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06/07/2009 - 11h31

"Estávamos errados", disse McNamara, "arquiteto" da guerra do Vietnã

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colaboração para a Folha Online

Robert McNamara, o ex-secretário de Defesa dos Estados Unidos que "arquitetou" o envolvimento do país na Guerra do Vietnã (1959-1975), chegou a admitir --vinte anos após o fim do conflito-- que ele e outras pessoas do governo americano erraram.

Ele morreu nesta segunda-feira aos 93 anos enquanto dormia em sua casa em Washington.

Harvey Georges/AP
Ex-secretário de Defesa dos EUA Robert McNamara, em foto de 1961
Ex-secretário de Defesa dos EUA Robert McNamara, em foto de 1961

McNamara foi secretário de Defesa por sete anos, entre 1961 e 1968, nas administrações dos presidentes John F. Kennedy (1961-1963) e Lyndon Johnson (1963-69).

Apesar de todos os seus esforços, ele sempre foi associado com a Guerra do Vietnã, o único conflito em que os EUA participaram que terminou em retirada ao invés de vitória.

Conhecido por sua fixação em análise estatística, McNamara foi recrutado em 1961 para comandar o Pentágono pelo então presidente John F. Kennedy. Ele ficou no cargo por sete anos, mais tempo que qualquer outra pessoa desde que o posto foi criado, em 1947.

Sua associação com o Vietnã se tornou intensamente pessoal. Seu filho, que estudava na Universidade de Stanford, protestou contra o conflito ao mesmo tempo que o pai estava levando ele adiante.

Cerca vez, na Universidade de Harvard, McNamara teve de fugir de estudantes mobilizados através de túneis subterrâneos.

Depois de deixar o Pentágono --quando estava à beira de um colapso nervoso--, em 1968, ele se tornou presidente do Banco Mundial e devotou suas energias à crença de que melhorar a vida de comunidades rurais existentes em países em desenvolvimento era um caminho mais promissor à paz do que a construção de armas e exércitos.

Sendo uma pessoa reservada, por muitos anos o ex-secretário da Defesa se recusou a escrever suas memórias. Mas, no início da década de 90, ele começou a se abrir.

Em 1991, ele disse à revista americana "Time" que não acreditava que o bombardeamento do Vietnã --a maior campanha do tipo na a história até aquele momento-- iria funcionar mas que ele continuou com a operação "porque ele tinha que tentar provar que não iria funcionar, número um, e [porque] outras pessoas achavam que iriam funcionar".

Memórias

Finalmente, em 1993, após o final da Guerra Fria, ele se comprometeu a escrever suas memórias porque algumas das lições do Vietnã eram aplicáveis ao período, segundo ele.

"In Retrospect: The Tragedy and Lessons of Vietnam" ("Em Retrospecto: A Tragédia e as Lições do Vietnã", em tradução livre), foi publicado em 1995.

No livro, McNamara revelou que até 1967 ele tinha dúvidas profundas sobre o Vietnã --até então ele havia perdido a fé na capacidade americana de vencer uma insurgência guerrilheira que havia levado os franceses a sair do mesmo país.

Apesar dessas dúvidas, ele continuou a expressar confiança que a aplicação de suficiente poder de fogo americano poderia levar os comunistas a fazer a paz.

Naquele período, o número de soldados dos EUA mortos, desaparecidos ou feridos passou de 7.466 para mais de 100 mil.

"Nós, das administrações [John F.] Kennedy e [Lyndon] Johnson, agimos de acordo com que o pensávamos ser os princípios e tradições de nosso país. Mas estávamos errados. Estávamos terrivelmente errados", disse McNamara em um entrevista na época à agência de notícias Associated Press.

McNamara esteve entre ex-secretários de Defesa e de Estado que em 2006 se reuniram duas vezes com o presidente George W. Bush (2001-2009) para discutir as políticas da guerra do Iraque.

Na administração de Kennedy, ele foi uma das figuras principais na desastrosa invasão da Baía dos Porcos, em abril de 1961, e na crise dos mísseis cubanos, 18 meses mais tarde.

McNamara serviu como presidente do Banco Mundial por 12 anos. Ele triplicou os empréstimos da instituição para países em desenvolvimento e mudou sua ênfase de projetos industriais grandiosos para desenvolvimento rural.

Após se aposentar, em 1981, ele encampou as causas do desarmamento nuclear e da ajuda pelos países ricos para os mais pobres.

Com Reuters e Associated Press

 

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