China culpa separatistas por morte de 140 em protesto; ONU pede cautela
da Folha Online
O governo chinês culpou exilados separatistas pelos confrontos entre manifestantes muçulmanos e a polícia que deixaram ao menos 140 mortos na capital da Província de Xinjiang, no noroeste da China, segundo dados oficiais. O secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban Ki-moon, pediu a Pequim e a qualquer outro país que sofre com violentos protestos que aja com "extrema cautela" em relação a seus cidadãos.
O protesto começou pacificamente neste domingo (5). Os manifestantes criticavam a morte de dois uigures em uma fábrica de brinquedos do sul do país, após eles terem sido linchados. Os uigures criticavam ainda discriminação por parte da etnia han, dominante no país. A manifestação rapidamente se tornou um confronto de civis contra policiais e militares, que deixou 828 feridos na Província de maioria muçulmana.
| Reuters |
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| Foto publicada no Twitter mostra manifestantes uigures em protesto em Província na China |
Ban afirmou que a ONU é muito clara ao reiterar que os governos precisam agir para a proteção dos direitos de seus cidadãos nestes protestos.
"Nós vimos muitos assuntos domésticos violentos em todo o mundo", disse a repórteres em Genebra, quando questionado sobre os protestos na China.
Ele afirmou que todas as diferenças de opinião, sejam domésticas pui internacionais, precisam ser resolvidas de maneira pacífica, através do diálogo --um recado indireto ao governo interino de Honduras, que reprime com violência os protestos pela volta do seu presidente deposto, Manuel Zelaya.
"Os governos precisam exercer cuidado extremo e tomar as medidas necessárias para proteger a vida e a segurança da população civil e seus cidadãos", disse Ban, acrescentando que os países devem proteger ainda a liberdade de expressão, assembleia e informação.
"Este é o princípio básico da democracia e isso é o que peço a todos os países do mundo", disse.
Protestos
Centenas de manifestantes foram presos, de acordo com a agência de notícias oficial Xinhua, após os uigures terem tomado as ruas da capital regional, no domingo, incendiando e quebrando veículos e enfrentando as tropas do governo.
A rede de TV estatal chinesa mostrou imagens dos manifestantes atirando pedras contra os policiais e virando um carro de polícia, e também cenas de fumaça saindo de veículos queimados.
A polícia e militares do Exército chinês foram chamados para conter a manifestação. Segundo os civis, o grupo foi duramente reprimido pela polícia antes de começarem os episódios de violência. Os manifestantes acusam a polícia de atirar indiscriminadamente contra os civis.
A violência reforça a instabilidade étnica que acompanha o crescimento econômico nas fronteiras ocidentais da China. Mas analistas independentes disseram que os problemas na região rica em recursos não deve causar impacto na economia chinesa devido ao acesso limitado à região.
Uma autoridade do governo chinês disse que as manifestações tinham sido planejadas por forças extremistas do exterior.
Moradores de Urumqi, capital de Xinjiang, relatam não ter acesso à Internet nesta segunda-feira. "A cidade está basicamente sob lei marcial", disse por telefone Yang Jin, um vendedor de frutas secas.
A cidade, com população de 2,3 milhões de pessoas, é o local de maior concentração da população muçulmana na China. Os uigures são uma minoria predominantemente muçulmana.
Muitos reclamam que estão sendo marginalizados econômica e politicamente em suas próprias terras, que possui ricas reservas de gás natural e minerais. Há entre 15 milhões e 20 milhões de islâmicos na China, quase a metade em Xinjiang. Os chineses da etnia han formam cerca 91,5% da população do país.
Silêncio
O presidente chinês, Hu Jintao, que está na Itália para a reunião do G8, ignorou os protestos no seu país e manteve o silêncio mesmo sob o recado de seu colega italiano, Giorgio Napolitano, de que o país deveria respeitar os direitos humanos.
Depois de assinar acordos de cooperação econômica, Hu e o premiê italiano, Silvio Berlusconi, fizeram uma entrevista coletiva na qual e restringiram a temas do G8 e relações bilaterais.
Depois dos discursos iniciais dos dois líderes, Berlusconi afirmou estar "sob ordens" para permitir apenas uma questão dos jornalistas para Hu e uma para si mesmo. As questões feitas não tinham relação com os protestos.
Mais cedo, após a reunião de Hu com Napolitano, o presidente italiano afirmou que ambos concordaram que "o desenvolvimento econômico e o progresso social que a China realiza passam pelo desafio de novas exigências em temas de direitos humanos."
Com Reuters e Associated Press
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