América Latina "não tolera" mais golpes militares, diz chanceler chileno
da Ansa, em Montevidéu
O chanceler chileno, Mariano Fernández, que realiza nesta segunda-feira uma visita oficial ao Uruguai, afirmou que a crise em Honduras mostra que a América Latina já "não tolera" os golpes militares e destacou que a reação é unânime entre todos os governos da região.
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Desde o golpe de Estado consumado em Honduras, no último dia 28, que tirou do poder o presidente eleito, Manuel Zelaya, países de todo o mundo exigiram que o governo designado pelo Congresso do país restitua o poder ao mandatário.
"Este caso nos permite extrair uma conclusão que é chave: não há tolerância para golpes militares na América Latina. Os países não titubearam ao condenar o golpe de Estado, e isso é muito importante, porque não havia ocorrido antes", disse Fernández em entrevista ao jornal "El País".
A América Latina foi cenário de golpes militares nas décadas de 1960 e 1970, cujos governos persistiram até o fim dos anos 80. Antes do golpe em Honduras, uma única ação semelhante foi realizada na Venezuela, sem sucesso, ao tentar tirar do poder o presidente Hugo Chávez, em 2002.
O chefe da diplomacia chilena, que assumiu o cargo em março passado, está em Montevidéu para uma reunião com seu colega, Gonzalo Fernández, e uma conferência na sede da Associação Latino-Americana de Integração (Aladi).
A visita é realizada um ano após a assinatura, em 7 de julho de 2008, do Acordo de Associação Estratégica entre ambos países, assinado na capital uruguaia pelos presidentes Tabaré Vázquez (Uruguai) e Michelle Bachelet (Chile). O acordo tinha como objetivo aprofundar os laços bilaterais e estreitar e simplificar as consultas e trocas de informações.
Mariano Fernández, antes de assumir a Chancelaria, desempenhou o cargo de embaixador de seu país nos Estados Unidos. Ele foi também representante diplomático no Reino Unido.
Golpe
Zelaya foi derrubado do poder no último dia 28 em um golpe orquestrado pela Justiça e pelo Congresso e executado por militares, que o expulsaram para a Costa Rica. O golpe foi realizado horas antes do início de uma consulta popular sobre uma reforma na Constituição que tinha sido declarada ilegal pelo Parlamento e pela Corte Suprema.
"Fui retirado da minha casa de forma brutal, sequestrado por soldados encapuzados que me apontavam rifles", contou o presidente deposto, após chegar ao exílio na Nicarágua.
"Diziam: "se não soltar o celular, atiramos". Todos apontando para minha cara e o meu peito. [...] Em forma muito audaz eu lhes disse: 'se vocês vêm com ordem de disparar, disparem, não tenho problema de receber, dos soldados da minha pátria, uma ofensa a mais ao povo, porque o que estão fazendo é ofender o povo"."
De acordo com os parlamentares hondurenhos, a deposição de Zelaya foi aprovada por suas "repetidas violações da Constituição e da lei" e por "seu desrespeito às ordens e decisões das instituições". Segundo os seus críticos, com a consulta, Zelaya pretendia instaurar a reeleição presidencial no país. As próximas eleições gerais serão em 29 de novembro.
Depois da saída de Zelaya do país, no Congresso de Honduras, um funcionário leu uma carta com a suposta renúncia, o que ele nega. Zelaya diz ter sido alvo de "complô da elite voraz"; e seu sucessor, Micheletti, diz que o golpe foi um "processo absolutamente legal".
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