Nunca existiu um "século americano", diz Simon Schama
LEILA CORREIA
colaboração para Folha Online
O historiador britânico Simon Schama, que participa na tarde desta segunda-feira da sabatina promovida pela Folha, afirmou que nunca houve um "século americano", marcado pela hegemonia econômica e militar dos Estados Unidos.
O historiador responde perguntas de Sylvia Colombo, editora da Ilustrada, Rodrigo Rötzsch, editor de Mundo, Claudia Antunes e Rafael Cariello, repórteres da Folha, e da plateia presente no auditório do Teatro Folha.
Ao analisar o papel dos BRICs --grupo formado por Brasil, Rússia, Índia e China-- no cenário mundial, ele disse que "os EUA não são mais ingênuos como eram na época do [presidente Ronald] Reagan [1981-1989]". Segundo ele, "não existe mais aquela coisa de bater no peito e dizer "nós somos o número um"".
Schama diz que, entre os países dos BRICs, a China é o ponto principal, por causa da grande quantidade de títulos da dívida americana que está nas mãos dos chineses.
Mas ele defende que os dois países sentem para negociar e deixem de lado a arrogância. "Os chineses e os americanos estão olhando um para o outro de uma forma arrogante, enfrentando um ao outro como se fossem marido e mulher", disse.
O historiador britânico também disse que os EUA não têm mais hegemonia mundial desde a queda da ex-União Soviética. Ele disse que o crescimento econômico do país foi "prolongado".
No entanto, "nunca houve um século americano" porque a hegemonia americana sempre foi questionada e desafiada pela União Soviética na época e, agora, por países em desenvolvimento.
"Os Estados Unidos não podem ser arrogantes e militaristas", concluiu.
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