Americanos culparam McNamara pelo fracasso no Vietnã, diz jornal
colaboração para a Folha Online
O ex-secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert McNamara, que morreu nesta segunda-feira em Washington aos 93 anos, foi, para muitos americanos, o responsável pelo fracasso da guerra do Vietnã (1959-1975), segundo o jornal "The Washington Post". Ele aceitou a responsabilidade e a culpa em seu livro de memórias publicado em 1995.
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O conflito chegou a ser chamado de "guerra de McNamara" porque, segundo o "The Washington Post", usava sua tecnologia, suas estatísticas, seu armamento e sua organização contra um exército de camponeses de um pequeno país, que venceu a guerra e derrotaram o gigante americano.
| Divulgação |
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| Ex-secretário de Defesa dos EUA, Robert McNamara, apontado por muitos como o responsável pelo fracasso na guerra do Vietnã |
Em sua primeira visita ao sul do Vietnã em 1962, antes de a maioria dos americanos ter sequer ouvido falar do lugar e antes do envolvimento das forças de combate americanas, McNamara disse que "cada medição quantitativa que temos mostra que estamos vencendo essa guerra".
As tropas americanas realmente venceram muitas das grandes batalhas e o país venceu a guerra --se ela for vista através de análises estatísticas que McNamara tanto apreciava.
No entanto, os números significam pouco do que realmente aconteceu no campo de batalha.
Privadamente, ele apreciava de modo mais abrangente o que acontecia no Vietnã. O "Washington Post" diz que, em 1964, após o levante budista que alterou a estrutura política de Saigon, McNamara observou que os vietcongs tinham "amplo apoio indígena" e eram mantidos juntos por "laços de lealdade".
O maior crítico dele, o jornalista David Halverstam, descreveu as viagens de McNamara a Saigon no livro "The Best and the Brightest" ("O melhor e o mais brilhante", em tradução livre).
Segundo ele, o tecnocrata era "incapaz, aliás como o país que o patrocinou, a adaptar seus valores e seus termos à realidades vietnamitas. Desde que índices reais e estimativas factuais verdadeiras sobre a guerra poderiam imediatamente mostrar sua falência, as viagens de Mcnamara se tornaram parte de uma charada involuntária e elaborada, a institucionalização e legitimização de uma mentira sem esperança".
Para Halverstam, McNamara "não serviu bem a si mesmo ou a seu país. Ele foi, não há uma palavra carinhosa ou suave para isso, um tolo".
Elogio e crítica
Chester L. Cooper, que trabalhou no Departamento de Estado enquanto ele estava na pasta da Defesa, escreveu em "The Lost Crusade" ("A Cruzada Perdida", em tradução livre"), que a equipe brilhante de McNamara e sua "habilidade única de compreender e sintetizar a grande e variada massa de informação fez dele o oficial melhor informado em Washington".
No entanto, Cooper afirmou que a insistência de McNamara de lidar com o Vietnã da mesma maneira em que lidava com outros assuntos o levou a cometer erros.
Antes de ser assassinado, o presidente John F. Kennedy (1961-1963) autorizou o aumento do número de soldados no Vietnã, e seu sucessor, Lyndon Johnson (1963-1969) cedeu à pressão de seus generais, aumentando para 500 mil o número de soldados no país.
McNamara, convencido que a guerra poderia acabar em dezembro de 1965, colocou todas as suas energias na execução das políticas do presidente Johnson, mas calculou mal a resistência à intervenção dos EUA --tanto no Vietnã quanto em casa.
Em 1967, ele criticou a decisão de bombardear o Norte do Vietnã como retaliação a ataques à bases americanas no sul. Johson decidiu tirá-lo do cargo no ano seguinte, oferecendo a McNamara a presidência do Banco Mundial, cargo que ocupou durante 12 anos.
Com Reuters e Associated Press
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Esse talvez não seja ainda o derradeiro quinau que Michelete vai dar aos pobres diabos que tentam impor sanções, ultimatos, imposições e outras tarouquices típicas de quem ainda não conseguiu engolir o que ocorreu ali.
E os ianques continuam fazendo de conta que estão contra Michelete, ao cobrar a renúncia dele. Por trás dos panos devem ridicularizar a malograda tentativa de intervenção dos badalões do governo brasileiro.
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