Honduras impede retorno de Zelaya e adverte Nicarágua sobre tropas na fronteira
da Folha Online
O governo interino de Honduras impediu neste domingo o retorno anunciado do presidente deposto, Manuel Zelaya, em uma medida que causou protestos da população hondurenha e confrontos que deixaram ao menos um morto e dezenas de feridos. Novos protestos estão previstos para esta segunda-feira em meio à tensão entre o novo presidente do país, Roberto Micheletti, e a vizinha Nicarágua, a quem acusa de mobilizar as tropas na fronteira.
Entenda a decisão da OEA contra Honduras
Entenda a crise política existente em Honduras
Golpe em Honduras repete roteiro do século 20
Sem apoio do partido, Zelaya espera reação popular
Veterano, Micheletti chega à Presidência após golpe
| Rodrigo Abd/AP |
![]() |
| Manifestante pró-Zelaya tenta controlar multidão depois que soldados abriram fogo |
Isolado pela comunidade internacional, Honduras endureceu o tom contra os países que pretendem interferir no que classifica como assunto interno e advertiu à vizinha Nicarágua, aliada de Zelaya, que as tropas nicaraguenses não cruzem a fronteira, porque o país estaria disposto a se defender.
O presidente interino, Roberto Micheletti, afirmou em rede nacional de rádio e TV que seu governo teria detectado movimentos de pequenos grupos na Nicarágua, perto da fronteira.
"Eu quero respeitosamente pedir ao governo da Nicarágua, aos irmãos nicaraguenses, que não se atrevam a cruzar nossa fronteira, porque estamos dispostos a defendê-la", declarou Micheletti.
Os grupos citados, no entanto, não chegaram a cruzar a fronteira, segundo o presidente interino.
O Exército da Nicarágua afirmou ser "totalmente falso" que tropas estejam se movimentando na fronteira, segundo um porta-voz. O governo do presidente Daniel Ortega também negou a acusação.
Liderança
Dois dias depois da OEA (Organização dos Estados Americanos) suspender Honduras do grupo em represália ao golpe de Estado que derrubou Zelaya, no último dia 28, o secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban Ki-moon, pediu à organização que assuma um papel de liderança para que se alcance uma solução pacífica que restaure a ordem constitucional em Honduras.
A OEA decidiu suspender Honduras em uma sessão extraordinária da Assembleia Geral, com 33 votos a favor e uma abstenção --a da própria Honduras. a suspensão foi a reação da OEA ao descumprimento do país centro-americano de um ultimato de 72 horas --que expirava no sábado (4)-- para a restituição de Zelaya.
Com a medida, a OEA pretende isolar o empobrecido país e usar a (falta de) ajuda internacional para pressionar por uma solução.
"Qualquer mudança de poder inconstitucional não é aceitável", disse Ban, que também condenou o golpe, em uma coletiva de imprensa em Genebra. "Espero que a OEA neste momento assuma o papel necessário de liderança para que se encontre uma solução pacífica para esta questão, de forma que a ordem constitucional seja restaurada", disse.
Tropas
O presidente deposto tentou pousar em Tegucigalpa no domingo em um voo que partiu de Washington, mas conflitos entre seus partidários e as tropas do governo no aeroporto forçaram-o a cancelar seu plano. Zelaya foi detido em casa por militares no dia 28 de junho e mandado para fora do país.
Ban disse que todos os cidadãos deveriam ter a permissão de expressar suas visões livremente sem estarem sujeitos a ameaças ou força física.
A responsabilidade do novo governo hondurenho de Roberto Micheletti, segundo Ban, "é proteger a vida humana e a segurança de todos seus cidadãos" --um discurso realizado depois da morte de um jovem durante os enfrentamentos entre militares e simpatizantes de Zelaya.
Sobre a conveniência de Zelaya voltar a Honduras, Ban respondeu que "o princípio fundamental da democracia é que, quando um líder foi eleito por um procedimento constitucional, sua autoridade e mandato como líder de um país devem ser protegidos".
Em uma operação acompanhada de perto pela comunidade internacional, unânime em condenar o golpe, o Exército hondurenho bloqueou a pista do aeroporto de Toncontin com caminhões para impedir o pouso do avião Falcon, de propriedade da Venezuela, que trazia Zelaya.
Após a tentativa frustrada de retornar ao país, Zelaya passou pela Nicarágua para um encontro com o colega Daniel Ortega e seguiu para El Salvador, onde exigiu que as Forças Armadas não reprimam ainda mais o povo hondurenho.
Zelaya ainda não anunciou seus próximos passos. Ele deixou Washington no sábado (4), depois que a OEA suspendeu Honduras da carta democrática da instituição pelo rompimento da ordem constitucional.
Golpe
Zelaya foi derrubado do poder neste domingo (28) em um golpe orquestrado pela Justiça e pelo Congresso e executado por militares, que o expulsaram para a Costa Rica. O golpe foi realizado horas antes do início de uma consulta popular sobre uma reforma na Constituição que tinha sido declarada ilegal pelo Parlamento e pela Corte Suprema.
"Fui retirado da minha casa de forma brutal, sequestrado por soldados encapuzados que me apontavam rifles", contou o presidente deposto, após chegar ao exílio na Nicarágua.
"Diziam: "se não soltar o celular, atiramos". Todos apontando para minha cara e o meu peito. [...] Em forma muito audaz eu lhes disse: 'se vocês vêm com ordem de disparar, disparem, não tenho problema de receber, dos soldados da minha pátria, uma ofensa a mais ao povo, porque o que estão fazendo é ofender o povo"."
De acordo com os parlamentares hondurenhos, a deposição de Zelaya foi aprovada por suas "repetidas violações da Constituição e da lei" e por "seu desrespeito às ordens e decisões das instituições". Segundo os seus críticos, com a consulta, Zelaya pretendia instaurar a reeleição presidencial no país. As próximas eleições gerais serão em 29 de novembro.
Depois da saída de Zelaya do país, no Congresso de Honduras, um funcionário leu uma carta com a suposta renúncia, o que ele nega. Zelaya diz ter sido alvo de "complô da elite voraz"; e seu sucessor, Micheletti, diz que o golpe foi um "processo absolutamente legal".
Com agências internacionais
Leia mais sobre a crise política em Honduras
- Governo Lula teme que crise em Honduras atrapalhe Obama
- Governo de Honduras bloqueia retorno de Zelaya; presidente pede que "baixem rifles"
- Zelaya lamenta morte de manifestante e pede fim da violência em Honduras
- Impedido de pousar em Honduras, presidente deposto segue para El Salvador
Veja outras notícias de Mundo
- Vice-presidente argentino lança candidatura para 2011
- Obama chega a Rússia para oficializar agenda de reaproximação
- Confronto em protesto mata 140 na China; na Itália, presidente ignora violência
Especial
- Veja o que há em nossos arquivos sobre Honduras
- Navegue no melhor roteiro de cultura e diversão da internet
Livraria



avalie fechar
avalie fechar
Caro Sr. FABRIZIO,
Na verdade, o território israelense só diminui. A maior parte do que os israelenses haviam ganho em guerras DEFENSIVAS (território ganho em guerra defensiva, ninguém é obrigado, legalmente, a devolver) eles devolveram: O Sinai, entregue ao Egito em troca unicamente de paz. Se houvesse perspectiva de paz, eles teriam entregue também todo o resto que ganharam SE DEFENDENDO. Os palestinos demonstram não quererem a paz, pois são incentivados por estrangeiros (o Brasil, inclusive) a rejeitar qualquer acordo. Mas, Israel está perto de fechar um acordo com os países árabes, excetuando-se a Síria e o Irã. A tendência desses dois países é sofrerem o isolamento regional. Por isso o presidente porralouca do Irã está se bandeando para a América do Sul. Aliás, entre os próprios árabes, há uma relação de ódio às vezes maior do que contra os judeus. E o Lula vai se meter nesse assunto, a mando do Chapolin, sem entender nada da complexa situação no Oriente Médio. Outro dia li um comentário de uma jovem que disse não entender a última do Lula: ele é contra Israel construir casas em terreno palestino, considerando Israel invasor e os palestinos, os invadidos. Portanto, ele é partidário das vítimas. Mas, aqui no Brasil ele ajuda os invasores (MST) e dá uma banana pros invadidos A jovem disse, arrematando, que não entende nada de coerência, assim como 80% dos brasileiros. Eu faço parte dos 20%. Um abraço. Fui.
avalie fechar