expirava no sábado (4)-- para a restituição de Zelaya.

Com a medida, a OEA pretende isolar o empobrecido país e usar a (falta de) ajuda internacional para pressionar por uma solução.

"Qualquer mudança de poder inconstitucional não é aceitável", disse Ban, que também condenou o golpe, em uma coletiva de imprensa em Genebra. "Espero que a OEA neste momento assuma o papel necessário de liderança para que se encontre uma solução pacífica para esta questão, de forma que a ordem constitucional seja restaurada", disse.

Tropas

O presidente deposto tentou pousar em Tegucigalpa no domingo em um voo que partiu de Washington, mas conflitos entre seus partidários e as tropas do governo no aeroporto forçaram-o a cancelar seu plano. Zelaya foi detido em casa por militares no dia 28 de junho e mandado para fora do país.

Ban disse que todos os cidadãos deveriam ter a permissão de expressar suas visões livremente sem estarem sujeitos a ameaças ou força física.

A responsabilidade do novo governo hondurenho de Roberto Micheletti, segundo Ban, "é proteger a vida humana e a segurança de todos seus cidadãos" --um discurso realizado depois da morte de um jovem durante os enfrentamentos entre militares e simpatizantes de Zelaya.

Sobre a conveniência de Zelaya voltar a Honduras, Ban respondeu que "o princípio fundamental da democracia é que, quando um líder foi eleito por um procedimento constitucional, sua autoridade e mandato como líder de um país devem ser protegidos".

Em uma operação acompanhada de perto pela comunidade internacional, unânime em condenar o golpe, o Exército hondurenho bloqueou a pista do aeroporto de Toncontin com caminhões para impedir o pouso do avião Falcon, de propriedade da Venezuela, que trazia Zelaya.

Após a tentativa frustrada de retornar ao país, Zelaya passou pela Nicarágua para um encontro com o colega Daniel Ortega e seguiu para El Salvador, onde exigiu que as Forças Armadas não reprimam ainda mais o povo hondurenho.

Zelaya ainda não anunciou seus próximos passos. Ele deixou Washington no sábado (4), depois que a OEA suspendeu Honduras da carta democrática da instituição pelo rompimento da ordem constitucional.

Golpe

Zelaya foi derrubado do poder neste domingo (28) em um golpe orquestrado pela Justiça e pelo Congresso e executado por militares, que o expulsaram para a Costa Rica. O golpe foi realizado horas antes do início de uma consulta popular sobre uma reforma na Constituição que tinha sido declarada ilegal pelo Parlamento e pela Corte Suprema.

"Fui retirado da minha casa de forma brutal, sequestrado por soldados encapuzados que me apontavam rifles", contou o presidente deposto, após chegar ao exílio na Nicarágua.

"Diziam: "se não soltar o celular, atiramos". Todos apontando para minha cara e o meu peito. [...] Em forma muito audaz eu lhes disse: 'se vocês vêm com ordem de disparar, disparem, não tenho problema de receber, dos soldados da minha pátria, uma ofensa a mais ao povo, porque o que estão fazendo é ofender o povo"."

De acordo com os parlamentares hondurenhos, a deposição de Zelaya foi aprovada por suas "repetidas violações da Constituição e da lei" e por "seu desrespeito às ordens e decisões das instituições". Segundo os seus críticos, com a consulta, Zelaya pretendia instaurar a reeleição presidencial no país. As próximas eleições gerais serão em 29 de novembro.

Depois da saída de Zelaya do país, no Congresso de Honduras, um funcionário leu uma carta com a suposta renúncia, o que ele nega. Zelaya diz ter sido alvo de "complô da elite voraz"; e seu sucessor, Micheletti, diz que o golpe foi um "processo absolutamente legal".

Com agências internacionais

Comentários dos leitores
hugo chavez (141) 14/11/2009 16h40
hugo chavez (141) 14/11/2009 16h40
Fica claro que pouco a pouco a "grande mídia" vai "aliviando" o tema do golpe de Estado em Honduras tornando-o mais palatável e agradando aquela minoria que pertence à pseudo elite e tem medo dos "comunistas" rsrs. Por esta e por outras é que existe um amplo movimento mundial de descrédito da mídia. Na América latina já estão sendo tomadas medidas para impedir o contole da "grande mídia" por representantes do "grupo" que a controla no mundo todo, ditando a "verdade". Vai acabar aquela incrível "coincidência" que permite que quase todos os órgãos da "grande mídia" interpretem a "notícia" da mesmíssima forma rsrs. De preferência exaltando as "qualidades" do eixo do mal eua-inglaterra-sionistas e dos seus países lacaios. existem medidas neste sentido no Equador, na Venezuela, na Argentina e esperamos que esta deturpação seja banida tb aqui do Brasil. É preciso haver espaço para opiniões diferentes na "grande mídia" e não o monólogo que ocorre atualmente, onde TODOS "acham" a mesma coisa. Tipo israel está sempre certo e pode ter bombas atômicas e o Irã representa o "mal" e não pode ter energia nuclear rsrs. Por isso Lula tem ânsia ao ler estas lorotas. Mas, não é o único, O 3º presidente Americano Thomas Jefferson (1801-1809), foi um dos primeiros a expor abertamente sobre a desonestidade e corrupção da "grande mídia", dizendo "Nada que se vê publicado num "grande" jornal pode ter credibilidade. O que é posto como "verdade" torna-se imediatamente suspeito quando é publicado num veículo destes. sem opinião
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hugo chavez (141) 14/11/2009 15h58
hugo chavez (141) 14/11/2009 15h58
Meu colega de fórum. Talvez esteja faltando crédito rural pq sempre houve malversação de fundos na História deste país, ou talvez pq o pessoal esteja fazendo aquela manobra a que me referi, reaplicando o dinheiro com juros subsidiados em outras aplicações financeiras, em vez de aplicar no campo e na produção, como SEMPRE fizeram. Os trabalhadores e os acampados do MST vivem na miséria há décadas, muito antes da fundação do PT. Eles surgiram aqui e no mundo com a usura, a especulação e outras canalhices dos exploradores do tipo Rotchild. Ou os integrantes do MST eram milionários da época da Arena e do PSDB que empobreceram e ficaram sem suas terras no Governo do PT rsrs? O Tal agronegócio é um nome pomposo para definir a concenração de riquezas e lucros no setor agrário, beneficiando os grandes produtores e eliminando os pequenos, aqueles que lutam por sua subexistência. A mão de obra que vcs estão procurando não existe mais pq ninguém mais aceita ser escravo para encher o bolso do "patrão". Ou vc acha que vai passear de Cesna ou de KingAir, enquanto seu empregado vai tratar dos calos na mão rs? A visita de Shimom Peres só atraiu a "grande mídia" a serviço do "grupo". Na verdade, só demonstrou o desespero de um governo racista e acuado por todos os lados, inclusive acusado por crimes de guerra, que mantém os palestinos em campos de concentração, após se apropriar da sua Terra. A visita de Ahmadinejad sofrerá boicote da "mídia" a serviço do "grupo" e disso não há dúvidas, porém, vem para acrescentar algo ao povo brasileiro e iraniano e não para sugar. Repudio totalmente a doutrina racista sionista, assim como tanta gente mundo afora, inclusive muitos judeus. Hugo Chávez está mais em alta do que nunca, exceto na "grande mídia" rsrs. Ele é uma referência mundial para a Resistência, pela coragem de enfrentar o eixo eua-inglaterra-sionistas. Meu nome pode ser traduzido em várias línguas, inclusive o hebraico sem nenhum problema, afinal, não tenho nada contra a língua ou os judeus e sim contra a doutrina POLÌTICA racista e genocida que se chama SIONISMO, a qual é um desastre para a Humanidade e por conseqüência para os próprios judeus que são explorados para manter a eterna vitimização que dá carta branca à toda sujeira praticada pelos sionistas. sem opinião
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hugo chavez (141) 14/11/2009 15h33
hugo chavez (141) 14/11/2009 15h33
Os apátridas e os oportunistas agem da mesma forma onde quer que se encontrem.Seguem seu "próprio governo central" onde quer que se instalem com suas ventosas ávidas pelo ouro. Esta sede nunca se aplaca e é sua própria razão de existir. Que vida miserável, que existência desprezível. Talvez pior do que a daqueles que sugaram e condenaram a viver à margem da dignidade humana, com suas manobras rasteiras. Onde quer que estejam, torcem e lutam pelo colapso dos países, dos governos e dos povos, afinal, o objetivo é um só. Obter o ouro e continuar a manipulação exclusivamente em prol do seu grupo e dos seus lacaios (enquanto servirem aos seus interesses rsrs). É nítido como alguns obtém prazer com a desgraça e como corvos ou abutres, ficam à espreita. Com tudo isto, qual o sentimento que pode aflorar? Seja em Honduras, no Brasil, na Venezuela ou em qualquer outra parte, existem ratos que não param de roer, mas, o queijo está no fim. Outro ponto fundamental é que atualmente, estes ratos estão bem expostos e identificados e não conseguem mais ficar nas sombras e enviar seus asseclas para o trabalho sujo. Estão tendo que se expor e até mendigar apoio mundo afora, mas, como se sabe a História é cíclica e, portanto, tudo se repete. Pior do que um traidor da Pátria,é aquele que se une a ele e o apóia na sua jornada. Quando a casa cair de vez, não haverá lugar para os apátridas traidores e nem para quem os acolheu a troco das migalhas. É a Lei da vida e nada poderá deter o avanço da Resistência a partir do momento em que o povo de todo o mundo vem tomando consciência. Até no seio do eixo as contestações se avolumam a um patamar insustentável e o descontentamento desembocará na revolta. É esperar para ver. sem opinião
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