Mundo
06/07/2009 - 13h46

Polícia ocupa ruas para evitar novos protestos após morte de 140 na China

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da Folha Online

Grupos de policiais paramilitares, vestidos com trajes de camuflagem, capacetes e coletes a prova de balas, marcharam nesta segunda-feira nas ruas do principal mercado de Urumqi, capital da Província de Xinjiang e região de maioria muçulmana, para evitar novos protestos e distúrbios como os que mataram ao menos 140 pessoas neste domingo.

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O protesto começou pacificamente com um grupo de entre 1.000 e 3.000 manifestantes da minoria muçulmana uiguir em Urumqi. Os manifestantes criticavam a morte de dois uigures em uma fábrica de brinquedos do sul do país, após eles terem sido linchados, e a discriminação por parte da etnia han, dominante no país.

Ng Han Guan/AP
Polícia paramilitar chinesa durante o protesto em Urumqi, província de Xinjiang; imagens se espalharam pela internet
Polícia paramilitar chinesa durante o protesto em Urumqi, província de Xinjiang; imagens se espalharam pela internet

A manifestação, contudo, rapidamente se tornou um confronto de civis contra policiais e militares, que deixou ainda 828 feridos na Província --o pior confronto do tipo em anos no país.

A China tenta conter a divulgação de informação sobre as manifestações bloqueando serviços de internet, como o Twitter, e a rede de celular. O episódio, contudo, já ganhou destaque na imprensa internacional como o ápice da tensão étnica que marca a região há décadas.

Os distúrbios são ainda mais um sinal para Pequim de como o crescimento econômico do dragão chinês não conseguiu aplacar as diferenças étnicas no país de proporções continentais.

Em genebra, o secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban Ki-moon, pediu a Pequim e a qualquer outro país que sofre com violentos protestos que aja com "extrema cautela" em relação a seus cidadãos.

O governo, que divulgou o número de mortos e feridos, deu poucas explicações sobre a violência dos confrontos. Eles acusam uma empresária uiguir, uma das líderes do movimento separatista da região, de incitar os distúrbios com ligações telefônicas e propaganda em sites.

A agência oficial de notícias Xinhua afirma que centenas de manifestantes foram presos e que postos de checagem foram estabelecidos na cidade para evitar que os manifestantes fugissem.

Silêncio

O presidente chinês, Hu Jintao, que está na Itália para a reunião do G8, ignorou os protestos no seu país e manteve o silêncio mesmo sob o recado de seu colega italiano, Giorgio Napolitano, de que o país deveria respeitar os direitos humanos.

Depois de assinar acordos de cooperação econômica, Hu e o premiê italiano, Silvio Berlusconi, fizeram uma entrevista coletiva na qual e restringiram a temas do G8 e relações bilaterais.

Depois dos discursos iniciais dos dois líderes, Berlusconi afirmou estar "sob ordens" para permitir apenas uma questão dos jornalistas para Hu e uma para si mesmo. As questões feitas não tinham relação com os protestos.

Mais cedo, após a reunião de Hu com Napolitano, o presidente italiano afirmou que ambos concordaram que "o desenvolvimento econômico e o progresso social que a China realiza passam pelo desafio de novas exigências em temas de direitos humanos."

Com agências internacionais

 

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