Obama e Medvedev mantêm tom conciliatório, mas divergem sobre escudo
colaboração para a Folha Online
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o da Rússia, Dmitri Medvedev, se reuniram nesta segunda-feira em Moscou para assinar um novo tratado para redução de ogivas nucleares. Na entrevista coletiva concedida pelos presidentes, eles mantiveram o tom diplomático cordial, mas divergiram sobre o escudo antimíssil que os EUA pretendem implantar no Leste Europeu.
O novo tratado de redução de ogivas nucleares substituirá o Start, assinado em 1991 e que expira em dezembro deste ano. Pelo acordo, a Rússia e os EUA se comprometeram a reduzir a cerca de 1.500 as ogivas que cada um dos dois países pode dispor.
| Mikhail Klimentyev/AP |
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| Presidente russo, Dmitry Medvedev (esq.), cumprimenta Barack Obama no Kremlim; tom cordial marcou entrevista coletiva |
"Nós precisamos reduzir o número de armas nucleares no mundo e devemos liderar esta iniciativa pelo exemplo", disse o presidente dos EUA. Medvedev concordou com as palavras de Obama, comentando: "Os dois países tem responsabilidades mundiais e interesses mútuos, por isso tomamos medidas para um entendimento".
Durante a coletiva, Obama condenou duramente a Coreia do Norte pelas suas recusas em cumprir as resoluções da ONU (Organização das Nações Unidas). Também acusou o Irã por promover seu programa nuclear com fins militares.
O presidente dos EUA disse que a obtenção das armas pelos iranianos poderia levar a uma corrida armamentista na região, "desestabilizando uma das regiões mais instáveis do mundo". Medvedev não fez comentários sobre os dois países, nem também respondeu a declaração de Obama sobre as preocupações norte-americanas com a Geórgia, invadida pela Rússia em 2008.
O tom cordial dos presidentes só foi abalado com a clara divergência sobre o escudo antimíssil que os EUA querem posicionar no Leste Europeu. Obama defendeu o escudo, dizendo que ele não visava interceptar mísseis russos, mas sim de possíveis ataques iranianos. Medvedev afirmou que o assunto precisa de mais conversações, pois se trata de um assunto regional e que interessa a Rússia.
No entanto, eles concordaram em encomendar a uma comissão conjunta de especialistas, uma análise sobre os perigos dos mísseis balísticos e afirmam que seus respectivos países "planejam continuar o debate sobre a cooperação na resposta ao desafio da proliferação de mísseis balísticos".
Sete acordos
Os dois líderes assinaram também outros sete acordos, entre eles um pelo qual Rússia permitirá a passagem por seu território de mantimentos para as tropas americanas no Afeganistão.
Também decidiram trabalhar na cooperação contra a proliferação nuclear e na criação de uma comissão bilateral que será responsável por coordenar as medidas dos dois países em âmbitos como o combate ao terrorismo e ao narcotráfico, e a energia e o meio ambiente.
Com agências internacionais
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